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No Dia do Médico, A CRÍTICA acompanhou plantão de quatro cirurgiões num pronto-socorro

Responsáveis por salvar vidas e amenizar a dor dos pacientes, os médicos doam muito de si para poder ajudar ao próximo, cumprindo a máxima "fazer o bem sem olhar a quem". O Dia dos Médicos foi comemorado neste domingo (18) 18/10/2015 às 19:39
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Gabriela Corrêa, 29, diz que sempre quis ser médica e que foi influenciada pelo pai, também médico. Ela afirma que faz até duas cirurgias por plantão trabalhado
Kelly Melo Manaus (AM)

Considerados por muitos  como “super-heróis da vida real”, os  médicos são profissionais  que precisam doar muito de si, para ajudar aos outros. Os plantões são  cansativos, os pacientes são diversos, mas o que mais deixa um “doutor”  satisfeito é ver o paciente salvo.

No dia médico, comemorado ontem, A CRÍTICA acompanhou um plantão de quatro cirurgiões no sala de politrauma do Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, na avenida Autaz Mirim,  Jorge Teixeira, na Zona Leste. Em um dia considerado agitado, os médicos se revezavam  entre um paciente e outro que chegava lesionado devido a quedas, armas brancas ou de fogo, ou mesmo por acidente de trânsito.

“Aqui atendemos todo tipo de paciente traumatizado, seja ele criança ou adulto. Fazemos a avaliação e se houver necessidade, levamos para a sala de cirurgia.  Se  não, tratamos dele aqui, deixamos em observação e depois o liberamos. Há dias em que o plantão é  calmo, mas os finais de semana geralmente são agitados”, explica o cirurgião-geral Antônio  Oliveira de Araújo, 32.

Formado há sete anos, o médico afirma que a carreira exige determinação, estudos e muito fôlego. “Os nossos plantões são de 12h de dia ou a noite e é sempre em um hospital diferente. Nos primeiros anos, nós não temos muito tempo para lazer, porque praticamente ficamos residindo nos hospitais”, conta o Araújo, que veio de uma família de Eirunepé, no interior do Estado, e é o único médico da família.

“Fiz essa escolha porque na minha cidade, as pessoas são muito humildes e eu sempre tive o desejo em poder ajudá-las. No  começo, a minha família não acreditava muito nesse sonho, por ser um curso elitizado, mas depois que passei no vestibular as coisas mudaram. Tenho muito orgulho de ter chegado até aqui”, disse ele.

Recompensa

Após passar 1h30 na sala de cirurgia, a jovem médica Gabriela Corrêa, 29, falou sobre o prazer de ver um paciente recuperado. “Esse paciente estava com um quadro avançado de apendicite e precisávamos agir rápido. Como a situação era um pouco mais delicada, essa cirurgia demorou um pouco. O importante agora é que o procedimento correu normalmente e ele está bem”, ressalta ela, que costuma fazer até duas cirurgias por plantão.

Influenciada pelo pai, também médico, Gabriela afirma que sempre quis ser médica e carrega a responsabilidade de salvar vidas com muita naturalidade. “Cresci vendo meu pai fazendo isso e me sinto cumprindo o meu papel, pois estudei para isso, para ajudar as pessoas”, comenta.

Quase mil pacientes por dia

O Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo foi inaugurado em 2006  como Serviço de Pronto Atendimento (SPA) e em março de 2010, com a ampliação de sua infraestrutura, foi transformado em Hospital e Pronto Socorro de Urgência e Emergência nos serviços de média e  alta complexidade, com capacidade de 204 leitos e quatro  salas cirúrgicas,  distribuídas em cinco enfermarias, uma observação e uma reanimação, dez leitos de UTI adulto e quatro  infantis.

Atende nas especialidades de pediatria, clínica médica, ortopedia adulta e infantil, cirurgia geral (eletivas), com serviços de apoio em diagnóstico de radilogia, ultrasonografia, tomografia, ecocardiograma, unidade transfusional e laboratório de análise clínica. Diariamente, o HPS atende uma média de 994 pacientes só na parte de ambulatório e 21 cirurgias.

Manter a calma

A  cirurgiã Priscilla Ribeiro dos Santos, 28, lembra que o trabalho em equipe também é muito importante. A todo momento, durante o plantão, os médicos do politrauma trocam informações sobre os quadro clínico e ajudam no atendimento de cada um deles.

“É uma missão árdua. Às vezes o paciente chega muito  agitado, por estar em estado de choque e nós precisamos ter cautela para dar o melhor atendimento, mesmo quando não temos estrutura suficiente. Tem paciente que chega a ser agressivo, aí você tem que manter a calma e realizar o procedimento corretamente”, explicou a médica, minutos depois de ter ajudado a  atender um paciente de cinco anos que teve um ferimento na cabeça, por causa de uma queda.

Blog: Antônio Araújo, 32 anos, cirurgião-geral

"Ser médico não é ser um super-herói e nem podemos achar que somos Deus. Nós apenas tentamos aliviar o sofrimento do paciente e da equipe, que fica aflita junto com ele e temos que ter cautela para cumprir os procedimentos dentro dos padrões exigidos.  Precisamos ser muito realistas e sinceros. Infelizmente  temos que lidar com a perda e quando perco um paciente a sensação que fica é a de frustração por não ter conseguido ajudar aquela pessoa. Ainda temos que  ser fortes para falar com os familiares quando todos os nossos recursos não deram certo. Somos  médicos e psicólogos ao mesmo tempo. Faz parte da profissão. Agora, quando um paciente sobrevive a uma situação extrema, a sensação é a melhor possível."



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