Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
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‘O bem sempre vencerá o crime’, diz secretário de Justiça do AM, Louismar Bonates, em entrevista

Titular da Sejus, coronel Louismar Bonates, destaca as ações para a ressocialização dos detentos por meio da educação e os novos investimentos que serão feitos na infraestrutura do sistema penitenciário no AM



1.gif Coronel Louismar Bonates destaca as ações para a ressocialização dos detentos por meio da educação e novos investimentos
19/02/2015 às 11:20

Com 37 anos de experiência policial e de convívio com o sistema prisional, o secretário de Justiça e Cidadania (Sejus), coronel Louismar Bonates, vem ao longo dos últimos meses conseguindo manter a paz e ordem nos presídios. Em entrevista ao A CRÍTICA, Bonates revela a atual situação do sistema penitenciário e da sintonia com a nova cúpula da segurança no Estado.

A educação dos presos é outro ponto “chave” exposto por Bonates para a ressocialização dos presos.



Qual a situação do sistema prisional do Estado?

Hoje, o Brasil está com a terceira maior população carcerária do mundo, superando a Rússia com mais de 716 mil presos.

Se observarmos o cenário nacional e mundial, podemos considerar que o Sistema Prisional do Amazonas está em posição acima da média. O nosso Estado tem hoje 10.008 presos em todo o sistema. Desses, 6.172 estão na capital. Hoje a nossa população carcerária é de 52% provisórios e 48% de condenados.

Quais investimentos foram realizados pelo governo para melhorar o serviço nos presídios?

Tivemos duas principais obras em 2014: a construção do Centro de Detenção Provisória Feminino e o Semiaberto Feminino. O Centro de Detenção Provisória Feminino é investimento do Governo Federal e do Governo Estadual, o custo total da obra foi de R$ 9.784.287,10. Já a Unidade do Semiaberto Feminino custou R$ 439.614,91, investimento, exclusivamente, do Governo do Estado do Amazonas.

Que tipo de ações de ressocialização são implementadas no sistema? E quais as que têm mais sucesso?

São realizadas várias Ações Sociais, como retirada de documentos e encaminhamento de familiares para programas sociais, como cursos profissionalizantes para Auxiliar Administrativo; Porteiro; Faxineiro e outros. Também são realizadas oficinas de Artesanato. Mas os cursos profissionalizantes e os encaminhamentos para empregos são os que mais se destacam no trabalho de ressocialização.

O sistema ideal precisaria ter quantos presídios?

Hoje temos um déficit de 4.350 vagas em todo o Estado do Amazonas, 3.200 só na capital. Mas acredito que além da ampliação de vagas, seria importante também, a ampliação do suporte para análise de processos penais, pois hoje 63% da nossa população carcerária são de presos provisórios.

Os recursos Federais são suficientes para ajudar a manter o sistema ou deveria ser maior? Quanto é destinado ao Estado e quanto seria o ideal?

A união somente repassa recursos para a construção de Unidades Prisionais e ainda assim de forma reduzida frente a grande necessidade do Estado. Estamos solicitando recursos para a construção de 10 Unidades de Grande Porte, a fim de implantarmos Polos Prisionais nas diversas calhas dos rios.

Como o senhor conseguiu manter a paz nos presídios?

Essas pessoas encarceradas perderam apenas o direito de ir e vir. Procuramos atender seus direitos como educação, saúde e isto não quer dizer promiscuidade e sim tratá-los com dignidade. Estão ali porque não cumpriram com as regras impostas pela sociedade e devem receber disciplina social, serem ressocializados e com condições de retornarem ao convívio público de maneira melhor.

Estamos perdendo a guerra contra o crime organizado?

O Estado não perde nunca a guerra contra crime algum. Essas pessoas sempre encontram alguma forma de cometer delitos e o Estado está efetivamente de maneira maior e mais forte, buscando neutralizá-los e puni-los. O bem sempre vencerá o mal.

O que o senhor espera da nova cúpula da Segurança Pública, na pessoa do delegado federal Sérgio Fontes, do delegado geral Orlando Amaral e do comandante da PM coronel Gouveia? Serão parceiros da Sejus?

O Governador fez uma feliz escolha para a cúpula da Segurança Pública. Policiais dedicados, competentes e comprometidos com a coisa pública. Temos a certeza que haverá total sintonia e integração das ações. Eles têm fama de linha dura. O senhor não teme que a ação deles nas ruas reflita dentro dos presídios?Certamente refletirá. Haverá aumento da população carcerária, mas as ações serão sempre integradas. O sistema prisional não pode e não influenciará de forma alguma negativamente, na política de segurança pública de nosso Estado.

A ressocialização do detento é possível?

Hoje, a pessoa privada de liberdade não é obrigada a participar de ações sociais, isso dificulta na reintegração, é importante que haja mudanças na Lei de Execuções Penais, para que seja não só direito, mas uma obrigação do interno de se capacitar e trabalhar, assim ele terá mais compromisso em se reintegrar à sociedade.


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