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No Senado, mulheres ainda são poucas e precisaram de ajuda

A presença feminina no Senado é até maior que na Câmara dos Deputados. Mais da metade das 12 senadoras só chegou ao posto porque recebeu ajuda de ‘padrinhos’ ou porque os titulares abandonaram os cargos 07/01/2015 às 10:28
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Vanessa Grazziotin (PCdoB) é uma das senadoras que representa o Amazonas
Janaina Andrade Manaus (AM)

Além de ocupar apenas 14,8% das 81 cadeiras no Senado, apenas 4 das 12 senadoras do País chegaram ao cargo após construir uma carreira política. As outras oito parlamentares se tornaram senadoras por meio de padrinhos já inseridos na vida política ou por serem suplentes de outros senadores.

O Amazonas, que a partir de 1° de fevereiro será o único Estado brasileiro a possuir duas parlamentares no Senado, vive os dois lados deste perfil político. De um lado, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), militante desde estudante, foi vereadora em Manaus entre 1989 e 1998, migrando em seguida para a Câmara Federal, onde permaneceu de 1999 a 2011.

Antes disso, em 2004, concorreu à Prefeitura de Manaus, obtendo a terceira colocação entre os candidatos. Em 2010, elegeu-se senadora pelo Amazonas, cargo que ocupa atualmente.

Do outro lado, temos Sandra Braga (PMDB), nunca eleita para um cargo público, que assumiu no dia 1° deste mês a vaga no Senado deixada pelo marido, Eduardo Braga (PMDB), que foi nomeado ministro de Minas e Energia.

Sandra tem 55 anos e nunca concorreu a um mandato. Ela é empresária e tem três filhas. Entre 2003 e 2010 foi primeira-dama do Amazonas.

Também empossada no dia 1° de janeiro, Regina Souza (PT), que já foi quebradeira de coco, agora carrega o título de primeira senadora do Estado de Piauí, aos 64 anos, depois que o titular do cargo, Welligton Dias, elegeu-se governador. A petista é um dos nomes mais respeitados dentro da sigla e mulher de confiança de Dias.

Da mesma forma, a senadora Ivonete Dantas (PMDB), 55, empresária, foi convocada a assumir a vaga de Garibaldi Alves no Senado, em 8 de dezembro de 2011. Garibaldi se licenciou por problemas de saúde. Antes de ser senadora, Ivonete havia sido eleita para deputada estadual pelo extinto PL, em 1994.

Com patrimônio de R$ 2,8 milhões declarado à Justiça Eleitoral, a senadora de segundo mandato pelo estado de Goiás, Lúcia Vânia (PSDB), antes de chegar a esse cargo, foi primeira-dama de Goiás durante o governo de Irapuan Costa Júnior, com quem teve três filhos. Antes de ser senadora, foi eleita deputada federal por dois mandatos consecutivos entre 1987 a 1995.

A petista Ana Rita Esgário, 56, elegeu-se vereadora de Vila Velha (ES) por duas vezes (1992 e 2000). Em 2006, foi 1ª suplente do senador eleito Renato Casagrande. Na eleição seguinte, em 2010, chegou o momento da parlamentar chegar ao Senado, quando Casagrande foi eleito governador do Espírito Santo e renunciou ao seu mandato.


A ex-primeira dama do Estado de Roraima, Angela Portela (PTC), 52, é esposa do deputado estadual Flamarion Portela (PTC-RR), ex-governador de Roraima que teve o mandato cassado em 2004 por uso da máquina administrativa e compra de votos em campanha eleitoral. Ela foi eleita senadora na eleição de 2010. Antes disso, Portela era deputada federal.

A senadora Maria do Carmo Alves, do DEM, está concluindo o segundo mandato e vai para o terceiro. Advogada de formação, a parlamentar foi casada com João Alves Filho, que foi governador de Sergipe. Em 1996, filiada ao PFL, obteve o terceiro lugar na disputa pela prefeitura de Aracaju, em sua primeira disputa eleitoral. Na eleição seguinte, 1998, elegeu-se senadora da República por Sergipe, onde permanece até hoje.

Quatro acumulam experiências

Além da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), outras três parlamentares chegaram ao senado após construírem uma carreira sólida na política. Formada em economia, Lídice da Mata (PSB), é a primeira senadora eleita pelo Estado da Bahia. Em sua carreira política foi deputada federal por duas vezes (2007-2011/1987-1991). Foi vereadora de Salvador pelo PMDB (1983-1987), prefeita (1993-1996) e deputada estadual duas vezes (1999-2003/ 2003-2007).

Marta Suplicy (PT), senadora eleita pelo Estado de São Paulo em 2010, é filiada ao Partido dos Trabalhadores desde a década de 1980. Sua experiência em mandatos políticos teve início em 1995, quando foi eleita deputada federal.

Foi eleita prefeita de São Paulo e ministra do Turismo no governo Lula.

Ana Amélia Lemos (PP) é senadora pelo estado do Rio Grande do Sul. A parlamentar ingressou na carreira política em 2010.

Nordestinas têm maior espaço

Dos 27 estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, apenas 11 possuem senadoras. Cada estado possui três senadores, em um total de 81 parlamentares.

A região que reúne a maior bancada de senadoras também é a que aglutina a maior quantidade de estados - o Nordeste, com quatro senadoras.

Em segundo lugar vem a região Norte, com sete estados e que possui três parlamentares. Seguido do Sudeste, com quatro estados e duas senadoras.

Já a região Centro-Oeste e a Sul, respectivamente, com três estados, contam com uma senadora, cada.

Com este resultado, 16 estados brasileiros, hoje, não possuem bancada feminina no Senado.

Nas eleições de 2014, apenas 19,7% das candidaturas ao Senado eram de mulheres.

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