Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
Aliados de ocasião

Oito ex-ministros dos governos petistas votaram pelo Impeachment no Senado

Entre os que mudaram de lado e votaram pela saída definitiva de Dilma, está o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), ex-líder do governo no Senado e ex-ministro de Minas e Energia. Ele apoiou os governos do PT desde 2003



2d383447-9196-4b76-98e0-b764fafd9a9c.jpg Braga era um dos mais "fiéis" aliados de Dilma e Lula, até as coisas complicarem para os petistas
10/08/2016 às 18:37

Oito ex-ministros e dois ex-líderes dos governos Lula e Dilma votaram na madrugada de terça (9) para esta quarta-feira (10) a favor da pronúncia da presidente afastada Dilma Rousseff, que agora é ré no processo de impeachment por crimes de responsabilidade. Esses senadores, a maioria membros do PMDB, do presidente interino Michel Temer, ajudaram no resultado da votação de 59 votos a 21 conseguidos pela nova oposição. O julgamento final de Dilma terá início no fim deste mês em data ainda não definida oficialmente.

Entre os ex-ministros que mudaram de lado e votaram pela saída definitiva de Dilma, está o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), ex-líder do governo no Senado e ex-ministro de Minas e Energia. Ele apoiou os governos do PT desde 2003, na primeira eleição do presidente Lula. No governo do Amazonas (2003-2010), Braga obteve o apoio incondicional do presidente petista na construção de uma das principais obras do setor de energia, responsável pela mudança da matriz energética do estado: o gasoduto Coari-Manaus. A interligação do Sistema Elétrico isolado do Amazonas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), por meio do Linhão de Tucuruí e a construção da Ponte sobre o Rio Negro, são exemplos de grandes obras construídas no Estado por meio da parceria dos governos Braga e Lula.

Quando foi eleito senador, em 2010, foi escolhido líder do governo de Dilma Rousseff no primeiro mandato. E no segundo, a presidente o escolheu como ministro de Minas e Energia. Na primeira votação do impeachment, no Senado, ocorrida em 12 de maio deste ano,  Eduardo Braga estava de licença médica. Ele havia acabado de renunciar ao cargo de ministro de Minas e Energia. O senador se manteve calado em relação ao voto a ser dado nessa segunda fase do processo de impeachment (pronúncia), mas na madrugada desta quarta-feira (10) ele disse “sim” a favor do relatório do senador Antônio Anastasia (PSDB-MG). Embora não veja dolo, crime ou culpa por parte de Dilma,  para Braga o processo em julgamento é político e, sendo ele um homem de partido, votou com o PMDB a favor da pronúncia.

Os outros ex-ministros dos governos Lula e Dilma, que votaram a favor do impeachment, foram: Cristovam Buarque (ex-ministro da Educação); Edson Lobão (ex-ministro de Minas e Energia); Eunício Oliveira (ex-ministro das Comunicações); Fernando Bezerra Coelho (ex-ministro da Integração Nacional); Garibaldi Alves Filho (ex-ministro da Previdência Social); Marta Suplicy (ex-ministra da Cultura e do Turismo) e Romero Jucá (ex-ministro da Previdência e ex-líder dos dois governos de Lula). Somente os senadores e ex-ministros Armando Monteiro Neto (PTB-PE) – Ministério da Indústria e Comércio (Mdic) – e Kátia Abreu (PMDB-TO), da Agricultura, votaram contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Quase 100% a favor

Além do senador e ex-ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, o senador Omar Aziz (PSD-AM), outro ex-aliado de Lula e Dilma, também votou a favor do impeachment. Da bancada amazonense no Senado, somente Vanessa Grazziotion (PCdoB-AM) votou contra o relatório de Antônio Anastasia. Aliás, dos 11 parlamentares que representam o Amazonas no Congresso Nacional (oito deputados federais e três senadores), a senadora comunista é a única contrária ao impeachment.

Libelo acusatório é entregue no Senado

A partir da decisão do Senado, que tornou Dilma Rousseff ré por crimes de responsabilidade, abriu-se um prazo de 48 horas para a acusação oferecer seu libelo (narração do fato em julgamento e pedido da pena) e indicar até seis testemunhas para serem ouvidas em plenário. Logo depois, a defesa terá outras 48 horas para apresentar o seu contraditório, além de também indicar até seis testemunhas. Concluída essa etapa, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, marcará a data do início do julgamento, notificando as partes com antecedência de dez dias.

Mas, os interessados pelo fim do julgamento se apressaram e 11 horas depois da votação o advogado João Berchmans entregou à Secretaria-Geral da Mesa do Senado, o libelo acusatório de nove páginas contra Dilma Rousseff. Ela já foi intimada na pessoa do advogado José Eduardo Cardozo. Com isso, a defesa tem até o início da tarde de amanhã, sexta-feira (12) para apresentar seu contraditório. A acusação optou por apresentar apenas três das seis testemunhas a que tem direito. Foram arrolados Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU); o secretário de Macroavaliação Governamental do TCU, Leonardo Albernaz;  e o auditor fiscal Antonio Carlos Costa, também do TCU.  Todos já depuseram na Comissão Especial do Impeachment.


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