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Cotidiano
Semicondutores

Nova fábrica no Distrito Industrial promete abrir 1,2 mil novas vagas de trabalho

Com investimento de US$ 35 milhões, a Cal-comp Semicondutores (CCBS) produzirá microchips de última geração para informática na Zona Franca de Manaus 15/07/2016 às 10:29
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A Cal-comp AM poderá ser a maior fábrica de microchips para de informática do País (Winnetou Almeida)
Cinthia Guimarães

O grupo taiwanês New Kinpo acaba de inaugurar no Polo Industrial de Manaus (PIM) a Cal-comp Semicondutores do Brasil (CCBS), que promete ser a maior fábrica de semicondutores (microchips para a indústria de informática) do continente americano em termos produtivos e tecnológicos.

O projeto ambicioso pretende desbancar a concorrência deste segmento no Brasil, onde se destacam mais três empresas localizadas no Sul (Rio Grande do Sul) e Sudeste (Minas Gerais e São Paulo).

A CCBS deve ser a fábrica de maior aporte tecnológico que o modelo Zona Franca de Manaus já recebeu em sua história. A operação prevê investimentos de US$ 105 milhões e a geração de 1.200 empregos até 2019 em Manaus, o que deve ser feito em três etapas. A primeira que começou este ano prevê inicialmente US$ 35 milhões de investimentos e 400 empregos.

A produção inicia com 5 milhões de unidades de microchips por mês, processados por um parque de máquinas de última geração que custam cerca de US$ 1,5 milhão (cada), importados da Ásia, onde se concentra o polo mundial deste segmento de nano e microtecnologia.

A fabricação de semicondutores envolve composição de metais nobres como silício, ouro, prata e cobre, que são importadas da Ásia. A Cal-Comp fabrica componentes de informática para grandes multinacionais do setor como Positivo, Lenovo, Humix, HP, Dell, Samsung, Seagate, Tecnicolor, entre outras.

Os incentivos fiscais do governo federal e estadual para o projeto da Cal-Comp semicondutores foi aprovado em fevereiro de 2015. Também foi possível graças ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (PADIS), do governo federal.

Mão de obra

As dificuldades da região Norte não intimidaram os investidores. Para isso, um time de 20 jovens engenheiros amazonenses foi enviado para treinamento de seis meses em Taiwan. Uma dezena de taiwaneses e tailandeses também vieram para Manaus para estar à frente das operações.

A diferença desse tipo de negócio é o uso mão de obra especializada e altamente qualificada. “Não estamos falando de montadores e operadores, e sim de engenheiros e profissionais super gabaritados”, explicou o diretor da Cal-Comp Semicondutores, Mike Huang.

A CCBS é a terceira fábrica do New Kinpo Group que está em Manaus desde 2011. Sua primeira operação foi a CS Wireless que produz equipamentos como receptores digitais, modem, placa-mãe e tablets em um espaço de 15 mil metros quadrados. A segunda unidade foi a CS Storage que fabrica HS, SSD, pen drives, carregadores de notebook e peças de injeção plástica. O parque fabril está localizada na avenida Torquato Tapajós, 7.503, no Tarumã.

Alta performance

A performance do negócio foi ressalltada pelo diretor da CCBS, Mike Huang. “O valor do investimento parece tímido, mas significa muito proporcionalmente pela alta eficiência tecnológica que está trazendo ao Amazonas”. O vice-diretor da fábrica, Stanley Shih, enfatizou que o grupo vem consolidar no Brasil uma tendência mundial do mercado de eletroeletrônicos que estão cada vez menores e mais velozes.

Incentivo à cadeia

Uma comitiva do Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicação (MCTI) veio a Manaus ontem conhecer o trabalho da Cal-Comp, sob a liderança do coordenador Geral de Microeletrônica, Henrique de Oliveira Miguel, que destacou a atração de polo do setor no Amazonas.

“Essa é uma indústria de alta tecnologia, com mão de obra bastante especializada e é interessante porque ela aos poucos começa a atrair em volta dela outras empresa. A ideia é avançar a cadeia”, enfatizou Henrique, citando que o Brasil possui 17 empresas deste segmento em operação, mas de dimensões bem menores.

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, acredita que esta operação pode ser a porta de entrada para fomentar o polo de informática do Estado. “Todo e qualquer novo investimento que visa fazer o adensamento da cadeia produtiva do que não temos e que venha a gerar emprego para a nossa região é muito importante e relevante para o modelo Zona Franca”, enfatizou.

Pela excepcionalidade da operação regional, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Pereira, que estaria em Manaus por ocasião da reunião do Conselho de Administração da Suframa, mas cancelou a viagem ontem à tarde.

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