Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
LITORAL CONTAMINADO

'O pior ainda está por vir', afirma Bolsonaro sobre vazamento de petróleo

De acordo com o presidente é possível esperar 'uma catástrofe muito maior que está por ocorrer por causa deste vazamento'



jair_bolsonaro_30E26059-54E3-4D57-A230-8A050E47690E.jpg Foto: Allan Stell / AFP
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04/11/2019 às 08:30

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou que o "pior ainda está por vir" a respeito do vazamento de petróleo que em mais de três meses afetou 200 praias do litoral do Nordeste.

"O que chegou até agora e o que foi recolhido é uma pequena quantidade do que foi derramado. Então o pior ainda está por vir, não sei se na costa do Brasil, se bem que as correntes, tudo indica, que foram para a costa do Brasil. E como é um petróleo com uma densidade pouco superior à água salgada não vem por cima, vem por baixo, pode ter passado pelo Brasil e retornado para a costa africana", disse Bolsonaro em uma breve entrevista ao canal Record.



As manchas de petróleo começaram a aparecer na Paraíba há mais de três meses e desde então foram observadas nos mais de 2.000 quilômetros que compõem o litoral nordeste, incluindo o arquipélago de Abrolhos.

As autoridades anunciaram na sexta-feira que o principal suspeito pelo vazamento é um cargueiro de bandeira grega que se abasteceu no porto de José, na Venezuela.

Bolsonaro insistiu que "todos os indícios levam para este cargueiro grego" e acrescentou que parece ter sido um "vazamento criminoso". 

De acordo com o presidente é possível esperar "uma catástrofe muito maior que está por ocorrer por causa deste vazamento".

Na área política, Bolsonaro disse que está inclinado a deixar o Partido Social Liberal (PSL), pelo qual foi eleito presidente há um ano e com o qual protagoniza uma disputa interna há algumas semanas.

"Acho muito difícil assumir o comando do partido (PSL), meu sonho é criar um partido", disse. 

O objetivo, afirmou o presidente, é ter o novo partido para participar nas eleições municipais de 2020. 

Também disse que "puxou a orelha" de Eduardo Bolsonaro, um de seus três filhos envolvidos na política, que provocou espanto na quinta-feira ao dizer que "se a esquerda se radicalizar" a resposta poderia ser um novo Ato Institucional número 5 (AI-5), usado pelo regime militar em 1968 para fechar o Congresso e suspender as garantias constitucionais. 

"Meus filhos não me atrapalham. Muito pelo contrário, eles têm me ajudado muito a identificar pessoas que não estão na nossa linha", disse.

Bolsonaro também respondeu a questões sobre a investigação a respeito dos assassinatos da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. 

O presidente negou qualquer obstrução à justiça e insistiu que é vítima de um complô para atingir sua imagem. Ele voltou a atacar a TV Globo e o governador do Rio, Wilson Witzel. 


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