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OMS diz que vai monitorar disseminação do Zika vírus na África e na Ásia

Na segunda-feira (1º), a OMS declarou uma emergência de saúde pública mundial devido à ligação do Zika com milhares de casos recentes de má-formação cerebral em recém-nascidos no Brasil 02/02/2016 às 17:38
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Mosquito Aedes aegypti no laboratório Oxitec em Campinas
REUTERS ---

O vírus Zika, ligado a um surto de microcefalia na América Latina, pode se disseminar na África e na Ásia, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) irá criar unidades de monitoramento nos países mais pobres com as taxas mais altas de natalidade, informou a entidade nesta terça-feira (2).

Na segunda-feira, a OMS declarou uma emergência de saúde pública mundial devido à ligação do Zika com milhares de casos recentes de má-formação cerebral em recém-nascidos no Brasil.

O órgão pediu o desenvolvimento urgente de exames diagnósticos melhores para detectar o vírus em gestantes e em bebês recém-nascidos. Visto como uma moléstia relativamente rara, o vírus pode causar microcefalia – quando bebês nascem com cabeças anormalmente pequenas – e muitas vezes distúrbios neurológicos e dificuldades de aprendizagem.

 "O mais importante é que precisamos criar locais de vigilância em países de renda média e baixa para que possamos detectar qualquer mudança nos padrões de microcefalia relatados em um estágio inicial", disse o doutor Anthony Costello, diretor de saúde maternal, infantil e adolescente da OMS.

Uma unidade de reação global da OMS "aproveitando todas as lições que aprendemos com a crise do Ebola" já foi montada, afirmou ele. Entre 20 e 30 'unidades sentinela' para vigilância podem ser estabelecidas em todo o mundo, sobretudo em nações pobres que carecem de sistemas de saúde robustos.

"Está claro que queremos tantos centros quanto pudermos coletando esse tipo de dados para podermos notar qualquer mudança no padrão de casos de microcefalia em um estágio inicial", declarou Costello em uma coletiva de imprensa.

"O mais importante, do meu ponto de vista, é ver se conseguimos aprimorar o diagnóstico do vírus Zika".

Mas ele acrescentou: "Pode ser cedo demais para notar quaisquer associações com casos em outras regiões, porque é preciso lembrar que, se você foi afetada no começo da gravidez, pode demorar vários meses antes de vir à tona que se trata de um caso de microcefalia".

O temor é que a doença migre para outras áreas do mundo onde as populações podem não ser imunes, alertou.

"E sabemos que o mosquito portador do vírus Zika – se essa associação for confirmada – está presente... em toda a África, em partes do sul da Europa e em muitas partes da Ásia, particularmente o sul da Ásia..."

Costello disse que a OMS está elaborando diretrizes para as gestantes de todo o planeta e congregando especialistas para que trabalhem em uma definição de microcefalia que inclua uma medida padronizada de medição das cabeças dos bebês.

"No momento, acreditamos que associação é culpada até prova em contrário", afirmou, referindo-se à conexão feita no Brasil entre o vírus e os recém-nascidos com microcefalia.

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