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Novo presidente do Sebrae-AM sobre os desafios para a classe empreendedora

Presidente pretende continuar processo de interiorização iniciado nas gestões anteriores para atender empresários não apenas na capital 25/01/2015 às 10:01
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José Roberto Tadros continua a frente da Fecomécio-AM
Priscila Rosas Manaus (AM)

Ser micro ou pequeno empreendedor no Brasil é difícil. Os primeiros anos de atividades são extremamente desafiadores para as empresas. A maior parte tende a fechar as portas prematuramente. É nesse cenário que atua o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), orientando e direcionando os empresários a melhorarem seus resultados. Conversamos com o mais novo presidente da instituição sobre os desafios de 2015.

José Roberto Tadros, de 69 anos, tomou posse no último dia 09. É o sexto mandato dele à frente da instituição. Outros foram exercidos durante os anos 90 e início de 2000. Ele também é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio/AM), onde está em seu oitavo mandato.

Qual é o principal desafio da sua gestão à frente do Sebrae?

Isso para mim não é novidade. Estou voltando pela sexta vez como presidente do Sebrae. Em 1990, nós organizamos e fundamos a entidade com as três Federações: do Comércio, da Indústria e da Agricultura.

Qual é a prioridade nessa nova gestão?

O Sebrae é extremamente importante e atua nos três segmentos (Agricultura, Indústria e Comércio). Os recursos que alimentam os cofres do Sebrae são oriundos do sistema “S”. Ele é importante e indispensável porque é o único “S” voltado ao empreendedor. E onde há empreendedorismo há emprego, há renda e tributos. Os outros “S” são voltados para o trabalhador. Senac e Senai estão voltados para preparar e qualificar a mão de obra para o mercado de trabalho e visando melhorar as condições salariais daqueles que passam pelos cursos. Já o objetivo do Sesc é instruir também na educação formal (infantil, fundamental e médio).

O Sebrae era o “S” que faltava?

Com certeza. Era o que faltava nesse elo. Precisaria ter uma instituição voltada a orientar o empresário em um País dito capitalista e altamente burocratizado. O Sebrae foi criado para isso e nós, obviamente, vamos dar continuidade ao trabalho que começamos em 1990.

Como serão feitas as atividades do Sebrae no interior?

O grande universo do Amazonas é micro e pequena empresa, fundamentalmente, no interior. Você não encontra uma grande empresa no interior, com raríssimas exceções. Há o comerciante que quer estruturar o seu negócio e você tem o Sebrae lá para orientar e encontrar linhas de crédito. Ou é um pequeno industrial que queira encontrar caminhos para industrialização de produtos regionais. A finalidade do Sebrae é a micro e a pequena empresa.

Onde tem Sebrae no interior do Amazonas?

Nós já implantamos, ainda na minha gestão, em Parintins, em Coari, em Tefé, em Manacapuru. Nós temos um terreno doado em Itacoatiara e um imóvel comprado em Parintins.

E em 2015, o órgão vai chegar a que municípios?

Nós começamos agora a edificar os nossos prédios. Porque o único que é de propriedade do Sebrae é este em Parintins.

Então, a principal meta de 2015 é focar no interior?

É tudo. Não é só o interior. Nós não podemos desprezar a capital. Porque 94% da atividade econômica desse Estado está na capital. Mas não descuidar do interior que tem cidades em crescimento. Hoje, temos grandes cidades no interior como estas que eu mencionei: Itacoatiara, Manacapuru, Tefé e Coari. Devemos começar a ampliar também nas outras cidades da região metropolitana de Manaus como Iranduba, que tem um grande futuro. Além de cidades próximas como Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo.

Como o senhor avalia o cenário atual para micro e pequenas empresas no Amazonas?

O cenário atual não está favorável nem para as grandes empresas, imagina para as pequenas empresas. Esse País precisa de uma definição, de um norte, de programas e de projetos de forma duradoura e a economia vive aos soluços. Esses últimos anos foram muito difíceis.  É muito complicado. Estão sendo captados recursos que poderiam estar circulando no mercado gerando riqueza, renda, emprego e etc. Os governos aumentam grandemente sua arrecadação e, não obstante a isso, continuam dando déficit.

Como o senhor avalia a baixa longevidade das empresas aqui? A maioria fecha as portas antes dos três anos de existência.

Exatamente. Eu, quando estive no meu primeiro mandato à frente do Sebrae, mandei fazer uma pesquisa sobre isso. Nos primeiros três anos, 60% das empresas desaparecem. Nos primeiros cinco, 90%. O sistema capitalista tem que ser distributivo, democrático e tem que dar lucro. Porque o lucro hoje nos leva ao novo emprego do amanhã.

O Simples Nacional representou avanço para as MPEs, mas outras medidas são necessárias. O que o senhor sugeriria para melhorar o ambiente das empresas?

Definição das regra do jogo. Isso quem define é governo seja governo na esfera federal, estadual ou municipal. Com as regras do jogo bem definidas e com clareza, há funcionalidade. 

O que o senhor prevê em 2015 com toda essa situação econômica que o País está passando?

Eu não vejo um quadro absolutamente negro. No governo Sarney, vivi a inflação de 86% ao mês, vivi a primeira e a segunda crise do petróleo. Eu acho que esse governo com alguns ajustes, definição de sua política interna e externa e pensando na economia muito mais do que na política, com pouco tempo se ajusta. E a presidente percebeu isso. E eu torço por ela porque quem torce contra a presidência, está torcendo contra o País e consequentemente contra si próprio.

Como o  senhor avalia a gestão anterior?

A antiga gestão foi tão eficiente quanto as anteriores. O que se tem é continuar e as mudanças vão acontecer naturalmente. E eu quero lhe dizer, os presidentes não são remunerados.

Quais parcerias o Sebrae pretende estreitar para melhor desenvolver suas atividades em 2015?

Todas as possíveis. Todas as que atendam as suas “finalidades finalísticas”, se você me permite a redundância, para ser enfático.

Tem algum motivo especial para essa 6ª vez à frente do Sebrae?

Nós fazemos um rodízio entre as federações. Não é mérito pessoal. Todos os presidentes são capazes, iguais e comprometidos. Eu tenho certeza disso porque eu convivi com todos eles.

O que o senhor elencaria como ponto alto de sua trajetória?

Ponto alto da trajetória de todos nós é chegar ao final da vida tendo a certeza de que fez o bem, foi justo, fez o certo e ajudou os semelhantes. Deixou bons amigos e nunca agiu mal com ninguém. O resto é efêmero, tudo é passageiro neste mundo.


Perfil Roberto Tadros


Formação:  Tadros  é manauense, advogado e empresário. Vem de uma família de imigrantes que chegou ao Brasil em meados do século XIX.

Reconhecimento:  É considerado uma das principais lideranças empresariais do Estado. Seu mandato à frente do Sebrae vai até 2018. Iniciou a carreira como empresário em 1964, aos 18 anos.


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