Quinta-feira, 23 de Maio de 2019
Notícias

Novas regras estabelecidas pela ANS para partos já estão em vigor

Resolução da Agência Nacional de Saúde quer reduzir o número de cesarianas realizadas na rede particular e que representam 80% do total



1.jpg
Objetivo da resolução é garantir uma opção maior pelos partos normais, mas medida ainda gera polêmica entre médicos
07/07/2015 às 20:25

As mudanças para estimular o parto normal e reduzir as cesarianas descenessárias, estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde (ANS), de acordo com a resolução normativa  368, começaram a valer.

A partir de agora, as operadoras  de planos de saúde devem  divulgar os percentuais de cirurgias cesáreas e de partos normais por estabelecimento de saúde e por médico, assim como serão obrigadas a fornecer o Cartão da Gestante e a Carta de Informação à Gestante, no qual deverá constar o registro de todo o pré-natal, e exigir que os obstetras utilizem o Partograma, documento gráfico onde é registrado tudo o que acontece durante o trabalho de parto.

Embora reconheça a alta incidência das cesáreas no Estado, que chegam a 80%  na rede particular  e 40% na rede pública, o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Viana, afirma que a medida não é bem vista pelos médicos obstetras. “Não podemos tratar esse assunto apenas olhando para os números, de forma matemática. A questão tem que ser mais discutida na academia, fazendo um debate amplo, e sair do discurso político”, criticou ele.

Para  Viana, a mulher deve ter o direito de optar pelo tipo de parto que quer ter, desde que seja em comum acordo com o profissional que a acompanha desde o início da gravidez.  De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a taxa o ideal de cirurgias cesáreas deve de estar entre 10% a 15% de todos os partos realizados. “Esse dado não pode ser aplicado a nossa realidade, porque a nossa formação social é diferente da formação americana ou europeia. Vários fatores devem ser levados em consideração”, defende Viana.

Partograma

“O parto é um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher e da família dela e nós acreditamos que, ao fornecer informações qualificadas, ao informá-la sobre os riscos que podem ser gerados em decorrência de um procedimento cirúrgico desnecessário, a mulher estará mais segura na decisão em relação ao seu parto, escolhendo o melhor para sua saúde e a de seu bebê”, afirmou o diretor-presidente da ANS, José Carlos de Souza Abrahão.

Com a mudança, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação, a partir do Cartão da Gestante. Na Carta de Informação à Gestante contém orientações para que a mulher tenha subsídios para tomar decisões e vivenciar com tranquilidade o parto. E o Partograma é um documento onde devem constar informações sobre o quadro clínico da mulher, ou seja, ela é portadora de diabetes, hipertensão, se há sofrimento fetal, entre outros.

Os planos de saúde que operam em Manaus foram procurados por A CRÍTICA, mas ninguém foi encontrado para comentar as mudanças feitas pela ANS.

Apoio à medida

Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa as operadoras de planos de saúde no País, endossou a posição do Ministério da Saúde e reafirmou que o parto cirúrgico só é necessário quando há algum risco na gravidez que impeça a gestante de trazer ao mundo uma criança de forma natural.

Conforme a Abramge, todos os procedimentos previstos pela a ANS são cobertos pelas operadoras, inclusive aqueles para a realização do parto normal e destacou que participa de grupos de trabalho e câmaras técnicas que discutem as melhores práticas do setor, e analisam novos modelos de remuneração.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.