Terça-feira, 21 de Maio de 2019
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'O CPRM precisa de mais pessoal', diz superintendente em entrevista

Marco Antônio de Oliveira diz que o Amazonas precisa de empresa que beneficiem a matéria-prima mineral, além de aumentar o quadro de geólogos



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Marco Oliveira é superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) no Amazonas
18/01/2013 às 11:15

Com uma ‘armadura’ frágil, o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) vive sob alerta. Para não depender de uma “canetada” do Governo Federal, de leis que sustentem suas vantagens comparativas, uma alternativa viável seria investir na exploração de recursos minerais. Se o Polo contasse com indústrias de beneficiamento de minérios – muitos dos quais em abundância no Estado –, o processo industrial seria verticalizado, garantindo mais empregos no Estado. É o que diz o superintendente do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) no Amazonas, Marco Oliveira, em entrevista ao A CRÍTICA.

Qual o balanço de 2012? O que vocês conseguiram desenvolver?

O primeiro deles foi o mapeamento das áreas de risco, em convênio com a Prefeitura de Manaus, que foi concluído agora em dezembro de 2012. Este trabalho identificou e mapeou todas as áreas de risco na capital, como escorregamentos de terra, alagamentos, e riscos da enchente do Rio Negro. A CPRM se comprometeu, junto ao Ministério da Integração Nacional (MI) e ao Ministério de Ciência  e Tecnologia e Inovação (MCTI), na prevenção dos desastres naturais, mapeando 300 municípios em todo o Brasil. No Amazonas, foram 15 nos últimos três anos.

Além deste projeto, existem outros sob análise?

Os outros se referem a área de recursos minerais, outro viés da CPRM. O setor de mineração envolve risco alto, e a CPRM atua justamente para minimizá-los. Desde 2006, estamos com três projetos de mapeamento no Sul do Estado, com folhas geológicas na escala de 1 por 250 mil. Aqui na região de Balbina, em Presidente Figueiredo, estamos mapeando seis folhas na escala de 1 para 100 mil, onde há principalmente cassiterita, bauxita, caulim. Além disso, também no Sul do Estado, há avaliação de ouro no garimpo do Juma, que fica ali no Novo Aripuanã. Mas em 2012 não concluímos nada, temos relatórios parciais, que indicam teores bons de minério.

Se têm esses indicativos, as empresas podem começar a investir?

Sim. Tem várias empresas que nos procuraram, principalmente indústrias de cimento. Temos umas duas empresas atrás de argila calcinada, calcário, para fabricar cimento aqui em Manaus. Hoje só contamos com a Nassau. Então uma empresa quer abrir em Iranduba e outra em Manaus. Por sinal, um projeto que pretendemos desenvolver até 2014 na Região Metropolitana de Manaus (RMM) é para melhorar um pouco o conhecimento dos minérios gerados nela, especialmente argila, que vai para indústria de cimento, o próprio caulim, seixo e pedra britada. Identificar onde estão essas ocorrências, as áreas que podem ser favoráveis a ter novas, entre outros pontos.

E como faz para ter a concessão desses terrenos em potencial?

Nós trabalhamos vinculados ao Ministério de Minas e Energia, com levantamento do conhecimento geológico. O nosso órgão irmão é o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que é o gestor do subsolo brasileiro. Se eu for empresário e quero desenvolver uma atividade mineral, tenho que ir ao DNPM solicitar um requerimento de pesquisa, porque o subsolo é da União.

A CPRM conta com um quadro pessoal suficiente para atender estas pesquisas?

Somos ao todo 82 funcionários no Amazonas, sendo 28 geólogos. De certa forma é pouco pelo tamanho do território. Há uma previsão de que o edital do concurso para CPRM saia em março e aumente o efetivo em torno de 300 funcionários no País. Aqui, estamos pleiteando 20 geólogos a mais. Número que, no início, seria suficiente para atender a demanda. Hoje existem muitos projetos que estão na carteira, mas que a gente não consegue colocar em execução porque não tem gente suficiente. Há pessoas que trabalham com dois a três projetos. Então é uma carga grande. Com um efetivo maior, teríamos possibilidade de desenvolver novos projetos.

O setor industrial é quem movimenta a economia do Estado, mas vive sob alerta. Investimentos na exploração de recursos minerais seriam uma alternativa econômica para o Estado?

Sem dúvida. Exemplo disso é uma fábrica de tintas no Distrito, setor que mais consome minerais. O empresário produz tinta aqui porque o mercado é grande, mas todos os insumos vem de fora. Visitamos a empresa dele e 70% do que ele gasta é com óleo diesel para trazer caulim e calcário do Pará. Se houvesse beneficiamento aqui – onde existe um grande reservatório de caulim –, reduziria este custo e poderia até exportar. Aqui falta um setor de intermediação, de transformação do bem mineral. Outro exemplo é a tantalita, mineral metálico usado nos capacitores dos celulares. Ele sai de Manaus para ser beneficiado em São Paulo e ainda vai para Alemanha para retornar como componente às indústrias do Polo. Beneficiado no Amazonas, ampliaria e muito o segmento industrial, que não dependeria apenas de uma canetada do Governo Federal, de uma lei, para manter a Zona Franca funcionando. Teria sustentabilidade.


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