Publicidade
Cotidiano
Entrevista

‘O turista que vem para cá não quer ver arranha-céu’, diz presidente da AmazonasTur

Presidente da Amazonastur afirma que vai fazer investimentos sem muito luxo, porém funcionais no turismo do Amazonas. Festival de Parintins é a maior "ferramenta" turística, diz ele 04/02/2018 às 10:20 - Atualizado em 04/02/2018 às 11:52
Show orsine
Presidente da Amazonastur, Orsine Oliveira Junior, fala sobre os desafios do turismo no Amazonas (Foto: Antônio Lima)
Rebeca Mota Manaus (AM)

À frente da Empresa Estadual de Turismo (AmazonasTur) desde outubro do ano passado, Orsine Oliveira Junior defende o mapeamento e o reordenamento do Amazonas para turbinar o turismo local. 

Em entrevista para o A Crítica, ele classificou o turismo amazônico numa nota de 6 a 6,5 e acredita na política pública do turismo. Entre os assuntos abordados estão os investimentos para infraestrutura turística como duty free (tributação diferenciada) e no trade, a pesca esportiva, a capacitação de pessoas, o potencial de roteiros para turismo e outros assuntos. 

Como o senhor avalia o cenário atual do turismo no Amazonas? 

O atual cenário recebeu um grande incentivo e um grande prêmio com a chegada do Amazonino no governo. Foi instaurada uma política pública de turismo que foi retornada no tempo que ele criou a Empresa Amazonense de Turismo (Emantur) e o Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas (FTI). O fundo foi proibido pelo governador para custeio e ele fez inclusive um decreto proibindo esse uso. Essa é melhor notícia que o turismo pode receber já no início dessa gestão, porque se você tem um recurso apropriado para investimentos em infraestrutura turística e ele estava sendo usado para custeio como água, luz, telefone e folha de pagamento, logo ele não estava sendo para turismo. 

E à quanto equivale este recurso?

A arrecadação anual dele gira em torno de R$ 700 milhões. Ele não é só para o turismo, é também para a interiorização e desenvolvimento. Só que recebíamos dele apenas em torno R$ 3 a 4 milhões por ano. Agora, o governador determinou que 10% deste recurso seja aplicado no turismo para atividade fins. Claro que cruza um pouco, se eu for fazer a estrada de Novo Airão isso será Turismo, porque eu estou fazendo conectividade. Então a melhor noticia para o turismo é que existe por parte do governador uma política pública. Existe um dinheiro reservado dentro do orçamento do Estado para podermos fazer política pública de turismo e sem este recurso não tem como. 

Quais foram as primeiras medidas que o senhor tomou à frente da Amazonastur tanto em questão de estratégia como de estrutura?

A primeira medida nossa foi basear o turismo num tripé. Nós identificamos que temos um tripé que pode basear nosso turismo em curto prazo e isso significa que o governador determinou que fizéssemos turismo de eventos.

O segundo evento é o turismo de pesca esportiva, nós vamos ter um grande campeonato internacional. Vamos fazer um ordenamento e mapeamento dessas atividades e vendo qual é realmente o fluxo, nós temos aí grandes novidades na pesca esportiva como a autorização em terras indígenas que foi alcançada no rio Marié que fica no alto rio Negro. Nós temos a pesca do pirarucu de flay, que acontece no Marimauá.  E tudo isso a pesca esportiva traz. 

O terceiro ponto é a ordenação do trade. Quem faz o turismo é o taxista que recebe uma pessoa, é o dono do bar que atende o turista, é a camareira que arruma bem o hotel, então estamos fazendo capacitação com toda essa gama de pessoas e trazendo o trade para nos ajudar e relacionar melhor para que eu saiba o que vai ser feito dentro da política pública de turismo, porque às vezes eu estou  dirigindo o órgão e não sinto na pele o que a pessoa  que está dirigindo o ônibus da city tur sente. 

Como será feita essa ponte?

Nós temos no Estado a Casa do Turismo que fica aqui na Vila Amazonas e estamos reformando ela. Tem Associação Brasileira de Hotéis e de Viagens. Temos o fórum e os encontros. A Casa do Turismo é que representa o trade e ela centraliza  todas as informações e periodicamente  temos a reunião no conselho e na Secretaria de Planejamento, mas essas reuniões estavam vazias não preveniam de  nenhuma informação, aí começamos a levantar estatísticas, a  verificar os terminais flutuantes, ou seja, fazendo um reordenamento e arrumando a Casa do Turismo. O turismo no Amazonas precisa de uma estrutura funcional, o turista que vem para cá não quer ver arranha-céu, ele quer ter acesso as trilhas, a ver pássaros, a tomar banho no rio, a ter acesso ao que nós conhecemos e para nós não é nem mais beleza, mas para eles é um encanto. E é por isso que nosso slogan é: Amazonas, viva essa experiência 

Tem uma previsão de quanto tempo será preciso para organizar tudo isso?

