Domingo, 08 de Dezembro de 2019
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Opção pelos ficha suja

Parte da equipe nomeada pelo prefeito Adail Pinheiro para as secretarias responde a processos



1.jpg Prefeito de Coari, Adail Pinheiro (à esquerda), afirma que nomeações de auxiliares estão dentro da legalidade
10/02/2013 às 08:58

Quatro dos 18 secretários nomeados pelo prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PRP), para ajudá-lo a administrar a cidade (a 370 quilômetros de Manaus), protagonizaram escândalos envolvendo dinheiro público nos últimos anos. O Município de Coari fica no médio rio Solimões, e é o segundo mais rico do Amazonas por causa dos royalties do petróleo. O atual prefeito responde a processos em que é apontado como chefe de quadrilha que desviou cerca de R$ 30 milhões da cidade.

O ex-vereador Emídio Rodrigues Neto foi escalado por Adail Pinheiro para cuidar do Coariprev, que é o fundo municipal de previdência dos servidores públicos. Emídio foi preso em abril de 2004 pela Polícia Federal sob a acusação de fazer parte de uma quadrilha que fraudava a previdência federal.



A PF batizou a operação de Matusalém, que foi resultado de três anos de investigações feitas a partir de denúncias do INSS de Brasília. Os policiais descobriram um rombo de mais de R$ 3 milhões em verbas referentes a restituições do Fundo de Participação do Município. Na operação, 13 servidores públicos foram presos, entre eles o novo diretor-presidente do Coariprev, por envolvimento e fraudes contra o cofre público no Estado.

Adail Pinheiro também nomeou para o secretariado dois vereadores que foram cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) no mesmo processo que Adail foi condenado à inelegibilidade. O primeiro é Adão Martins da Silva e é o responsável pela Secretaria Extraordinária de Gás e Petróleo. O segundo é José Henrique que ficou com a pasta de Agricultura e Infra-Estrutura Rural.

Adão e José Henrique se elegeram como vereadores em 2008, na mesma eleição que Rodrigo Alves se elegeu prefeito de Coari. Todos com o apoio de Adail Pinheiro.

Pouco mais de um ano da operação Vorax, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) cassou Rodrigo Alves, o vice dele Leondino Coelho, o então presidente da Câmara, José Henrique (PMDB), e o então primeiro vice-presidente Adão Silva. Todos, incluindo o atual prefeito, foram condenados à inelegibilidade.

O grupo foi condenado por cometer crimes abuso do poder político e econômico nas eleições de 2008 pela distribuição de R$ 4 milhões em prêmios no dia das mães no ano eleitoral.

Quatro anos depois da operação Vorax, o mesmo TRE-AM ignorou a inelegibilidade de Adail Pinheiro, não aplicou a Lei da Ficha Limpa e o liberou, no ano passado, para disputar o cargo de prefeito da cidade.

Outro secretário de Adail Pinheiro que se envolveu em escândalo é o responsável pela Companhia de Água do Município de Coari, Evandro Moraes. Ele foi secretário de Administração de Coari na gestão do ex-prefeito Arnaldo Mitoso, adversário político de Adail Pinheiro.

Adail faz defesa dos nomeados

O prefeito Adail Pinheiro defendeu, em entrevista a A CRÍTICA, por telefone, a nomeação do secretário Emídio Rodrigues, preso na operação Matusalém. Disse que não há contra o nomeado nenhuma condenação.

“Ele é inocente. Não existe uma condenação do seu Emídio por parte desse processo. No momento que tiver uma decisão, podemos rever”, declarou o prefeito.

Adail Pinheiro informou ainda que tem 18 secretários que recebem salários de R$ 13 mil. A exceção é o responsável pelo Coariprev que recebe salário mensal de R$ 10 mil. Segundo o prefeito Adail Pinheiro, os valores dos salários dos secretários foram definidos em decreto publicado na gestão do antecessor dele, Arnaldo Mitoso.


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