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Cotidiano
SAÚDE

‘No momento de crise você tem que ser inovador’, diz diretora presidente da Unimed Manaus

A diretora presidente da Unimed Manaus, Corina Batista, comenta as medidas saneadoras adotadas pela cooperativa, investimentos e os desafios para recolocar a empresa na rota de crescimento 28/05/2017 às 05:00
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(Foto: Euzivaldo Queiroz)
Larissa Cavalcante Manaus (AM)

A diretora presidente da Unimed Manaus, médica Corina Batista, iniciou em março o terceiro mandato à frente da instituição. Ela recebeu a cooperativa com dívidas e sob a intervenção da Agência Nacional de Saúde (ANS). Corina, em entrevista para A CRÍTICA, disse que a cooperativa não está plenamente recuperada. E comentou as medidas que estão sendo adotadas pela empresa para conseguir vencer a crise e recolocar a empresa na rota de crescimento.

Como a senhora recebeu o convite para comandar a Unimed Manaus?

Foi encarando como um enorme desafio, pois eu era do conselho fiscal da Unimed Manaus. E a empresa na época teve um problema de direção, nós estávamos em direção fiscal. A diretoria que estava se ausentou da empresa e o conselho fiscal assumiu por um dia interinamente. Teve assembleias e foi eleita uma comissão diretiva transitória com três conselheiros fiscais e um integrante do conselho da administração. No dia 5 de dezembro de 2012, foi realizada uma eleição e foi eleito o conselho de administração da Unimed Manaus composto por sete integrantes e eleito um presidente. Eu tive a honra de ser escolhida para ser presidente da Unimed Manaus. E agora em março de 2017 houve uma nova eleição e tive a honra novamente de ser escolhida pelo conselho de administração.

A senhora chegou a pensar em não aceitar?

Nunca porque a empresa é nossa e minha também.  Eu estou na Unimed com muita determinação assim como está os 976 cooperados unidos para transformar a nossa empresa na melhor operadora. É um desafio, uma honra e uma responsabilidade. Se essa empresa estivesse sido alienada à época, você pode imaginar como estaria o caos na saúde. Eram 776 mil beneficiados que entrariam na rede de assistência à saúde do SUS e de outras operadoras, e a gente sabe que não comporta. Então, a importância da Unimed para mim quanto cooperada, para os 976 cooperados, os 1.500 colaboradores, para a sociedade manauara é uma empresa que tem uma responsabilidade social muito grande.

Como estava a cooperativa quando a senhora recebeu esse desafio?

A cooperativa se encontrava a época em direção fiscal com uma situação difícil econômica financeira e com a ameaça de um processo de alienação da carteira Unimed Manaus. Quando assumimos junto com a Agência Nacional de Saúde, através de uma direção fiscal e da Unimed do Brasil criamos um plano de ação chamado de Programa de Saneamento com metas claras, específicas, cronograma a serem cumpridos e a partir daí a gente está desenvolvendo, buscando e cumprindo as metas. Hoje somos uma empresa um pouco mais saneada, com planejamento estratégico de ações e metas que nos permite lançar um novo produto, o plano UniFácil. Dessa forma, a gente participa, com um programa gerenciado e com qualidade, do momento em que o Brasil vive.

Como a cooperativa chegou à situação de acumular muitas dívidas e sofrer a intervenção da Agência Nacional de Saúde?

Primeiro o momento econômico que vive o Brasil e em segundo a gestão. O grande problema da Unimed foi o gerenciamento da empresa que exige transparência, determinação, planejamento estratégico e, sobretudo com metas. Hoje com aquiescência da Agência Nacional de Sáude e da Unimed do Brasil temos um programa de saneamento definido e com metas mês a mês que eu preciso acompanhar e monitorar periodicamente. É preciso ter um diagnóstico da situação e um planejamento para atuar.

A senhora conseguiu o aval da ANS para implementar medidas saneadoras na cooperativa? Quais?

A primeira ação foi elaborar o plano estratégico para quitação das dívidas tributárias. Em segundo trabalhar e ordenar a rede assistência seja da Unimed Empreendimentos S/A, seja dos nossos parceiros como as redes credenciais com hospitais, clínicas e laboratórios. Fazendo com que o nosso beneficiário pudesse ter o melhor acesso aos serviços oferecidos e com isso diminuiu muito a queixa dos beneficiários na ANS. Quando nós assumimos, no relatório da agência o nível de aceitabilidade e resolubilidade dos beneficiários era 24. De 0 a 10 a agência suspende a venda do produto e é um dos indicadores para a alienação da operadora. Hoje, estamos com o indicativo 81 pareando sempre, pois é um indicador dinâmico em que a cada trimestre é feito a análise.

