Publicidade
Cotidiano
Notícias

ONU: Papa critica instituições financeiras e pede preservação do meio ambiente

Em conferência em NY, Papa criticou poderes “capazes de produzir atrocidades no mundo”, ressaltando que deveriam incentivar a sustentabilidade em países em desenvolvimento 26/09/2015 às 10:28 - Atualizado em 11/01/2017 às 15:19
Show show 1
Papa discursou para mais de 150 líderes mundiais nesta sexta-feira (25). Esta é a quinta vez que um papa participa de uma Assembleiada Geral da ONU
Luana Carvalho Nova York

O Papa Francisco fez um discurso emocionante e crítico durante abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, na manhã desta sexta-feira (25). Ele saudou governadores, embaixadores, diplomatas, cozinheiros, tradutores e todos os funcionários da ONU. “Obrigada por pelo esforço de cada um pelo bem da humanidade”, disse, antes de lembrar que esta é a quinta vez, em 70 anos de conferência, que um papa se pronuncia  para os líderes mundiais. 

Francisco criticou os poderes “capazes de produzir atrocidades no mundo” e grandes instituições financeiras, ressaltando que os mesmos deveriam incentivar a sustentabilidade. “Os organismos internacionais devem prezar pelo desenvolvimento sustentável de países e não a submissão destes por sistemas de crédito, que não promovem o progresso a todas as nações e submetem as populações a mecanismos de pobreza, exclusão e dependência”, declarou. 

O pontífice clamou por uma resposta urgente, afirmando que o desenvolvimento e promoção de justiça são quesitos indispensáveis para alcançar a fraternidade universal. “Neste contexto, significa que nenhum individuo ou grupo humano pode se considerar onipotente, autorizado a passar por cima da dignidade e direito de outras pessoas singulares ou grupos sociais”. Francisco voltou a criticar a ganância por poder político, econômico e tecnológico.

“Queremos um ambiente natural e um vasto mundo de mulheres e homens incluídos intimamente nas relações políticas econômicas, potencializando a proteção do meio ambiente a acabando com a exclusão social”. 

Em meio a aplausos, o papa ressaltou a importância de cuidar do meio ambiente. “Existe um verdadeiro direito do ambiente por dois motivos, nós, seres humanos, somos parte do meio ambiente. Vivemos em comunhão com ele e portanto qualquer dano ao meio ambiente é um dano a humanidade. Segundo porque as criaturas, especialmente as vivas, tem um valor imenso de existência e de independência”. 

“Abuso e destruição”

“Ninguém está autorizado a abusar e muito menos a destruir a natureza. Para todos os religiosos, independente da cultura, o meio ambiente é um bem fundamental. A destruição é ao mesmo tempo acompanhada por um incomparável processo de exclusão. Um efeito de pessoas egoístas que por sede de poder material, abusam tanto dos recursos naturais”, complementou Francisco. 

Em seu discurso, ele citou que quem sofre com os atentados ao meio ambiente sempre são os mais pobres. “Os mais pobres são descartados pela sociedade e obrigados a viver de descarte, e sofrem injustamente as consequências do abuso do ambiente”.

Afirmou, ainda, que o acordo entre as nações sobre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que serão firmados durante a conferência, é uma semente de esperança. “Também confio na conferência sobre mudanças climáticas (que acontecem em dezembro em Paris). Os países vão fazer acordos fundamentais e eficazes. Se aplicarem com transparência e sem segundas intenções, se alcança os resultados de paz”. 

Papa Francisco também relacionou, como principais males ao meio ambiente, temas como tráfico de seres humanos, tráfico de drogas e armas, terrorismo e crimes internacionais, exportação e exploração sexual de crianças e comércio ilegal de órgãos.  Também fez um apelo ao direito de educação às crianças de todo o mundo. 

Dilma Rousseff discursará no domingo

A presidente Dilma Rousseff acompanhou junto com os outros líderes mundiais o discurso do papa. Às 18h30 ela participará de uma recepção oferecida pelo Primeiro-ministro do Reino da Suécia, Stefan Löfven, em apoio à implantação da Agenda de Desenvolvimento pós-2015. 

No sábado (26), participará da reunião da Cúpula do G4 (Brasil, Alemanha, China e Índia). No domingo, às 10h30, a presidente discursará sobre igualdade de gêneros e empoderamento das mulheres, um dos 17 objetivos dos ODS. Na segunda-feira (27), ela se encontrara com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e participará do Debate Geral da assembleia.

Publicidade
Publicidade