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Obras da Caixa Econômica, dentro do Programa de Habitação Rural, são abandonadas em Iranduba

Sem repasses de recursos, beneficiários terão que arcar com as despesas se quiserem ter os imóveis concluídos, na Região Metropolitana de Manaus 14/05/2015 às 11:34
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Bruna Freitas não sabe de onde vai tirar dinheiro para concluir a construção de sua casa na comunidade Caldeirão
Saadya Jezine Manaus (AM)

A Comunidade Rural Caldeirão, localizada no município de Iranduba, quilômetro 13 da estrada Manuel Urbano foi uma das contempladas pelo Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) do Governo Federal no Amazonas. No entanto, um impasse entre a Caixa Econômica Federal, engenheiro e corpo técnico, associações e comunitários  deixou 42 construções inacabadas ao longo da estrada.

As obras começaram a serem executadas em fevereiro de 2014, mas os donos das propriedades afirmam que a paralisação ocorreu em junho do mesmo ano. “Não tivemos nenhum comunicado, os trabalhadores simplesmente abandonaram a obra e nunca mais voltaram”, afirma a moradora Bruna Alexsandra de Freitas Sousa.

O cadastro das 42 famílias começou por iniciativa do Instituto Isaias Abisai, que promoveu a assistência social desde o processo de cadastramento até acompanhamento na execução da obra. O problema é que a primeira parcela, no valor de R$ 305 foi paga pelas famílias para a Caixa, mas as obras foram paralisadas por falta de repasse do governo. O motivo da paralisação não foi explicado pela Caixa, já que, procurado pela reportagem, o banco informou que se manifestará dentro do prazo de três dias.

Outro agravante é que além do grande investimento público com as construções abandonadas, algumas casas já apresentam rachaduras em suas estruturas, e algumas outras foram construídas em bases irregulares.

Apesar do engenheiro responsável pela obra, João Carlos ter afirmado que as obras foram restabelecidas na comunidade há duas semanas, ele afirma desconhecer problemas estruturais. “Eu não sei de nenhuma situação desse tipo, mas se me mostrarem que isso realmente ocorre, vamos dar um jeito de arrumar”, afirma.

“Eu não vou morar em uma casa assim. Desde o começo eu criei confusão porque essa casa estava sendo construída de maneira errada. Agora, eu não vou terminar trabalho mal feito dos outros”, afirmou um dos beneficiários, Josias Castro de Souza.

Segundo o engenheiro, a obra é fiscalizada constantemente pela Caixa e pelas informações que ele tem, nenhuma irregularidade foi documentada pelo órgão.

Só dois projetos receberam recursos

A paralisação no repasse de recursos ameaça a continuidade do programa. “Dos quatro projetos aprovados pelo governo federal, chegaram recursos para apenas dois”, destaca a representante dos comunitários no Instituto Isaias Abisai, Adeagna Leborda. Um dos motivos para o atraso seria a realização da Copa do Mundo e das Eleições em 2014, quando repasses desse gênero foram bloqueados.

Adeagna Leborda informou que apesar da ausência de repasse em todos os projetos, as obras precisam ser retomadas o mais rápido possível, e para isso, uma nova reunião foi marcada para o dia 17 (domingo), onde representantes do instituto, beneficiários e apoio técnico decidirão quanto de investimento ainda falta para o término da construção e qual o valor que os comunitários terão que arcar para que isso ocorra.

“Já existe uma estimativa de quanto vamos pagar para que essa obra seja finalizada, e é isso que vamos saber na próxima reunião”, destaca a beneficiária Bruna de Freitas.

Um documento foi enviado para a assessoria de imprensa da Caixa para saber sobre a ausência no repasse de verbas do PNHR.  O órgão informou que o documento será encaminhado para o governo federal para “alinhar as justificativas”.


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