Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2022
Apelo

‘Ômicron’ e ‘má gestão do governo’ são temas de carta publicada por epidemiologistas de todo Brasil

Temendo disseminação de nova variante da Covid-19, profissionais da saúde fazem apelo para que população siga medidas sanitárias



carta-final_epi21_3FDF7786-03EF-43EB-83A2-B4A7EC7A3B8C.jpg Foto: Divulgação
30/11/2021 às 14:10

Em meio a disseminação na nova variante de Covid-19, conhecida como Ômicron e identificada pela primeira vez na África do Sul, epidemiologistas e profissionais de saúde temem um possível novo pico da pandemia no Brasil. E por conta disso, fazem um apelo à população do país para continuar obedecendo os protocolos sanitários, ressaltado a importância da imunização – tendo em vista que a pandemia ainda não acabou.

O apelo foi feito por meio de uma carta publicada na última segunda-feira (29), durante o Congresso Brasileiro de Epidemiologia.

“Apelamos para que toda a população entenda que a pandemia de COVID-19 não terminou. É necessário que todos tenham acesso a vacinação completa e que sigam as medidas de saúde pública que há quase dois anos repetimos em todos os espaços insistentemente: máscaras, distanciamento físico e evitar aglomerações. É nossa responsabilidade exigir que o governo federal cumpra seu dever de garantir saúde e educação para todos, direitos conquistados em nossa Constituição Federal”, descreve a carta.

Ao mencionar a responsabilidade do poder público na ação de conter a disseminação do vírus, os cientistas comentam da má gestão que o governo federal realizou, principalmente na ineficiência de atuação do Ministério de Saúde e seus quatro representantes durante os dois anos de pandemia.

“Desde que a pandemia se instalou no país, o Ministério da Saúde do Brasil teve quatro diferentes ministros, nenhum dos quais foi capaz de liderar o processo de mitigação da COVID-19. Muitas mortes poderiam ter sido evitadas e muitas famílias foram destroçadas”, ressaltaram.

Os pesquisadores acrescentam ainda que há estudos que comprovam que, além do boicote às práticas de prevenção, o presidente da República, Jair Bolsonaro, auxiliou na disseminação do vírus no Brasil.

“[Bolsonaro] rejeitou a gravidade do vírus, não providenciou testes, não organizou a atenção básica na pandemia, criou crises diplomáticas que interferiram na aquisição das vacinas, incentivou o uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada e tentou impedir a implementação de medidas não farmacêuticas pelos governadores e prefeitos, permitindo que o SARS-CoV-2 se disseminasse por todo o país”, acrescentaram.

Reforço à imunização

Após um atraso de seis meses, segundo os epidemiologistas, as vacinas chegaram ao Brasil, ainda que em baixa quantidade. Mas que os especialistas responsáveis pelo Plano Nacional de Imunização (PNI) foram capazes de destinar, de forma rápida, para tentar assegurar toda a população de forma eficaz.

“Com isto, a vacinação avançou graças à resposta do Programa Nacional de Imunizações (PNI) que, apesar de sua desestruturação central, mostrou sua presença e capilaridade nos estados e municípios (…). As coberturas alcançadas no Brasil contrastam com a forma premeditadamente errática com que o presidente Bolsonaro lidou com a pandemia”, afirmaram.

Entretanto, ainda há 20 milhões de brasileiros com a primeira dose que ainda não foram tomar a segunda dose. E isto é um agravante para reduzir e retardar a imunização coletiva tão esperada para vencer a pandemia do coronavírus.

“É urgente que os gestores de saúde promovam as condições para que o SUS faça a busca ativa destas pessoas, e vários municípios mostraram que isto é possível”, ressaltam.

Fortalecimento do SUS

E por fim, os pesquisadores e epidemiologistas reforçam a necessidade de investimentos que visam fortalecer o Sistema Único de Saúde, pois à medida que a pandemia for controlada, a população brasileira passará pelas sequelas que ainda não foram totalmente estudadas.

“Temos a certeza que a saída da atual crise sanitária deverá ser de forma coletiva. É urgente fortalecer o SUS para que ele possa responder aos desafios atuais e futuros, assim como defender, de forma incondicional, todas as instituições brasileiras de ensino e pesquisa. Nosso compromisso é com a diminuição das desigualdades e com a garantia de acesso universal e público às ações de saúde e à educação”, finalizam.



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Repórter de A Crítica
Amazonense, nascido e criado em Manaus. Graduado em Jornalismo e mestrando em Antropologia Social, ambos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

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