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Cotidiano
Saúde

Oficina reúne 50 jovens da Região Norte para capacitá-los na prevenção ao HIV/Aids

Eles estão recebendo desta quarta-feira (23) capacitação para atuar como multiplicadores das ações contra a doença pelo Ministério da Saúde (MS) 23/08/2017 às 19:23 - Atualizado em 23/08/2017 às 19:26
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Assessor técnico do Ministério da Saúde, Diego Calisto convive com o vírus desde 2007 e repassa experiências (Fotos: Euzivaldo Queiroz)
Paulo André Nunes Manaus (AM)

A transexual paraense Isabella Santorini, 26, e o estudante amazonense Lourenço Santana são bem diferentes entre sí, inclusive geograficamente, mas comungam do mesmo pensamento quando o assunto é prevenção contra o HIV/Aids. Ambos integram o grupo de 50 jovens que estão recebendo, desta quarta-feira (23) até sexta (25), capacitação para atuar como multiplicadores das ações contra a doença, dentro da “Oficina Regional de Prevenção Combinada para Jovens”, atividade organizada pelo Ministério da Saúde (MS), em parceria com a Coordenação Estadual de IST/AIDS e Hepatites Virais e as secretarias municipais de saúde.

A atividade acontece ma Inspetoria Salesiana Laura Vicuña, na avenida André Araújo, Aleixo, e é ministrada por técnicos do MS, que atuam no Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST/Aids e Hepatites Virais e no Departamento de Apoio à Gestão Participativa e Controle Social e Saúde do Adolescente, com 20 participantes do Amazonas – da capital e dos municípios de Manacapuru, Itacoatiara, Parintins, Benjamin Constant, Tabatinga e Tefé - e os demais do Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. A capacitação acontece de 9h às 18h.

Para Isabella Santorini, que é da ong Rede Paraense de Pessoas Trans e milita na causa desde 2014, eventos como eses mostram que é “preciso lutar com todas as forças porque há pessoas que precisam da nossa ajuda e do nosso conhecimento para poderem se sentir bem”. Segundo ela, “a oficina, principalmente para os jovens que não tem conhecimento algum, serve para mostrar que existe vida, sim, após o HIV; muitos pensam que vão morrer após contrair o HIV. Eventos como esse emponderam esses jovens cada vez mais”.

Lourenço Santana faz parte das entidades Rede Jovem Pessoas Vivendo e Convivendo com Pessoas com HIV e, Manifesto LGBT. Ele comentou que a Oficina Regional de Prevenção Combinada para Jovens poderia ser um evento aberto para toda a sociedade, “mas como somos nós os participantes nossa missão é aprender e espalhar esses ensinamentos para Manaus e para o mundo”.

De acordo com Lourenço, muitas pessoas ainda têm informações precárias sobre HIV, sífilis, DSts. “Com isso, nós jovens tentamos acolher e informar, além de jovens e adultos, todas as pessoas”, destaca o participante.

Esta é a primeira oficina do tipo, realizada na região Norte, e vai elaborar uma agenda de ações preventivas nos Estados, com foco na educação entre pares. Segundo a coordenadora estadual de IST/AIDS e Hepatites Virais, Silvana Lima, as informações e conhecimentos adquiridos darão o embasamento necessário para que atuem em suas comunidades. “No fim da oficina, eles serão parceiros estratégicos para promover ações de prevenção combinada, para o enfrentamento da doença e demais infecções sexualmente transmissíveis”, ressaltou.

Faixas etárias

Em relação às faixas etárias, a maior concentração dos casos de Aids no Brasil está nos indivíduos com idade entre 25 e 39 anos para ambos os sexos; entre os homens, essa faixa etária corresponde a 53,6% e, entre as mulheres, 49,8% do total de casos de 1980 a 2015. Não se observa diferença na taxa de detecção entre os indivíduos com até 14 anos de idade segundo sexo, enquanto que, entre as demais faixas etárias, a taxa entre os homens é superior a das mulheres, sendo até 2,5 vezes maior no último ano para a faixa etária de 20 a 24 anos. Nos últimos dez anos a infecção pelo HIV/Aids em homens, de 20 a 24 anos dobrou. Em 2005 eram 16,2 e em 2015, 33,1 casos por 100 mil habitantes. O Amazonas acompanha esse perfil. Em relação ao número de casos entre adolescentes e jovens de 15 a 19 anos, o estado registrou 2.934 casos, sendo que Manaus participou com 2.557 (87,15%).

Silvana Lima diz que as estratégias de prevenção sempre tiveram um importante papel na resposta brasileira à epidemia de HIV/AIDS e são resultado de uma atuação conjunta do governo brasileiro, de profissionais de saúde e de movimentos sociais. Nos últimos anos, essas ações foram sendo reestruturadas, resultando na prevenção combinada – um conjunto de estratégias preventivas que inclui a testagem regular para o HIV; a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP); a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP); a testagem durante o pré-natal e o tratamento da gestante que vive com o vírus; a redução de danos para o uso de álcool e outras drogas, silicone industrial e hormônios; a testagem e o tratamento de outras infecções sex ualmente transmissíveis (IST) e das hepatites virais; o uso de preservativo masculino e feminino; imunizações; conhecimento dos marcos legais e outros aspectos

Blog: Diego Calisto, assessor técnico do Ministério da Saúde e soropositivo

"Descobri que tenho HIV desde 2007 e eventos como esses são bem representativos, por ter a oportunidade de apoiar a execução desses projetos no território, até porque, por viver com HIV e compreender a realidade de vivenciar o vírus na prática, faço uso do tratamento e consigo viver com qualidade de vida. Queremos evitar que outros jovens sejam infectados com HIV e percebam a importância de se prevenir. Temos priorizado muito a população de jovens pois quando olhamos os índices epidemiológicos e taxas de detecção de Aids, a incidência, em sua maioria, são em jovens de 15 a 24 anos. Eles precisam de abordagem diferenciada e que contemplem essas  necessidades e especificidades”.

Mais de 15 mil casos 

O Estado  do Amazonas registrou um total de 15.149 casos de Aids no período de 1986 a agosto de 2016. Os números são do Departamento Vigilância, Prevenção e Controle da  IST/Aids e Hepatite Virais.

Destes, a capital Manaus teve 12.179 casos (80,39%), Parintins 265 (1,74%), Tabatinga 248 (1,63%), Itacoatiara 157 (1,04%), Tefé 155 (1,02%) e o Município de Manacapuru (0,74%).
Desde 2006 o Amazonas tem apresentado taxas de detecção superior à média nacional. “O MS quer estimular e potencializar o protagonismo dos jovens na construção de respostas à alta prevalência de HIV/AIDS nessa faixa etária”, explica Silvana Lima, coordenadora estadual de IST/AIDS e Hepatites Virais, área técnica vinculada à Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), que funciona no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Sul.

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