Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
SAÚDE

Novo medicamento reduz tempo de tratamento dos pacientes com malária

Somente no Amazonas, conforme dados da FVS, foram registrados 24.020 casos da doença de janeiro a maio deste ano



MEDICAMENTO01.jpg De janeiro a maio já foram registradas 24.020 casos de malária. Foto: Divulgação
18/06/2017 às 13:21

‘Presente grego’ da época da colonização do País, a malária ainda ‘reina’ no território brasileiro, restrita a região amazônica. Somente no Amazonas, conforme dados da Fundação de Vigilância Sanitária (FVS), foram registrados 24.020 casos da doença de janeiro a maio deste ano, um total de 48% do que foi contabilizado nos doze meses de 2016 (49.928 casos).

Os dados assustam, mas o Brasil já é considerado área de intensidade baixa a modernada da transmissão e a luta contra a forma mais comum da doença no país (causada pelo Plasmodium Vivax) ganhou reforço, diante dos resultados positivos dos testes clínicos realizados com a tafenoquina. A nova droga promete prevenir as recaídas, que dão o ‘gás’ no levantamento dos casos.



A promessa é possível porque o novo medicamento é utilizado em uma única dose, no primeiro dia de tratamento, ao contrário do esquema da primaquina (droga utilizada hoje em dia). Conforme o pesquisador da gerência de malária Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Wuelton Monteiro, que fez parte do centro de estudos sobre o medicamento, o medicamento atual pode ser prescrito tanto durante sete dias quanto para um período de 14 dias. No Brasil, adota-se o esquema de sete dias. “O problema de um longo período é que as pessoas abandonam o tratamento. Os pacientes com malária estão com febre, fraqueza e uma série de sintomas desagradáveis, mas quando começam a fazer tratamento e dois dias depois não sentem mais nada, já acham que podem parar. A tafemaquina vem pra evitar este problema. Não depende só da boa vontade do paciente”, explica.

O bacharel em Direito Bruno Costa, 26, reconhece que nunca foi um paciente exemplar. “Sempre esquecia de seguir as orientações médicas. Quando melhorava, acabava relaxando”, pontua. Ao todo, Costa foi diagnosticado cinco vezes com malária.

Parasita
Apesar da malária também ser causada pelo Plasmodium Falciparum,  o plasmodium vivax é responsável pela grande maioria dos casos no Brasil. Do total de registros da doença nos cinco meses deste ano, 89,98% foram causados pelo parasita (21.420).

De acordo com Monteiro, a vivax tem capacidade de levar a recaídas, enquanto a outra não tem, embora seja mais grave. “Depois do primeiro episódio no paciente com este tipo de malária, alguns parasitas ficam latentes, dormindo nas células do fígado. Depois de meses ou anos até anos, estes parasitas, por algum mecanismo que ninguém ainda conhece direito, começam a se multiplicar novamente, caem no sangue de novo e levam a um novo episódio de malária. A tafemoquina vai no fígado e mata estas formas dormentes. Aí esta pessooa não terá mais recaídas, podendo dizer que o indivíduo teve a cura radical, tanto das formas do sangue quanto do fígado”, assevera.

O pesquisador ressalta que o tratamento com a cloroquina permanece, medicamento que mata as formas do sangue.  “Mas para chegar a cura radical, é preciso usar a droga que mata as formas escondidas lá no fígado. Hoje, isto acontece com a primoquina, mas, no futuro, provavelmente será a tafemoquina, que mata em único compromido as formas latentes no fígado”, destaca.

Com os resultados dos testes feitos em humanos, os responsáveis pela droga podem solicitar o registro junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para permitir o uso do medicamento no País. A previsão é que o processo regulatório ocorra no período de pelo menos três anos.

Grupo de Estudos
Participaram da pesquisa, os centros de estudo do Brasil, da Indonésia, da Tanzânia, da Tailândia e do Peru. O resultado da pesquisa foi apresentado na “6ª Conferência Internacional sobre Pesquisa de Plasmodium vivax”, que aconteceu na capital.

Contra-indicações
A tafenoquina tem características semelhantes a primaquina, por isso as mesmas contraindicações

Gestantes estão na lista dos pacientes que não podem receber o medicamento, assim como menores de seis meses de idade

Pessoas com deficiência de G6PD (Glicose-6-Fosfato Desidrogenase) também não podem fazer uso da droga

100 - Pacientes fizeram parte do grupo de estudo em Manaus. O estudo com a nova droga foi coordenado pelas empresas Medicines for Malaria Venture (MMV) e Glaxo Smith Kline (GSK), e financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates. A pesquisa aconteceu de 2014 a 2016.


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