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Cotidiano
Câncer de mama

Amazonas é o 11º pior estado brasileiro em cobertura mamográfica, aponta estudo

Número de exames realizados no País é o pior em cinco anos e o Amazonas só alcançou 17,2% da meta em 2017. Levantamento foi feito pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia 13/07/2018 às 21:46 - Atualizado em 14/07/2018 às 08:33
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Brasil alcançou apenas 24,1% da meta e no Amazonas esse número é ainda menor: 17,2%, ou 23,4 mil exames de 136,3 mil esperados. Foto: Arquivo/AC
Antônio Paulo Brasília (Sucursal)

A realização de mamografias no Brasil tem os piores resultados dos últimos cinco anos, chegando apenas a 24,1% de exames realizados em todo o País, menos que a metade do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (70%). Dos 11,5 milhões de exames esperados, em mulheres da faixa etária entre 50 e 69 anos, foram realizados apenas 2,7 milhões. As regiões Norte e Centro-Oeste apresentam as menores coberturas mamográficas.

O Amazonas ocupa a 11ª posição entre os piores estados do ranking nacional, com 17,2% de exames realizados. Os três piores estados foram Amapá, que realizou apenas 260 exames em detrimento dos 24 mil esperados, seguido do Distrito Federal, com cinco mil realizados quando eram esperados 158,7 mil, e Rondônia, cuja expectativa era de realizar 76,9 mil, mas somente 5,7 mil foram realizados. A Bahia é o estado com a maior cobertura, 33,8% do total de exames esperados. O levantamento é da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia.

“O Norte e Centro-Oeste têm as piores coberturas pela dificuldade que as mulheres têm para agendar e realizar a mamografia, sendo esse o principal motivo para o baixo número de exames, além da triste realidade encontrada nos hospitais com equipamentos quebrados e falta de técnicos qualificados para operá-los”, afirma o coordenador da pesquisa, Ruffo de Freitas Junior.

Esses números e as dificuldades de acesso aos exames de mamografia no Brasil são destaques do 21º Congresso Nacional de Mastologia, que acontece a partir de hoje até sábado em Belém (PA).

“Estamos diante de um grave declínio que reflete o cenário caótico do câncer de mama no país”, alerta o médico, chamando a atenção de que se esses números forem convertidos em valores, o estudo mostra que o governo federal investiu apenas R$ 122,8 milhões dos R$ 510,7 milhões previstos para atender ao número esperado de mulheres nessa faixa etária, a que mais acomete as mulheres com o câncer de mama, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O presidente da SBM, Antônio Frasson, enfatiza que a entidade preconiza a realização da mamografia anualmente para todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade. “Isso significa que, se fôssemos ampliar a abrangência do estudo, o cenário seria ainda bem mais complexo, para não dizer desesperador”, diz Frasson. Ele acrescenta que o acesso aos exames é uma das principais bandeiras que a mastologia brasileira tem levantado nos últimos anos.

AM: só 17,2 % da meta

De uma população de 231.440 mulheres amazonenses, na faixa etária de 50 a 69 anos, eram esperados 136.318 exames de mamografias, mas somente 23.426, ou 17,2% do total previsto, foram realizados. Para a realização dos exames, o Ministério da Saúde aprovou R$ 1.040.512,50 para o Amazonas.

Metas são referentes a mulheres entre 50 e 69 anos

Os dados referentes ao número de exames realizados em 2017 foram coletados do Sistema de Informações Ambulatorial (SIA) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSus), de acordo com os códigos de procedimento 0204030030 (Mamografia) e 0204030188 (Mamografia Bilateral para Rastreamento).

Já o número de exames esperados foi calculado de acordo com o número de mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos e as recomendações do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para rastreamento bienal (BRASIL, 2017). Para o cálculo do número de exames esperados considerou-se 58,9% da população alvo, tendo em vista as recomendações do Inca.

Verba prevista

Em 2012 o governo federal designou R$ 4,2 bilhões para melhoria de mamografia e do exame de Papanicolau no Brasil.

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