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Número de policiais mortos divulgados pela SSP-AM é contestado pela categoria

A Associação dos Praças do  Estado do Amazonas (Apeam)  registrou 22 mortes somente de policiais militares, dez deles assassinados em serviço 10/02/2015 às 20:36
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No dia 2 de setembro, o sargento José Cláudio Marques da Silva, o ‘Caju’, foi morto a tiros quando acompanhava a esposa do então candidato ao Governo, Chico Preto, no conjunto Eldorado
perla soares ---

 O número de policiais civis e militares mortos no Amazonas nos  últimos anos é um mistério.  Isso porque os dados divulgados pelos órgãos de Segurança Pública divergem dos anunciados pelas instituições de classe das corporações militares e civis, que são até 50% maiores que os dados oficiais.

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que, no período de janeiro de 2013 até janeiro de 2015, foram registrados 11 casos de homicídios de policiais civis e militares em serviço e fora de serviço. Desse total, seis casos foram de policiais militares em dias de folga.

Nesse mesmo período, a Associação dos Praças do  Estado do Amazonas (Apeam)  registrou 22 mortes somente de policiais militares, dez deles assassinados em serviço.

Entre as mortes de policiais civis, relatadas pelas instituições de classe e registradas pelos órgãos de segurança, a discrepância é ainda maior. O Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Estado do Amazonas (Sinpol) informou que, nos últimos cinco anos, foram registrados  oito assassinatos de policiais civis.

Mas, de acordo com o delegado titular da  Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS),  Ivo Martins, na especializada só há um inquérito instaurado para investigar a morte de policiais civis. No caso, é o Inquérito Policial (IP) 163/2014, cuja vítima é o delegado de Polícia Civil Oscar Cardoso. O inquérito tem seis suspeitos indiciados e cinco presos, estando foragido apenas João Pinto Carioca, o “João Branco”, suspeito de ser o mandante do crime.

Ousadia

Segundo o vice-presidente do Sinpol, Ordiley Araújo, o sindicato tem cobrado atuações integradas das delegacias especializadas e equipamentos, treinamento e investimentos em Inteligência para impedir o avanço da criminalidade. “Isto nos leva a crer na ousadia dos criminosos que não respeitam mais a polícia É preciso que haja ações concretas para frear essa criminalidade”, afirmou Ordiley.

Ainda de acordo como Ordiley, dos oitos crimes contra policiais civis, todos os autores foram identificados e presos, mas falta uma modernização do sistema de identificação criminal. “A PC deveria ser  conectada a um banco de dados nacional para possibilitar a identificação dos criminosos e seu ‘modus operandi’”, afirmou.

Cruzes fincadas na areia

A Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam) promoveu, na manhã do último domingo,  na Praia da Ponta Negra,  Zona Oeste, uma homenagem aos 22 policiais e bombeiros militares mortos durante o trabalho, ou dias de folga, entre 2013 e janeiro de 2015. Durante a homenagem, 22 cruzes foram fincadas na areia da praia representando   cada  policial morto. O ato, de acordo com o presidente da Apeam, Gerson Feitosa, também serviu de alerta para que a sociedade e autoridades percebam a fragilidade a que os profissionais da segurança pública estão expostos diariamente.

Dados não incluem acidentes, diz SSP

A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP) justificou a discrepância entre os dados oficiais de mortes de policiais e os números divulgados pela associações de classe alegando que, na estatística do órgão, não são consideradas mortes acidentais em dias de folga.

De acordo com a secretaria, essas situações foram incluídas no levantamento realizado pela  Associação dos Praças do  Estado do Amazonas (Apeam) e pelo  Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Estado do Amazonas (Sinpol) e “puxaram” os dados para cima. Os dados corretos, segundo a SSP, apontam 11 mortes de policiais militares e uma de policial civil sob investigação.

A Apeam rebate as afirmações com uma lista, em que detalha as datas e locais das mortes e o nome das vítimas, tanto das que estavam de serviço quanto as que estavam de folga.

O Sinpol afirma ter preocupação com as mortes, que têm custado a vida de militares diariamente. O sindicato informou que “espera que a sociedade, os políticos e o judiciário reconheçam a importância da atividade e que trate os crimes com mais severidade os crimes praticados contra policiais”.

Saiba mais

 Mortes

De acordo com a Apeam, dos 22 policiais e bombeiros militares mortos em serviço, três ocorreram no ano de 2013 e outras sete mortes aconteceram no ano passado.

 Suicídio

Entre os casos está o do coronel Fernando Lobão, que foi encontrado morto dentro das instalações do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), em março.

 Execução

Outra ocorrência envolveu  o soldado Antonio Amaral Viana (da 28ª Cicom), morto no dia 18 de abril.

 Latrocínio

No dia 2 de setembro, José Cláudio Marques da Silva, o “sargento Caju” foi executado quando acompanhava a esposa do então candidato ao Governo Chico Preto.

 Capotamento

O soldado Adeilson Bezerra morreu após a viatura em que ele estava capotar, no dia 6 de outubro, na estrada de Autazes (a 113 km de Manaus).

 Naufrágio

O soldado Carlos Rodrigues morreu dia 9 de abril, após o naufrágio de uma lancha no rio Maués-Açu.

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