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Cotidiano
DISTÚRBIO MENTAL

Descubra até que ponto jogar um game deixa de ser diversão e passa a ser um vício

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o vício em jogos de videogame como um “distúrbio mental” ao incluí-lo na Classificação Internacional de Doenças (CID-11) 13/01/2018 às 12:21 - Atualizado em 15/01/2018 às 16:53
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Foto: Pixabay
Mayrlla Motta Manaus (AM)

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o vício em jogos de videogame como um “distúrbio mental” ao incluí-lo na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Essa é a primeira vez que a organização classifica esse tipo de vício como doença. O documento emitido pela entidade descreve o problema como um  comportamento frequente tão grave que leva a pessoa a optar pelos jogos ao invés de outros atividades. Com base nisso, até que ponto se dedicar a um jogo deixa de ser diversão e passa a se tornar um vício digno de tratamento?

De acordo com o doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Mario Louzã, para diagnosticar que uma pessoa é dependente de um jogo é preciso observar três fatores. “Deve-se considerar o desejo que ela tem de jogar, a abstinência no caso de interrupção do uso e a tolerância. Em situação de vício, a pessoa precisa repetir o comportamento com maior intensidade para conseguir o mesmo tipo de prazer que tinha anteriormente”, explica o psiquiatra.

 Segundo o médico, as recompensas em passar de fases ou ficar em primeiro lugar são um dos fatores que levam ao vício. “Isso faz com que a pessoa deixe de fazer algumas coisas para jogar”, complementa ele. 

Segundo o Dr. Louzã, uma pessoa viciada em videogame nunca vai reconhecer que é. No entanto, a família e ou amigos podem ajudar. “Muitos deles precisam iniciar uma terapia para ajudar a sair desse universo dos jogos. É preciso buscar ajuda profissional”, finaliza.

Prejuízos

Como todo vício, esse também gera consequências.  Quando o empresário Adson Muniz (24) cursava o 1º ano do Ensino Médio, ele não conseguia fazer outra coisa a não ser jogar. “Isso me prejudicou diretamente na escola, obtive muitas notas vermelhas e, consequentemente, a reprovação. Quando isso aconteceu passei a ter ciência do quanto o vício poderia vir a ser prejudicial, assim como qualquer outro”, relembra.

Muniz joga Counter-Strike (CS) desde criança, quando o jogo ainda estava na versão 1.5. Hoje, ele joga quando tem um tempo sobrando na rotina, preferencialmente à tarde e à noite. “Levo uma vida normal como qualquer outra pessoa, trabalho diariamente, tenho minha namorada, meus amigos, pratico atividades físicas e quando tenho um tempinho livre vou jogar pra distrair um pouco a mente”, afirma. 

O produtor audiovisual Israel Martinez (35) joga vários tipos de jogos, desde os de tabuleiro aos on-line, como Dota 2 e League Of Legends. Ele lembra que, quando criança, ganhou o primeiro Atari com quatro jogos, entre eles o Pacman. Foi nos anos 2000 que conheceu os jogos para PC, sendo o CS o primeiro deles. Com o histórico, ele já ficou em 3º lugar em um campeonato de WarCraft 3, que atualmente é conhecido na versão Dota. 

Martinez diz que já fez grandes amizades por causa dos jogos e só tem uma coisa a reclamar: “O único agravo foi pagar por uma internet cara aqui no Amazonas. Já morei em São Paulo e meu custo com internet era bem menor”, brinca. Sobre o reconhecimento da OMS, Israel opina que existem vícios muito piores do que os de jogos.

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