Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
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‘Nossas leis são referência’, afirma procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho

Jeibson dos Santos Justiniano, procurador-chefe do MPT afirma que legislação brasileira é avançada e não pode ser descumprida em nome do lucro



1.gif Jeibson Justiniano defende que o bloqueio do desenvolvimento econômico vem dos tributos, não dos direitos
04/05/2013 às 12:49

Durante as celebrações pelos 70 anos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), iniciadas em 1º de maio, a reforma e a atualização do instrumento de defesa do trabalhador têm sido debatidas pelos operadores do Direito, entre eles o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT) da 11ª Região, Jeibson dos Santos Justiniano.

Segundo ele, a tendência do mercado é precarizar as relações de trabalho em nome do lucro a qualquer preço, o que deve ser combatido do ponto de vista legal. “Nós podemos pensar em um novo código trabalhista, mas não para rever direitos já conquistados, e sim para contemplar regulamentos de profissões que não se encontram na CLT. O discurso de mercado aberto é arriscado e perigoso, porque é a propagação de valores neoliberais, no sentido de que deve se flexibilizar os direitos trabalhistas em prol do progresso econômico. O direito trabalhista não emperra desenvolvimento econômico. O que emperra são tributos que incidem nas relações formais de trabalho”, disse.

Ele afirmou que o Brasil ainda é referência em leis trabalhistas e citou como avanço recente a Emenda Constitucional 72, a “PEC das Domésticas”. “Somos a favor porque temos uma visão de igualdade de direitos. Aquilo que justificava as domésticas não terem direitos era algo não jurídico, resquícios do passado que vinha com a ideia da escravidão. Porém o que pedimos é um pouco de calma à sociedade no que diz respeito, sobretudo, à indenização sem justa causa, que ainda está passível de regulamentação”.

Três perguntas para  Jeibson Justiniano

1º Que pontos da CLT podem ser revistos?

O ponto principal é no que diz respeito às relações coletivas de trabalho. O modelo sindical brasileiro ainda tem resquícios do modelo corporativista que tinha na era Vargas, tais como revisar questão da onicidade sindical e o imposto sindical obrigatório.

2º O que falar sobre a PEC das Domésticas?

A Emenda Constitucional 72 igualou o direito das domésticas aos demais trabalhadores urbanos. Estamos preocupados com a demissão em massa por parte dos empregadores. É preciso ter diálogo entre empregador e empregados para que esses novos direitos sejam dirimidos em um novo contrato de trabalho.

3º A CLT ainda é uma referência?

Entendo que nossa legislação é avançada, protecionista. Porque para enfrentar o capital é preciso ter a proteção do valor social do trabalho.

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