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‘Nunca gostei dele’, conta mãe de jovem esquartejada sobre namorado da vítima

Namorado, que no início da investigação disse não saber de nada, confessou que assistiu ao crime e forneceu a faca para cortar pedaços de Ana Carolina 19/11/2015 às 21:40
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Franklin foi preso e contou detalhes do crime, mas negou ter ajudado a matar Ana. ‘Só limpei o sangue e carreguei o corpo’
Fábio Oliveira Manaus (AM)

Detalhes do esquartejamento de Ana Carolina Nascimento dos Santos, 18, foram revelados, na manhã de quinta-feira (19), na sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Um dos acusados do crime brutal é o  namorado dela, Franklin da Silva Conceição, 20, que assistiu a tudo sem ajudar a namorada e ainda forneceu uma das três facas usadas para esquartejá-la. Ele foi preso na Compensa.

Ela foi assassinada por se negar a manter relações sexuais com um traficante conhecido como “Loirinho”, de 17 anos, e com outras seis pessoas que estavam na residência, incluindo Franklin. Cinco pessoas estão foragidas.

De acordo com o delegado Ivo Martins, titular da DEHS, todos estavam em uma estância,  no bairro Novo Aleixo, Zona Norte, junto com a vítima. Ela teria sido convidada por “Loirinho”. Segundo Martins, todos passaram a noite consumindo drogas e bebida alcoólica. Durante a festa, “Loirinho”, que é filho do traficante Marco Antônio Capucho, preso no regime fechado no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), pediu a Ana para que  transasse com ele. Ela se negou, dizendo que “só fazia com o namorado”.

A negativa irritou o adolescente, revelou o delegado, que iniciou uma discussão. “Ele gritou: - Como é que é? Você está usando a minha droga e a minha bebida. Eles discutiram e Ana deu um tapa no rosto de Loirinho, que ficou furioso”, relatou o delegado.

Em depoimento, Franklin relatou que Loirinho disse: “Tá pensando que eu sou comédia? Eu sou é bandido e você vai pagar por isso”. Conforme o delegado, depois do tapa, Loirinho pegou uma faca e deu um golpe no pescoço de Ana, que caiu, pedindo ajuda do namorado. Franklin, no entanto, não a socorreu.

Depois do primeiro golpe, um homem identificado como Genesis da Silva Lopes, vulgo “Capataz”, pegou a faca e desferiu outras facadas no corpo e pescoço da vítima. Segundo Martins, todas as sete pessoas que estavam dentro da estância participaram do crime, dando estocadas no corpo da vítima, mas Franklin nega, alegando que apenas “limpou o sangue e ajudou a carregar o corpo”.

Se livrando do corpo

Ainda conforme o depoimento do namorado, o plano do grupo era se livrar do corpo, jogando em um ramal pela cidade. Dois homens - um deles identificado como Rodrigo de Castro Sá, que está foragido -, saíram com intuito de roubar um veículo. Eles roubaram um táxi e, quando estavam voltando à estância, foram abordados por policiais militares, mas conseguiram fugir. A dupla continua desaparecida. Com o plano falho, “Loirinho” decidiu esquartejar o corpo e jogá-lo no igarapé do Novo Aleixo.

Paixão registrada na própria pele

Ana Carolina gostava tanto de Franklin que tinha até uma tatuagem com o nome dele na região abdominal. Franklin morava a cinco casas depois da de Ana. Ele foi preso em via pública no bairro Compensa 3, Zona Oeste. Conforme a família, ele dormiu com Ana no sábado e ainda tomou café com ela, no domingo pela manhã. O crime ocorreu domingo à noite.

Corpo foi encontrado ‘aos pedaços’

Ana Carolina foi considerada desaparecida após sair de casa, no bairro Novo Aleixo, na noite de 1º de novembro, e não retornar. O namorado dela chegou a ser interrogado pela polícia, mas disse que não sabia de nada. No dia seguinte, os familiares receberam uma ligação anônima informando que a moça tinha sido sequestrada, esquartejada e que o corpo havia sido jogado no igarapé do Novo Aleixo.

A partir daí, as buscas foram iniciadas pelo Corpo de Bombeiros. Eles encontraram uma calcinha, camisa, fios de cabelo e sangue da vítima na beira do igarapé do Novo Aleixo, mas nada do corpo. Só no dia 4 é que o tronco da jovem foi achado, boiando na orla do São Raimundo, sem a cabeça, braços nem pernas, e com 15 perfurações de faca.

No dia 5 de novembro, policiais encontraram partes dos membros. No dia 8, um braço foi achado boiando na orla e a família reconheceu como sendo de Ana Carolina devido a uma tatuagem.

Na sexta-feira, a polícia encontrou o local onde a vítima foi brutalmente assassinada, uma estância localizada a 200 metros da residência de Ana Carolina, no Novo Aleixo. Segundo investigadores da DEHS, os donos da estância não haviam informado a polícia sobre o crime por medo de represálias. A perícia usou um produto chamado “Luminol” para fazer a perícia do local e os moradores da estância prestaram depoimento.

‘Nunca gostei dele’, diz mãe

A mãe de Ana Carolina, Paula Nascimento Santos, 44, contou à reportagem que jamais gostou de Franklin. A família dela ainda disse que a mãe do acusado chegou a dizer que o filho era inocente. “Sinto muito pela mãe dessas pessoas que fizeram isso com minha filha. Eu ainda não consegui velar a minha filha porque o corpo está aos pedaços no IML. Eu só quero justiça”, lamentou.

Segundo Paula, Ana era a segunda filha mais nova da família e tinha três filhos, entre eles uma bebê de quatro meses.

Durante a coletiva de imprensa, Franklin não demonstrou arrependimento, mas negou participação no crime. Ele afirmou que não teve culpa na morte da namorada. Investigadores da DEHS informaram que Franklin seria transferido na tarde de ontem para a cadeia pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no Centro. Segundo uma fonte da Polícia Civil, o acusado estava com uma bíblia debaixo do braço.

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