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Cotidiano
Sono em dia

Noite mal dormida pode causar depressão, pressão alta e até infarto

Dentre os vários tipos de distúrbios do sono que mais atingem os brasileiros, a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é a mais comum 10/10/2016 às 05:00 - Atualizado em 10/10/2016 às 11:03
Show disturbios do sono
Em média 33% da população do País sofre com apnéia. Arte: Thiago Rocha
Luana Carvalho Manaus

Cansaço físico, sonolência durante o dia, alterações comportamentais, falta de atenção, ansiedade, estresse e depressão podem, muitas vezes, ser  resultados de uma noite mal dormida. Dentre os vários tipos de distúrbios do sono que mais atingem os brasileiros, a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é a mais comum. Em média 33% da população do País sofre com a doença.

Apneia é a ausência de entrada do ar no organismo, conforme explica o especialista em medicina do sono Renato Martins. “São interrupções que acontecem na respiração, que podem ser parciais ou completas. São breves e repetem várias vezes durante a noite. Para o diagnóstico, ela precisa  durar pelo menos 10 segundos e ter uma frequência maior que cinco episódios por hora de sono, podendo ser considerada leve, moderada ou grave”.

Os paciente com sintomas dessa patologia, que também envolve o ronco, muitas vezes não percebem que podem ter a doença. “O problema do ronco e da apneia é que não é uma queixa do paciente, ele não sabe que ronca, ele não sabe que para de respirar durante o sono. Quem reclama é quem dorme com essa pessoa. Esse paciente tem cansaço, fica muito sonolento durante o dia, abusa de estimulantes e começa a ter alterações como falta de atenção e problemas de memória”, complementa.

Ele explica que, quando a respiração é interrompida, há uma alteração no sistema nervoso, seguida de uma respiração ressuscitadora, aceleramento do coração, descarga voltada a aumentar o débito cardíaco, ventilação e  aumento da taxa de infiltração do rim.

“Depois que passa a descarga simpática, vem a parassimpática, diminuindo os batimentos e contraindo a bexiga, fazendo a pessoa acordar à noite para fazer xixi. Muitos pacientes associam esse episódio à bexiga caída ou problemas de pressão arterial e diabetes. Mas, por trás disso, pode ter uma apneia. Outro sintoma é a sudorese excessiva”, ressalta o médico.

Você ronca?
 O ronco em si não é sinal de doença, mas se for exagerado, é preciso ficar alerta, diz o especialista. “Quando a pessoa ronca eventualmente, geralmente ela está de barriga para cima. Agora, quando a pessoa ronca alto todas as noites e, principalmente, se o ronco é irregular, se a pessoa acorda com tosse ou se engasgando, isto pode ser o sinal de uma doença que atinge cerca de 1/3 da população adulta: a apneia obstrutiva do sono”, alerta.

A doença é mais comum em homens, atingindo 46,6% da população brasileira. Já as mulheres representam 26% dos pacientes diagnosticados. “Em outras faixas etárias, como os idosos, a doença pode atingir até 80% das pessoas”, comentou Renato.  Quem tem a doença pode ter um aumento da pressão arterial, maior chance de ter colesterol alto, risco de infartar, arritmia e derrames durante a noite.

Insônia deve ser analisada também
A insônia também é um distúrbio do sono. De acordo com os especialistas no assunto, os sintoma são parecidos e incluem alterações de humor e falta de energia. Essas pessoas também tendem a ter o desempenho no trabalho ou nos estudos prejudicado. O problema pode  ser casual, crônico, ou um distúrbio causado por estresse, depressão, ansiedade ou outras patologias.

Diagnóstico e quatro tipos de tratamento disponíveis

O exame para diagnosticar a doença é chamado de polissonografia, que pode ser realizado em clínicas ou na residência do paciente, de acordo com o especialista Renato Martins. Trata-se de um aparelho que vai analisar diversos fatores do paciente enquanto ele dorme. “Fazemos várias análises desses registros, desde neurológicos à movimentos que o paciente faz durante a noite. Dependendo da complexidade, em alguns casos é importante filmar”.

Existem, em média, quatro tipos de tratamento. O primeiro deles é o que os especialistas chamam de ‘higiene do sono’, recomendando, inclusive, para quem não tem a patologia. Cultivar bons hábitos de higiene corporal, evitar cochilos prolongados durante o dia, evitar uso de bebida álcoolica, dormir de lado, evitar comer muito antes de dormir, ler um livro, diminuir as luzes e desligar a televisão podem ajudar a ter um sono tranquilo.

Outro tratamento pode ser a utilização de aparelho intraoral, utilizado para quem ronca e para quem tem apneia leve ou moderada. “Também existem as máscaras para ronco e apneia, que é nosso ‘tratamento de ouro’ para quem tem a doença. O CPAP (Continuous positive airway pressure) mantém uma pressão positiva nas vias respiratórias, que vai diminuir os sintomas”.

Por último, vem a intervenção cirúrgica para o ronco e apneia, indicado pelos especialistas de acordo com a necessidade do paciente. A cirurgia visa corrigir a patologia através de uma espécia de plástica da garganta.

Como melhorar o sono

De acordo com o especialista, para dormir bem e evitar os roncos é preciso evitar ingerir bebidas alcoólicas pelo menos 4 horas antes de deitar, evitar alimentações pesadas e gordurosas, procurar dormir de lado e tomar muito cuidado com o peso. “As pessoas que estão ganhando peso ou estão acima do peso acabam engordando na garganta, ficam com a garganta mais estreita e com a língua mais gorda, isto estreita a passagem do ar”.

Ele alerta, ainda, para cuidados com a saúde. “Se há pessoas falando que você ronca, não a tome como uma ofensa pessoal, procure ajuda. Você pode ter apneia do sono. Isso é grave! Se você buscar tratamento precocemente poderá diminuir riscos no futuro”, orientou.

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