Terça-feira, 22 de Outubro de 2019
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Novos e velhos perigos à Zona Franca de Manaus

Investimento do multi-milionário Eike Batista no Rio de Janeiro pode ter impactos na produção de televisores de tela fina na Zona Franca de Manaus



1.jpg Investimento do multi-milionário Eike Batista no Rio de Janeiro pode ter impactos na produção de televisores de tela fina na Zona Franca de Manaus
28/01/2012 às 16:37

Entre os tantos projetos nos planos do empresário Eike Batista está a instalação de uma fábrica de telas de LED no Rio de Janeiro. Como a tecnologia para telas pequenas ou grandes é a mesma, se a fábrica carioca produzir telas para TVs - na visão de alguns analistas -  poderá  anular a competitividade da Zona Franca de Manaus na fabricação de televisores.

As telas correspondem a cerca de  70% do custo das matérias-primas necessárias à produção das TVs de telas finas. Atualmente, os dispositivos de cristal líquido são importados, principalmente da China.



Não é à toa que 21% de toda a importação do Amazonas em 2011 foi de componentes para TVs, onde as telas figuram como principal insumo. Uma fábrica de grande porte fornecendo esse componente no Sudeste tornará mais vantajosa a produção de televisores com telas de LED naquela região, mesmo sem o apoio de incentivos fiscais. Essa é a avaliação do professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Manuel Cardoso.

“Do ponto de vista logístico, não fará sentido produzir na Zona Franca. Não há diferença fiscal que torne a operação competitiva”, pondera.

O vice-presidente de Novos Negócios da Samsung para a América Latina, Benjamin Sicsu, discorda. Ele afirma que a disponibilidade de um fornecedor de telas no Brasil não causaria debandada na Zona Franca. “Se houvesse um fornecedor de painéis no País e as fábricas fossem obrigadas a adquirir esses painéis (por modificação no PPB), o impacto seria maior para o Caixa do Governo do Estado. Isso porque, quando os painéis entrassem na ZFM, teriam que receber crédito tributário de 7%”, explica.

Na visão do executivo, a isenção de IPI para TVs produzidas no PIM continuaria tornando mais vantajosa a produção em Manaus.

Para Manuel Cardoso, não se pode ser contra o investimento, mas o ideal é que ele seja feito na Zona Franca, onde já existe um polo consolidado de televisores. Para isso, o momento de agir é agora. “Nesse momento, é importante que haja movimentação política para que se busque nesse mesmo investidor a sensibilização para que o investimento seja feito em Manaus”, disse o cientista.

Convergência digital
Se há divergência quanto aos impactos que a fábrica de Eike Batista possa causar na ZFM, o mesmo não ocorre com relação aos efeitos da possível inclusão das smart TVs na lista de bens de informática. A última edição da Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas mostrou de forma contundente que a convergência digital - acúmulo de mídias em um só aparelho - já é uma realidade (veja à esquerda).

Se o governo brasileiro considerar as novas smart TVs como bens de informática, estará garantida a concessão de incentivos fiscais para produção em qualquer Estado, liquidando o setor na Zona Franca.

As smart TVs mostradas na CES dispensam o controle remoto, reconhecem rostos, voz e movimentos, conectam-se à Internet com todas as funcionalidades de um computador. Manter esses produtos fora da lista de bens de informática será uma tarefa que vai exigir imediata desenvoltura das lideranças políticas e empresariais do Estado.


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