Domingo, 21 de Abril de 2019
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‘O Amazonino vai ser o conselheiro mor da gente’, afirma presidente nacional do PDT

Presidente Nacional do PDT veio a Manaus, a um ano e meio das eleições de 2016 para tentar conciliar os dirigentes locais da sigla e iniciar conversas com futuros aliados para a disputa do ano que vem


04/04/2015 às 15:17

Em passagem por Manaus essa semana, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, teve uma dupla missão. A primeira foi tentar amenizar a disputa pelo comando da direção estadual do partido, protagonizada pelo atual presidente  Stones Machado e pelo deputado Dermilson Chagas. Em entrevista para A CRÍTICA, Carlos Lupi diz que conseguiu pacificar a situação.

O outro desafio de Lupi em Manaus: tentar convergir os quadros existentes no partido com outros nomes sondados para uma candidatura própria para Prefeitura de Manaus. Apesar de candidatura própria ser um discurso comum de todos os partidos no início do processo eleitoral, o PDT no Amazonas conta com dois nomes de peso para disputa de 2016: Amazonino Mendes, o mais ilustre filiado, e Marcelo Ramos, o ex-deputado que está de saída do PSB e busca abrigo na legenda trabalhista.

O problema é que Amazonino e Ramos são forças políticas antagônicas no Estado. Já essa definição de qual dos dois será candidato pelo partido, Carlos Lupi e  a direção estadual do PDT ainda não têm. Independentemente do nome que poderá concorrer, o presidente nacional garante que a sigla não abre mão da cabeça de chapa. 

Na entrevista, o ex-ministro do Trabalho comenta as recentes ondas de protestos contra a presidente Dilma Rousseff. Fala também sobre o posicionamento do partido em meio às medidas impopulares do governo e sobre o futuro da relação da legenda como base aliada. Confira.

O senhor veio a Manaus ajudar a planejar o futuro do partido e chega em meio a uma disputa pelo comando da sigla. Conseguiu apagar o 'incêndio'?

Não é bem apagar um incêndio porque não há fogo. O que existe são algumas incompreensões que eu estou tentando conciliar. Sou amigo pessoal do Stones, sou amigo pessoal do Dermilson, são meus companheiros e o que eu estou apelando a eles é que sigam o ditado da letra "D", de democrático do nosso partido, e que convivam. Um é secretário-geral, o outro é presidente do partido. Podemos revezar, inverter. O que tem que ter é entrosamento para o bem do partido e da sociedade. Eu acho que eles estão entendendo bem isso. Tenho certeza que saio daqui com o partido unido e querendo ser grande.

Então, é essa a impressão que o senhor leva depois da conversa com os dois?

Sim. Vai haver o entendimento. Eu sou um otimista nato. Acredito sempre que a gente deve ter fé e esperança sempre. Acredito no nosso semelhante. Os dois são bons companheiros, que têm lealdade com o partido e eu tenho certeza que os dois vão ajudar a gente a construir essa unidade partidária. Fiquei convencido de que o partido tem que estar unido. Essa divisão é ruim para o partido. A gente tem que entender que o partido é maior que isso.

Em meio a essa disputa interna, como o senhor enxerga o partido para a eleição de 2016, com os quadros que têm e com os nomes que estão sendo sondados?

A gente está fazendo uma reestruturação. Por isso mesmo que eu estou apelando aos dois para o entendimento. Essa reestruturação tem um princípio básico já definido pela executiva nacional  que é do partido ter candidatura própria. O partido existe para ter candidato. Pode até, amanhã, num avanço de negociações, compor uma chapa de vice, mas isso não pode ser prioridade. A prioridade é ter candidatura. E é nesse sentido que eu vim ao Amazonas conversar.  Nós vamos tentar organizar nos 62 municípios para o maior número de candidatos a prefeitos, principalmente em Manaus. A capital do Amazonas precisa de uma força política que represente a corrente de pensamento do partido, que tenha uma história profunda com essa cidade.

O ex-deputado Marcelo Ramos fez parte dessas conversas?

Conversei com ele, sim. Tomamos café da manhã. Foi uma excelente conversa. Ele está construindo um processo de aliança para ser candidato e o diálogo está aberto.

Como ficaria o ex-governador Amazonino Mendes nesse contexto?

O Amazonino vai ser o conselheiro mor da gente. Tudo aqui em Manaus, no Amazonas, a gente conversa com ele, há um diálogo permanente e ele acha só que é cedo para decidir se será candidato e a gente vai esperar o tempo para a decisão estar madura.

Mas há espaço para Marcelo e Amazonino juntos no partido?

