Segunda-feira, 11 de Novembro de 2019
Notícias

OAB e Secretaria de Justiça unem 44 casais, a maioria homoafetivos

Sair da 'clandestinidade' perante à sociedade tem enorme significado para esses casais, por isso aumenta cada vez mais a procura pela oficialização da união civil



1.png John Harrison, 25, e Matheus Souza, 19, não conseguem segurar a emoção de oficializarem a união, que dura há apenas um ano.
21/07/2015 às 21:35

Na última segunda-feira, John Harrison Moreira, 25, e Matheus Souza da Silva, 19, completaram um ano de convivência homoafetiva e hoje (21) estarão oficialmente casados. Na mesma condição, e felizes da vida, estão Roanne Martins, 22, líder de produção numa farmácia de manipulação, e Isabel Colares, 28, operadora de produção de uma multinacional do Distrito Industrial.

A união civil, com todos os direitos concedidos a casais tradicionais, será possível graças a uma parceria entre a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Amazonas (OAB/AM) e a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). As duas entidades promovem hoje o segundo casamento coletivo homoafetivo e de héteros do Amazonas.



O evento oficializará a união de 44 casais, sendo cinco heterossexuais, e será realizado na sede da Ordem, às 9h, na avenida Umberto Calderaro, bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

De acordo com o presidente da OAB/AM, Alberto Simonetti Neto, o objetivo é facilitar o acesso dos casais homoafetivos à formalização da união formal e difundir a legalidade deste procedimento.

A cerimônia não é restrita aos casais homoafetivos, mas estes são a grande maioria. De acordo com a presidente da Comissão da Diversidade Sexual da OAB/AM, Alexandra Zangeralame, a entidade que promoveu o primeiro casamento do tipo na região, ainda há muita desinformação com relação aos direitos dos casais homoafetivos de formalizar a união. No ano passado, 12 casais, sendo um hétero, oficializaram a união em  evento semelhante da OAB/AM.

“Diversos casais homoafetivos procuram orientação na OAB/AM sobre partilha de bens, processos de divórcio e uma série de situações cuja solução legal seria a regularização da união, com o casamento civil”, informa Alexandra .

Ela disse ainda que a procura de casais héteros foi tão grande que foi preciso limitar em apenas cinco, para dar prioridade aos homoafetivos, mas deixou em aberto a possibilidade de haver nova cerimônia no mês de outubro. Ela não esconde a felicidade pelo ato.

“Hoje a sociedade está mais preocupada com outras coisas. Isso é maravilhoso, principalmente no aspecto da segurança jurídica. Quando os casais decidem pelo casamento, já chegam com questões resolvidas, como a divisão de partilha, por exemplo”,

Na opinião da advogada, sair da “clandestinidade” perante à sociedade tem enorme significado para esses casais, por isso aumenta cada vez mais a procura pela oficialização da união.

“É importante que os órgãos públicos façam a devida divulgação, mostrando que os casais homoafetivos têm os mesmos direitos e podem igualmente participar desse processo de oficialização da união”, disse.

“Sou de Santarém, vim tentar a vida em Manaus sem conhecer ninguém, com pouco dinheiro e sem nenhuma referência. Por acaso encontrei uma amiga pelo Facebook e depois, pelo mesmo canal, conheci o John”, revela o comerciário Matheus Souza, referindo-se a seu parceiro John Harrison, com quem convive conjugalmente há um ano.

Felizes, mas com pouca celebração

John Harrison, 25, e Matheus Souza, 19, não conseguem segurar a emoção de oficializarem a união, que dura há apenas um ano. Entretanto, não haverá festa de comemoração, pelo menos por enquanto. Eles esperam poucos conhecidos na cerimônia de casamento. Os pais de Matheus estão nos Estados Unidos (EUA) prestigiando o aniversário de um parente enquanto os de John moram em Coari (a 370 quilômetros de Manaus).

“É muita felicidade, nunca imaginei estar casado. O John viu o anúncio e, do nada, perguntou se eu queria casar com ele. Claro que aceitei na hora”, confessa Matheus. Quanto a discriminação, John não tem do que reclamar. “Por incrível de pareça não nunca sentimos discriminação ou preconceito, nem das nossas famílias. Fui a Santarém (PA) conhecer os pais dele e me surpreendi com a forma como me receberam. Estou muito tenso, é muito importante firmar esse compromisso diante à sociedade. Temos o direito de provar que podemos ser felizes”, disse John.

Tudo de graça

Além da documentação, os casais vão receber, gratuitamente, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e da OAB/AM, alianças, as fotos do enlace matrimonial, bem como um coquetel que será servido após a cerimônia, que será dirigida pela juiza de Paz Simone Minelli.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.