Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
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Novo pedido de intervenção em Coari não é descartado pelo MPE

Diante da série de irregularidades encontradas na gestão do município, Ministério Público do Estado deverá tomar medidas judiciais nos próximos dias. Procurador-geral de Justiça, Fábio Monteiro, falou sobre o caso



1.gif Carlos Fábio Braga Monteiro informou que o órgão acha prudente novas investigações
04/02/2015 às 12:21

O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), Carlos Fábio Braga Monteiro, informou, na manhã desta quarta-feira (4), que não descarta um novo pedido de intervenção em Coari (a 363 quilômetros de Manaus) após manifestações populares que resultaram em destruição de patrimônio público e privado.

O município é palco de denúncias de corrupção e problemas no funcionalismo público, e diante da série de irregularidades encontradas na gestão de Coari, o órgão deverá tomar medidas judiciais nos próximos dias. O procurador-geral disse que está fazendo um levantamento das várias denúncias, entre elas atrasos no salário de servidores e pagamento de fornecedores de serviços básicos.



“Achamos prudente que aprofundássemos a investigação em todos os seguimentos para, aí sim, quando apresentarmos ao Poder Judiciário, façamos isso de uma vez só. Mas, em pouquíssimo lapso de tempo, tomaremos algumas medidas imediatas pelos diversos dados que nos chegaram pela comissão, que fez um trabalho vultoso de mais de cinco volumes de elementos de provas”, disse Monteiro.

“Nós vamos mandar para a coordenadoria de Combate ao Crime Organizado para que, na área criminal, haja um aprofundamento”, completou o procurador-geral de Justiça. Ainda de acordo com ele, o caso também será apresentado ao Centro de Apoio dos Direitos Constitucionais do Cidadão (Prodedic).

De acordo com Fábio Monteiro, durante a visita da comissão especial de investigação do MPE na cidade de Coari, nos dias 20 e 21 de janeiro, verificou-se que há claros sinais de enriquecimento ilícito de secretários, vereadores e funcionários da Prefeitura. Segundo Monteiro, os suspeitos apresentaram rápido aumento de patrimônio e também ostentação de riquezas.

Um dos objetivos da comissão de investigação do MPE em Coari foi verificar quem foram os responsáveis pelo quebra-quebra na cidade, ocorrido no dia 14 de janeiro, manifestação popular considerada criminosa. Ao ser questionado sobre quais os nomes dos suspeitos de praticarem corrupção em Coari, Fábio Monteiro foi categórico. “Seria mais fácil responder quem não será investigado”, disse o procurador-geral.

“As notícias são muito graves. Há dados de eventuais irregularidades na área eleitoral, com doações que, em tese, não seriam eleitorais (para a campanha); que não teriam sido feitas, mas que aparecem na prestação de contas. No que diz respeito à eventual improbidade administrativa, teremos recomendações que deverão ser tomadas por parte do Ministério Público”, enfatizou.

Revolta popular

No último dia 14 de janeiro, parte da população em Coari se revoltou e destruiu residências e outras propriedades do prefeito afastado Igson Monteiro e do irmão dele, Eliseu Monteiro, presidente da Câmara. A revolta popular foi motivada, segundo moradores, pelo atraso no pagamento de salários, mas também foi vista como manobra política.

Conforme o procurador-geral, a Prefeitura de Coari prometeu pagar amanhã, quinta-feira (5), a última parcela atrasada do 13º salário dos servidores. Sobre outros atrasos de recursos municipais que afetam diretamente serviços básicos na cidade, a prefeitura justificou problemas apontando causas na crise financeira mundial e no Brasil, segundo Fábio.

Afastado

O prefeito cassado, Igson Minteiro, está fora de Coari desde dezembro de 2014, após conseguir constantes licenças para ficar ausente da cidade, o que foi aprovado pela Câmara Municipal. Com a ausência dele, quem assume o posto de prefeito da cidade é justamente o presidente da Câmara, Eliseu, irmão de Igson.

Esta é uma das principais preocupações de Fábio Monteiro. Segundo o procurador-geral, a função da Câmara Municipal é justamente fiscalizar e analisar as ações da Prefeitura, porém essa responsabilidade pode ser afetada já que o fiscalizador é parente familiar do fiscalizado. Fábio Monteiro afirma que antes do feriado do Carnaval deve tomar medidas.

Orquestrado

Na época, Igson Monteiro, o prefeito cassado, declarou que o verdadeiro pandemônio instalado no município foi orquestrado pelo ex-prefeito de Coari, Adail Pinheiro, de dentro da cadeia. Igson foi vice de Adail antes de se tornar prefeito. Adail está preso há dois anos no batalhão da PM em Manaus por ser suspeito de crimes de pedofilia em Coari.


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