Amigo, só há impasse quando a gente não acredita no que está fazendo. Eu tenho muita esperança que o partido estará unido e vai ter grandes chances de conquistar prefeituras importantes no Estado.

Existe alguma conversa com o ex-deputado petista Francisco Praciano para o ingresso dele no PDT?

Me dou bem com ele, mas não conversei com ele não. E, na verdade, não sei nem se ele está querendo vir para o partido.

O senhor teve encontro com lideranças do PPS?

Não. Eles estiveram lá na reunião, mas não teve nenhuma conversa particular.

E com o prefeito Artur Neto, o senhor conversou?

Sim. Almocei com ele. Eu e um grupo. Um almoço de confraternização. Ele é um amigo que tenho há mais de 25 anos. Estive também com o governador José Melo, fazendo um visita no governo junto com o deputado Dermilson. Acho que o diálogo é um avanço da política. Nunca sabemos o dia de amanhã. Então, é bom manter o diálogo com todos os segmentos.

E há alguma aproximação  com outros partidos aqui no sentido de formar aliança para as próximas eleições?

Ainda está muito cedo, muito no começo do processo. Vamos amadurecer as conversas para ver coligações e candidatos.

Falando do cenário político nacional, qual sua avaliação dos movimentos populares das últimas semanas contra o governo da presidente Dilma Rousseff?

Todo movimento popular, de rua, no processo democrático, tem que ser respeitado. Podemos ter divergência, mas temos que respeitar, saber ouvir e aprender com isso. É claro que a gente sabe que no meio disso há radicalismos, que há 'aparelhismos', de um lado e de outro. Mas temos de ter a capacidade de respeitar e defender o sistema democrático. A presidente Dilma foi eleita. Quem gostou ou não tem que entender que ela foi escolhida democraticamente. Os erros e acertos possíveis fazem parte da crítica do protesto, mas não podem impedir essa conquista do povo brasileiro que é a democracia, as eleições. Eu digo sempre que de dois em dois anos a população tem que mudar através do voto. Eu não encontro outro mecanismo na sociedade que possa valer mais que a voz do povo, do que a democracia, do que o voto. É a gente respeitar cada um, o direito das maiorias e das minorias.

O senhor tem falado com a presidente nas últimas semanas?

Tenho falado. Acho que ela está tranquila, consciente do momento difícil que está enfrentado e está trabalhando para superar as adversidades.

O partido é contra as medidas de arrocho contra os trabalhadores, mas permanece na base de sustentação política do governo federal. Como estão administrando essa contradição?

Toda questão de apoio nossa tem um limite. O trabalhismo existe sobre duas pernas que o fazem andar, que é o projeto de nação, cuja prioridade absoluta é a educação de tempo integral, e o trabalhador, que é quem constrói a nação. Tudo o que significar em diminuição de direitos, perdas de vantagem para o trabalhador, o PDT estará ao lado do trabalhador. Isso o governo sabe, foi falado lá em 2007, quando assumimos pela primeira vez o Ministério do Trabalho. A gente quer manter a coerência com os princípios e as causas que o partido defende desde  a sua existência.

Existe a possibilidade do PDT romper com a base?

Eu não sei. Vamos ver como evolui esse processo, vamos ver como serão as votações na Câmara dos Deputados, que tipo de negociação o governo vai fazer. Vai depender muito do desenrolar desse processo.

Como ficou o partido após a dissidência de alguns de seus membros para formar o Solidariedade?

Isso aí, infelizmente, a história do trabalhismo é assim. Quando se cria esses partidos de encomenda, eles são criados sem identidade ideológica, sem nenhum tipo de programa que coloque para a população alguma alternativa e fazem sangrar a gente. Mas, como a gente tem história, a gente tem alguma tranquilidade de recuperar o espaço perdido.

Qual é o tamanho do PDT  hoje no Brasil?

O partido fez 20 deputados federais, seis senadores, dois governadores de Estado. E os dissidentes, juntos, não chegam nem a 20% do que é o PDT, principalmente pela sua história. Se foi, vá com Deus que eu continuo o meu caminho.

Perfil: Carlos Lupi

Idade: 58 anos
Estudos: Administrador
Experiência: Filiou-se ao PDT em 1980. Trabalhou na Prefeitura do Rio de Janeiro entre 1983 e 1987. Em 1990, foi eleito deputado-federal. Assumiu a presidência nacional do PDT em 2004. Tentou se eleger senador pelo Rio de Janeiro  em 2002 e 2010. Em 2006, foi candidato a governador. Foi ministro do Trabalho entre 2007 e 2011.


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