As medidas adotadas estão permitindo a realização de investimentos mesmo neste período de crise econômica no País?

No momento de crise você tem que ser inovador, pois se você paralisar nem resolve o que precisa e nem avança. A Unimed Manaus de forma ordenada e com metas veem fazendo alguns investimentos, por exemplo, acrescentamos a Unimed Empreendimentos S/A o Hospital Prontcord. Foi um avanço. Já tínhamos duas unidades de grande porte e hoje temos uma terceira que é o Prontcord Unimed. E para atender o beneficiários do plano UniFácil estamos lançando a Uniclin que será inaugurado no dia 2 de junho no Uai Shopping e deveremos expandir para as demais zonas da cidade.

Como funciona o plano UniFácil?

É o plano para empresas a partir de três funcionários. É gerenciado porque o beneficiário tem como porta de entrada a UniClin. Nesta clínica trabalhará profissionais de clínica médica, pediatria, ginecologia e obstetrícia fazendo um atendimento a essas especialidades. E numa necessidade eles encaminharão o paciente para outros médicos especialistas da Rede de empreendimento Unimed S/A. É gerenciado também no acompanhamento das patologias e dos seus beneficiários. Nós temos o apoio do programa Viver Bem Empresa que irá acompanhar os procedimentos realizados pelo beneficiário.

O programa Viver Bem é exclusivo dos beneficiários do Plano UniFácil?

É um programa de medicina preventiva que apóia todos os consultórios médicos, planos de pessoas jurídicas com o Viver Bem Empresa e Viver Bem Você destinado a pessoas físicas. Uma das prioridades é o investimento maciço em medicina preventiva para sair do modelo hospitalocêntrico. A medicina preventiva é orientação da Agência Nacional de Saúde, da Unimed do Brasil e é uma mudança de modelo no mundo para diminuir o custo da assistência com melhor qualidade.

O que representa a aquisição do Hospital Prontcord?

O Hospital ProntCord Unimed veio expandir a rede na sua necessidade da disponibilidade de apartamentos. Nesta unidade estará o serviço de oncologia da Unimed Manaus com toda equipe não só para fazer quimio ou radioterapia, mas o acompanhamento dos médicos, cooperados e serviços social, psicológico. É uma equipe multidisciplinar trabalhando no serviço de oncologia. Também será referência para neurocirurgia e cirurgia cardíaca, e soma-se ao atendimento de alta complexidade.

Como foi criada a Unimed Manaus Empreendimentos?

Veio da necessidade de segregar os objetivos. A operadora Unimed Manaus visa vender planos de saúde. Já a Unimed Empreendimentos assume como objetivo todas as unidades assistências médicas e hospitalares para oferecer serviços ao operador Unimed Manaus. Com isso facilita o planejamento e a organização. Os resultados têm sido muito bons porque na hora que eu defino um objetivo fica mais fácil supervisionar e avaliar. Quando se mistura a prestação de serviço e a venda planos acaba não direcionando o foco.

A Unimed Manaus está plenamente recuperada

Não, a nossa cooperativa está em processo de recuperação. O nosso programa de saneamento pela ANS tem até maio de 2019 para ser concluído. É o que eu digo, estávamos em uma unidade de terapia intensiva, já saímos, estamos ainda em uma semi-intensiva já saindo para o apartamento. Desde que assumimos a administração buscamos a transparência, nunca digo que eu não tenho problema. Nós afirmamos que os problemas existem como todas as empresas desse País. Em cima do problema nós identificamos e criamos um plano estratégico com metas e cronogramas de execução.

Qual o principal desafio para Unimed Manaus hoje?

O primeiro grande desafio é unir o cooperado para mim é a união, integração e participação dos médicos cooperados (da operadora) e cooperados acionistas (da Unimed Empreendimentos). Segundo é sanear a empresa do ponto de vista econômico e financeiro. Terceiro, facilitar cada vez mais o acesso de nossos beneficiários ao atendimento de qualidade e melhorar cada vez o serviço.

Perfil

Nome: Corina Batista

Idade: 61 anos

Estudos: Formada em medicina pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) com residência em Pediatria. Pós-graduada em Governança Corporativa pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Experiência: Idealizadora do Programa de Atenção Integral à Criança (CAIC). Diretora geral do Instituto de Saúde da Criança (ICAM)

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