Nessa fase do primeiro trimestre, nós tentamos fazer uma mapeamento e um raio-x e vamos acabar após o Carnaval. De uma nota de 0 a 10 eu acho que nós estamos entre 6 a 6,5.  Manaus é classificada para o Ministério do Turismo como classe A. Nós temos o sétimo Aeroporto mais bem pontuado do Brasil. Nós não estamos tão ruins assim. A nossa rede hoteleira está muito boa, tem algumas coisas ruins como no Hotel Tropical, mas o problema é pontual. 

Mas como chega na nota 10? 

Com o investimento da iniciativa privada e a indução do governo na atividade. Nós vamos fazer lojas duty free e iremos fazer algumas coisas que ficaram para trás no nome do Amazonas, ou seja, muitas pessoas querem vim a Manaus comprar alguma coisa, pois acham que aqui temos o turismo de compra. Eu acredito que já neste primeiro semestre vamos conseguir realizar a loja do Aeroporto. A burocracia é um pouco grande, mas em termos de operacionalização o aeroporto já está com a área definida. A Suframa está envolvida na capitação das empresas do distrito que vão relacionar os produtos e em breve fecharemos a concessão do local, em como vai ser o aluguel. Temos muito que investir no básico como sinalização, infraestrutura rodoviária e acessibilidade. Estamos fazendo uma expedição agora para fazer um mapeamento. Inclusive eu fui a Parintins na Serra da Valéria, estamos enviando para lá um terminal flutuante, vamos fazer uma oficina para lá para que as pessoas criem conscientização turística sobre o festival de Parintins. 

O Amazonas tem o cruzeiro, a pesca esportiva e os festivais. Em sua visão, qual deles tem mais peso? 

A maior ferramenta turística nossa em questão de eventos está no Festival de Parintins. Este evento é reconhecido globalmente e todos sabem um pouco do Caprichoso e Garantido. Depois, eu acredito que a maior ferramenta nossa é a biodiversidade, isto é um atrativo da nossa região. Por conta da Zona Franca e desse modelo econômico nós criamos uma preservação de 95 a 97%. Nós temos uma biodiversidade e uma preservação ambiental estupenda. O povo do nosso Amazonas não conhece o seu turismo. Tem gente que nunca foi ao Encontro das Águas e nem entrou no Teatro Amazonas. Nós vamos fazer um programa endomarketing para que nosso povo conheça mais a nossa região. Estamos na segunda fase do centro de convenções de R$ 85 milhões. Estimamos expandir para que o espaço tenha 28 mil de metros quadrados, hoje tem 7800 m². A expectativa de entrega é para o primeiro trimestre de 2019. 

Como está o mapeamento da pesca esportiva no Estado? 

Está bem adiantado e esse mapeamento o próprio turista já o fez. Não temos operações muito consolidadas no Estado. Exemplo de Barcelos que recebe entre 17 a 16 mil por ano, com acréscimo de 15%  em relação ao ano anterior e que tem uma geração econômica na faixa de R$ 30 milhões. Pesca turista não é relativamente barata. O que estava faltando acontecer era reconhecer que o tucunaré é ouro da Amazônia, porque é um ouro que não acaba. Um peixe gera muito outros peixes, pois o pescador pega e devolve. O que adiantou bastante foi a lei do defeso.

Que tipos de roteiros o senhor acha que o Amazonas tem potencial de explorar? 

O turismo de aventura precisa de uma atenção, além do de ‘sol e praia’.  Estamos terminando a parte de orçamento para fazer barracas nas principais praias da cidade e fazer uma estrutura mínima para elas. A ideia é fazer algo sem muito luxo, porém funcional.  Já o turismo de aventura seria  as cachoeiras de Presidente Figueiredo, a Serra de Aracá, a Serra da Valéria. 

O turismo comunitário parece que foi abandonado. Como o senhor avalia isso? 

Não, pelo contrário. Esse turismo é muito bom e bastante elogiado. Inclusive teve uma matéria na Folha de São Paulo. Nós trouxemos o repórter de lá e ele fez essa matéria na base comunitária. E é isto que está faltando, promover mais. E é o que temos levado. Acabamos de levar para a feira de turismo na Espanha e para o The New York Times Travel Show que é em Nova York.  Esse turismo é importante, pois cruza duas vertentes. Ele favorece aquela pessoa que quer ficar na casa do caboclo vivendo aquela experiência como também ajuda quem quer viver uma aventura. 

Como está a tratativa de Madrid-Manaus? 

Não é só Madrid-Manaus. Nós estamos tratando com a Europa, Ibéria, a Latam e a American Airlines para tentar aumentar os fluxos dos destinos. Estamos tentando voos Manaus-Dallas para atingir pessoas para a pesca esportiva. E outro voo para Manaus-Madrid, porque perdemos ligação com a Europa com a TAP e não foi por incompetência governamental e sim por questão de fusão da aviação muito dinâmica. Você não pode culpar o governo por isso, todas as Companhias Aéreas Internacionais tem isenção de ICMS só que a TAP foi comprada pela a Azul, então o voo da TAP que vinha até Manaus ficou sem sentido a partir do momento que tem uma conexão Belém-Manaus ficou muito mais barato. Estamos tentando com Ibéria e com a Europa para abrir voo Manaus- Madrid, Manaus- Lisboa e Manaus-Europa. E nós temos potencial para fazer esses vôos. 

Publicidade
Publicidade