Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
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'O Delcídio Amaral é o Pedro Collor da Dilma', diz Pauderney Avelino em entrevista

Líder do Democratas na Câmara, o deputado federal Pauderney Avelino avalia a situação complicada da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula, que se tornou alvo na nova fase da Operação Lava Jato



1.jpg Pauderney Avelino
06/03/2016 às 14:52

A partir das supostas declarações do ex-líder do governo no Senador, Delcídio Amaral (PT-MS), que acusa Dilma Rousseff de ter usado seu poder para evitar a punição de envolvidos na operação Lava Jato, nomeando para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) um ministro que se comprometeu a votar pela soltura de empreiteiros denunciados, os partidos de oposição decidiram fazer um aditamento ao pedido de impeachment da presidente, que está suspenso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Para o líder do Democratas (DEM), deputado Pauderney Avelino (AM), diante das revelações feitas pelo senador petista, o impeachment da presidente é inevitável. “O governo acabou!”, afirmou. Nesta entrevista concedida ao jornal A CRÍTICA, Pauderney explica as estratégias para tirar Dilma do poder e fala do comitê suprapartidário para dar prosseguimento ao “Impeachment Já”. Diz ainda que o DEM e os demais partidos de oposição retiraram o apoio político que era dado ao deputado Eduardo Cunha, que virou réu no Supremo, e defende a saída dele da presidência da Câmara dos Deputados. No âmbito local, Pauderney Avelino analisa a situação das indústrias da Zona Franca de Manaus a partir da crise econômica brasileira, esquiva-se sobre o apoio do DEM nas eleições municipais deste ano e ratifica o desejo de ser candidato a uma das vagas ao Senado em 2018.

Embora o senador do PT tenha negado as declarações publicadas pela revista IstoÉ, em que medida a suposta delação de Delcídio Amaral agrava a crise política?      

 A gravidade das denúncias feitas pelo senador Delcídio Amaral dão ao País uma grande oportunidade de se livrar de um “desgoverno” que envergonha todos os brasileiros. A delação coloca a crise e a Lava Jato no colo da presidente Dilma Rousseff, além de abraçar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sempre se presumiu que Delcídio não agia sozinho. Agora temos a comprovação disso. As informações dele, acusando a presidente Dilma de interferir três vezes na Lava Jato, de nomear um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para votar a favor da soltura de empresários denunciados e presos pela Justiça, lembram o caso de Pedro Collor que, em 1992, denunciou o esquema de corrupção no governo de seu irmão, o então presidente e hoje senador Fernando Collor. O senador Delcídio é o Pedro Collor de Dilma. Com esses fatos novos, não somente a oposição ganha forma, mas também o processo do impeachment que levará mais pessoas às ruas no próximo domingo, 13 de março.

 Um dos apoiadores do impeachment é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que acaba de se tornar réu em processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Como a oposição vai lidar com esse fato?

Além de se tornar réu no STF, o Conselho de Ética da Câmara também aprovou parecer para dar prosseguimento ao pedido de cassação do presidente Eduardo Cunha. Falta a análise de mérito que deverá ser decidido no plenário da Casa. É sem dúvida um complicador, mas, independentemente de o presidente estar envolvido nessa situação, temos que continuar o processo do impeachment. Pedir ao Supremo que reveja a decisão, a qual suspendeu todo o rito aprovado, para podermos continuar o processo com quem estiver no poder. Com relação à cassação de Cunha, o DEM tem uma posição certa, definida: já retiramos o apoio ao presidente da Câmara e vamos aguardar a decisão do Conselho de Ética. E agora, mais do que nunca manter o foco no impeachment.

Quando o senhor assumiu a liderança do Democratas, uma das bandeiras foi  justamente intensificar o movimento do impeachment da presidente Dilma. Como está essa movimentação?

Na minha posse, deixei claro que não tenho pessoalmente nada contra quem quer que seja. Minha cruzada é patriótica, pelo amor ao meu país porque o PT e o governo que está aí, incluindo a presidente, estão fazendo com o Brasil o que nunca ninguém fez; estão maltratando a nação, desorganizando as nossas instituições. A produção industrial está quebrada, os trabalhadores perdendo seus empregos, são quase 3 milhões de pessoas desocupadas. Estamos nessa cruzada para resgatar o Brasil e trazê-lo de volta aos brasileiros, reequilibrar a economia e colocar o país de novo no eixo do desenvolvimento. E para isso, é preciso, é urgente tirar o PT do poder. Criamos o comitê com a participação de vários partidos, entidades, empresários, trabalhadores e jovens dos movimentos de rua que estão indignados com tanta corrupção e desmandos.

 A oposição não vislumbra qualquer saída negociada com o governo para a crise (política e econômica), uma espécie de concertación nacional?

