Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
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Oito lanchas de escolas públicas de Manaus são abandonadas

Embarcações adquiridas pela Semed com recursos do governo federal estão quebradas e se deteriorando há dois anos



lanchas_escolares.JPG As oito embarcações, cada uma com capacidade de transportar mais de 30 estudantes, foram compradas por meio do Programa Caminho da Escola do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e estão ancoradas no porto da Ceam. (Foto: Clóvis Miranda)
23/04/2017 às 12:34

A menos de 300 metros do Palácio Rio Branco, onde o prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB) despacha com seus secretários sobre a administração da cidade, oito lanchas escolares da Secretaria Municipal de Educação (Semed), com capacidade para transportar um total de 256 estudantes de comunidades ribeirinhas, estão abandonadas há pelo menos dois anos no Porto da Companhia Energética do Amazonas (Ceam), no Centro.

A reportagem de A CRÍTICA esteve no local onde as lanchas estão atracadas na base fluvial da prefeitura, mas um vigilante de empresa terceirizada que presta serviço à administração municipal  informou que a entrada da equipe só seria permitida com a autorização prévia  da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) ou da Semed. 



As lanchas escolares que estão abandonadas foram adquiridas com recursos do governo federal por meio do Programa Caminho da Escola do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que tem por objetivo “renovar a frota de veículos escolares, garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola dos estudantes matriculados na educação básica da zona rural das redes estaduais e municipais”. 


O programa também visa, de acordo com o portal da FNDE, (www.fnde.gov.br) “à padronização dos veículos de transporte escolar, à redução dos preços dos veículos e ao aumento da transparência nessas aquisições”. 

No porto da Ceam, um funcionário que trabalha em bases fluviais vizinhas à da Prefeitura de Manaus contou que as lanchas escolares estão no local há pelo menos dois anos, e que durante um dia de chuva com ventos fortes uma das embarcações do Programa Caminho da Escola afundou. 

Defeito
“A gente acredita que elas estão encostadas aí por causa de algum problema nos motores, algo do tipo. Mas isso já vem desde 2015 e claro que com o tempo vai danificando o casco delas, as laterais, vai soltando o emborrachado  como já é possível ver em algumas das lanchas. Acaba que quebra alguma outra coisa além do que já está com defeito. E vocês nem imaginam a força do vento aqui quando chove. Uma delas já foi “pro” fundo”, contou um funcionário que preferiu não ser identificado.

Outro servidor que trabalha em outro ancoradouro também próximo ao da prefeitura afirmou que outras lanchas de outras pastas da administração municipal, como da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), chegam a ser “estacionadas” no porto, mas passam poucos dias sem serem utilizadas. “Muito tempo paradas mesmo aqui nesse porto, só essas das escolas. Mas sempre tem gente aí vigiando”, contou.
 

Contingente
Mais de 4,8 milhões de estudantes da educação básica da rede pública que residem em área rural dependem de transporte diário para chegar à escola, de acordo com estudos coordenados pelo MEC/FNDE e a Universidade de Brasília (UnB) – Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes (Ceftru).

Serviço consumiu R$ 8,5 milhões

De janeiro de 2014 a fevereiro de 2017 a Secretaria Municipal de Educação (Semed) gastou R$ 8,5 milhões com transporte fluvial escolar, com recursos de origem do Tesouro Municipal, segundo a assessoria de comunicação da pasta.
 
Em 2014 foram empregados R$ 2,1 milhões, em 2015 foram R$ 2,5 milhões e em 2016 a Semed utilizou R$ 3,3 milhões. De acordo com a assessoria, a Divisão de Transporte da Semed está em fase de mapeamento dos percursos feitos pelas lanchas, para acompanhar o consumo de combustível, levando em consideração a rota e a quantidade de alunos transportados. “Assim que o trabalho for concluído, será possível divulgar a estimativa para este ano (2017). Nos dois primeiros meses do ano, o gasto foi de R$ 605,6 mil”, disse o setor de comunicação da Semed.

Segundo a Semed, 51 escolas rurais utilizam o transporte fluvial, sendo 20 escolas no Rio Amazonas, 29 escolas no Rio Negro e duas escolas na BR 174. No total, são atendidos 3.325 alunos, dos quais 1.073 em escolas localizadas no Rio Amazonas, e 2.219 no Rio Negro e 33 alunos sendo atendidos nas duas escolas da BR 174, rodovia Manaus-Boa Vista. 

Embarcações aguardam reparos

Questionada sobre o abandono das oito lanchas escolares no porto da Companhia Energética do Amazonas (Ceam), no Centro, a Secretaria Municipal de Educação (Semed), argumentou que a denúncia não procede. Mas em seguida admitiu que “seis estão em fase de reparos”.

“Dessas seis, duas tiveram avarias no casco devido ao forte temporal que aconteceu na cidade e as outras quatro estão em fase de aquisição de peças para conserto”, afirmou a secretaria em nota.

Hoje a Semed possui 64 lanchas utilizadas no transporte fluvial dos estudantes, e segundo a pasta, não há lanchas alugadas, todas são próprias. A secretaria também informou que estão em atividade 58 barcos que atendem a 51 escolas.

Na nota, a Semed afirma que todas as unidades citadas possuem transporte escolar, conforme prevê a legislação vigente. A secretaria informou ainda que a prestação deste serviço é acompanhado pelos gestores escolares  e por uma Comissão com integrantes dos setores de Geoprocessamento, Gerência de Transporte Fluvial, Divisão de Transporte e Divisão Distrital Zonal Rural (DDZ Rural) da Semed. 
 

Em números
8,5 Milhões de reais  é o valor gasto pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) com transporte escolar fluvial para  comunidades rurais no período de janeiro de 2014 a fevereiro de 2017. 
3.325 Alunos  da Semed dependem do transporte fluvial escolar. Deste total, 1.073 estudam em escolas localizadas no Rio Amazonas e 2.219 no Rio Negro e 33 alunos nas duas escolas da BR 174.

 


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