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Cotidiano
MUTILADOS

No meio da floresta amazônica, fabricação de produtos de madeira desfigura um povo

Neste especial, A CRÍTICA evidencia o drama de ex-operários da indústria madeireira no interior do Amazonas que sofreram mutilações no ambiente de trabalho, suas lutas do dia a dia e os sacrifícios para superar obstáculos que surgiram após o acidente, como o preconceito e o desamparo 01/05/2016 às 13:40
Show desfigura
Guiada pelos próprios trabalhadores, nossa equipe levou-os de volta às cenas dos acidentes: os pátios, hoje abandonados, das madeireiras (Foto: Marcio Silva)
Náferson Cruz Manaus (AM)

Longe dos olhos do mundo, no meio da floresta amazônica, um drama desfigura um povo, brasileiros marcados pela dor e sofrimento: os acidentes de trabalho, que nas últimas quatro décadas somaram mais de 40 milhões de casos, resultando na morte de mais de 160 mil trabalhadores em todo o País.

No Amazonas, foram 23.646 acidentes de trabalho registrados entre 1999 e 2005. De 2006 a 2013 foram outros 69.245 casos no Estado, sendo 749 só nos setores de produção florestal e fabricação de produtos de madeira. No ano passado, mais 8.800 vítimas entraram nessa lista, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho (AEAT), divulgado na última quinta-feira pelo Ministério da Previdência Social. Enquanto 56,3% delas retornaram ao trabalho em menos de 15 dias, 32 morreram e outras 108 ficaram permanentemente incapazes.E as sequelas não são apenas físicas.

Neste especial, A CRÍTICA evidencia o drama de ex-operários da indústria madeireira no interior do Amazonas que sofreram mutilações no ambiente de trabalho, suas lutas do dia a dia e os sacrifícios para superar obstáculos que surgiram após o acidente, como o preconceito e o desamparo. Percorremos 270 quilômetros até chegar ao palco da história :Itacoatiara, cidade com pouco mais de 95 mil habitantes na Região Metropolitana de Manaus (RMM), onde começou nossa “viagem ao passado”.

Guiada pelos próprios trabalhadores, nossa equipe levou-os de volta às cenas dos acidentes: os pátios, hoje abandonados, das madeireiras. Para quem sofreu as mutilações, voltar ao passado, mesmo que por um dia, e expor os tormentos e as angústias significava reviver o drama daqueles dias fatídicos. Mas, por algum motivo - amigos, família ou a busca pela verdade - eles decidiram encarar esse fantasma e contar suas histórias como um grito de liberdade. Um grito por justiça.

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