No nosso entendimento, não haverá normalidade política ou econômica se o PT continuar no poder. Precisamos, sim, ter de volta a confiança no governo, o governo precisa ter de volta sua credibilidade e, nessas condições, nenhum desses dois elementos cruciais para o retorno da normalidade ocorrerá com o atual governo da presidente Dilma. Digo isto porque as políticas equivocadas adotadas pelo PT nos últimos anos destruíram o país e que não haverá retomada do crescimento se Dilma Rousseff continuar no governo. Com Dilma, não há perspectiva. A queda de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015, maior recessão desde 1990, por exemplo, vai na contramão dos resultados apresentados por outros países, que cresceram entre 2,5% e 3% no ano passado. Na América Latina, a queda de 3,8% do Brasil só não é pior que a da Venezuela. E não adianta o PT jogar a culpa no mercado externo. O consumo do governo recuou somente 1% mesmo num ano difícil como foi o de 2015, e os investimentos caíram 14,1% no ano passado. A taxa de investimento fechou o ano em 18,2% do PIB, muito abaixo de outros países como China, que investe 40% do PIB, e Índia, com 32%. A solução para a crise enfrentada pelo país é um ajuste fiscal sério, o que dificilmente será feito por Dilma, visto que seu governo não tem rumo.

 Nesse cenário econômico preocupante, como fica a Zona Franca de Manaus?

No último dia 27 de fevereiro, a Zona Franca de Manaus fez 49 anos de existência. Eu gostaria muito de dar os parabéns à Suframa, mas infelizmente nós não temos o que comemorar. Temos uma situação preocupante que é a drástica redução da atividade industrial do nosso polo, o motor da economia do Amazonas. De acordo com o IBGE, em 2015, a produção industrial no Polo Industrial de Manaus caiu 16,8%, a maior queda já registrada. O setor de informática, que produz principalmente smartphones, teve retração de 40% da produção; o polo de duas rodas, a produção de motocicletas chegou ao nível de 2008. Realmente, é uma situação muito preocupante a que está ocorrendo com o nosso polo industrial. E quando o distrito vai mal, a indústria vai mal, todo resto acompanha: a atividade comercial, os empregos têm drástica redução assim como a arrecadação do estado. Nós poderíamos ter buscado novas frentes para o desenvolvimento do nosso Estado e da nossa região, mas infelizmente o governo federal cerceia essas iniciativas paralisando ou emperrando os Processos Produtivos Básicos (PPBs), evitando assim o crescimento da Zona Franca de Manaus.

 Eleições 2016. O DEM vai apoiar a reeleição do prefeito Arthur Neto (PSDB) ou vai de candidatura própria?

(Risos). Estamos em março ainda em pleno processo de discussão do impeachment da presidente Dilma, o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, além das denúncias contra o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL). As convenções somente ocorrerão em agosto, então, há muito tempo para pensar nas eleições municipais.

 E em 2018, o senhor vai mesmo disputar novamente uma vaga ao Senado?

 Se estou dizendo que as eleições de 2016 estão longe, imagine a de 2018 (risos). Vamos dar tempo ao tempo. É claro que há um desejo, pois, fui candidato ao Senado em 2006, quase cheguei lá, mas infelizmente não logrei êxito. Quem sabe se eu reunir as condições políticas, formar um arco de alianças e ter o povo ao meu lado.

Qual sua avaliação sobre os acontecimentos da última sexta-feira, quando o ex-presidente Lula foi conduzido de forma coercitiva pela Polícia Federal?

O que nós vimos na última sexta-feira (4)  não é motivo para comemorar a condução coercitiva do ex-presidente da República, mas devemos, sim, nos congratular com as instituições que estão funcionando no Brasil. A condução coercitiva do ex-presidente Lula não é uma obra da oposição. Ela foi solicitada pelo Ministério Público ainda no mês de fevereiro, portanto, não é retaliação da Polícia Federal contra a troca de ministros na pasta da Justiça. Nós, da oposição, entendemos que o Estado Democrático de Direito tem que continuar funcionando no nosso País, mesmo que seja um ex-presidente da República. Lamentamos profundamente que um ex-presidente esteja nessa situação, mas as instituições têm que funcionar porque nem ele está acima da lei.

Perfil Pauderney Avelino
Idade: 61
Naturalidade: Eirunepé – AM
Formação: Engenharia Civil (1979) e Direito (1981) pela Ufam
Profissões: Engenheiro Civil, empresário e professor.
Mandatos:  Deputado Federal por seis mandatos (1991-1995/1995-1999/1999-2003/2003-2007/2011-2015/2015-2019) pelos partidos PDC, PPR, PPB, PFL e DEM.
Cargos: Foi diretor da Federação e do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam e Cieam) e secretário municipal de Educação da Prefeitura de Manaus em 2013.Vice-líder de todos os partidos que foi filiado; vice-líder e líder da Minoria no Congresso Nacional e, desde fevereiro de 2016, é líder do Democratas na Câmara dos Deputados.

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