Sábado, 20 de Abril de 2019
publicidade
1.jpg
publicidade
publicidade

Notícias

'O próximo Steve Jobs pode vir da favela, ser pobre e preto', diz jovem empreendedor

Eduardo Lyra, 25, oriundo de uma favela da Grande São Paulo, hoje muda a vida de jovens de baixa renda através de iniciativas sociais


13/04/2015 às 18:21

Os últimos três anos da vida de Eduardo Lyra têm sido uma grande viagem, tanto literal quanto metaforicamente. Desde a publicação de seu livro Jovens Falcões, em 2012, o paulistano de 25 anos está acostumado a palestrar sobre a requalificação da vida de jovens que vivem em áreas de periferia e a tocar o projeto Gerando Falcões, inspirado no livro e startado com o capital conseguido através dele.

Com essas iniciativas, Eduardo foi apontado pelo Fórum Econômico Mundial como um dos 15 jovens brasileiros que podem mudar o mundo e foi incluído na lista da Forbes dos jovens mais influentes do Brasil. Nada mal para quem estava se escondendo de tiroteios durante a infância em uma favela de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.

“Eu vivi a pobreza e a miséria extremas lá e consegui imergir desse cenário, então eu acho que eu posso ajudar o Brasil a pensar saídas pra crise. Eu tenho palestrado muito em empresas, organizações sociais, bancos e coletivos, pensando em como podemos rompê-la, porque se o Brasil aceitá-la, quem sofre mais é o pobre, que acaba sendo despedido, que tá nas periferias, que tá nos pontos mais vulneráveis do país”, explicou.

Ações

A maior parte das atividades do jovem, formado em jornalismo, se concentra no desenvolvimento das ações do Gerando Falcões, projeto que desenvolve atividades culturais junto a alunos de escolas públicas de bairros periféricos de municípios da Grande São Paulo.

“Nós fomentamos o empoderamento do jovem, fortalecemos a autoestima do jovem de várias formas. Uma é através do esporte, com aula de futsal, tênis, skate, natação, tudo atrelado à cultura, então o jovem marca um gol e tem a meta de confeccionar uma poesia, ler x número de livros. Outra são eventos culturais, como o Cultura na Quebrada, em que a gente organiza apresentações teatrais e exibições de filmes e sempre temos casa cheia, e isso num lugar onde nunca houve uma agenda cultural. E temos ainda projetos inspiracionais, como o MCs pela Educação, que é um grupo sociocultural, que atua dentro das escolas e utiliza o rap e o funk pra convidar jovens pra ostentar educação”, detalha Eduardo que explica que o projeto, que segundo ele, já envolveu mais de 300 mil jovens em suas atividades. Ele diz esperar levar o projeto para outras cidades, como Rio de Janeiro e Brasília, em breve.

A conexão com educação e arte é fundamental ao projeto, segundo seu idealizador. “Nasci em favela, tive pai preso, e só consegui virar o jogo da minha vida, montar meu instituto, roteirizar um filme, o ‘Na Quebrada’, escrever meu livro, tudo isso por ter tido acesso, em algum momento da vida, à inspiração. E eu fiquei pensando que as comunidades [de periferia] não têm teatro, não têm cinema, não têm pista de skate, não têm piscina olímpica, não têm nada! Como você quer produzir um pensador nesse ambiente? Como você quer produzir alguém que seja criativo, que tenha uma capacidade de ler o mundo, num espaço em que só tem o vazio e a pobreza? Então, eu comecei a fazer um movimento de levar arte para a escola e de inspirar uma ‘ostentação’ que incentiva o jovem a querer sonhar, a querer ser o nota 10. É como se fosse assim: ‘o meu diploma é o meu cifrão’, saca?”, elaborou o jornalista.

Crise

Eduardo, que aborda soluções para a crise em suas palestras Brasil afora, diz acreditar que as soluções estão ao alcance do país e, mais ainda, do alcance das pessoas. Por ter vindo de uma área carente de políticas estatais de inclusão e desenvolvimento e ter dependido do esforço direto de sua mãe para ter qualidade de vida, ele valoriza muito o psicológico e o esforço pessoal do indivíduo em seu discurso de transformação da realidade. Nesse sentido, ele dá algumas dicas de como alguém pode enfrentar circunstâncias difíceis.

“Primeira, você tem que sobreviver [durante a crise]. Segunda, você não pode ter medo dela. Se eu tivesse medo da favela, eu tinha morrido rápido, porque todo dia era tiroteio, era perseguição policial, então eu tinha que encarar ela de frente. Eu não podia falar #partiumiami. Já pensou se todo mundo fugisse pra Miami? Terceira, você precisa ter a capacidade de sonhar em meio à crise, pois isso é o que credencia um empreendedor, um líder. Quarta, não subestime o quanto é possível realizar na crise. Tudo o que fiz na minha vida inteira foi durante uma crise, então não permita que isso pare você. E por último, tenha a coragem de dizer ‘tamo junto’. Se não ficarmos juntos, vai ser nortista de um lado, sulista de outro, pobre de um lado, rico de outro, branco de um lado, negro de outro, evangélico de um lado, gay de outro. Essas divisões é que nos ferram”, explicou o empreendedor.

Em Manaus, Eduardo falou com cerca de 250 jovens, entre 16 e 18 anos, muitos oriundos de escolas públicas, querendo inspirá-los a serem as figuras de destaque do amanhã. Perguntado sobre o que ele diria a um jovem que busca inspiração, mas que não pôde comparecer ao evento, ele foi sucinto e esperançoso.

“Eu diria que todo mundo dentro de si um mundo e, nesse mundo, a gente pode ser tudo o que quiser. Pode ser o Fernandinho Beira-Mar, pode ser o Marcola, como você pode ser o novo Steve Jobs, porque, considerando tudo, o próximo Steve Jobs pode vir da favela, ser pobre e preto. Você pode ser o que quiser”, finalizou.

publicidade
publicidade
Discussão que terminou com morte de jovem iniciou por bebedeira do companheiro
Jovem é assassinada com facada no coração em Manaus e suspeita é a namorada
publicidade
publicidade
publicidade
publicidade

publicidade
publicidade

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.