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Opção pelos ficha suja

Parte da equipe nomeada pelo prefeito Adail Pinheiro para as secretarias responde a processos 10/02/2013 às 08:58
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Prefeito de Coari, Adail Pinheiro (à esquerda), afirma que nomeações de auxiliares estão dentro da legalidade
Rosiene Carvalho Manaus (AM)

Quatro dos 18 secretários nomeados pelo prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PRP), para ajudá-lo a administrar a cidade (a 370 quilômetros de Manaus), protagonizaram escândalos envolvendo dinheiro público nos últimos anos. O Município de Coari fica no médio rio Solimões, e é o segundo mais rico do Amazonas por causa dos royalties do petróleo. O atual prefeito responde a processos em que é apontado como chefe de quadrilha que desviou cerca de R$ 30 milhões da cidade.

O ex-vereador Emídio Rodrigues Neto foi escalado por Adail Pinheiro para cuidar do Coariprev, que é o fundo municipal de previdência dos servidores públicos. Emídio foi preso em abril de 2004 pela Polícia Federal sob a acusação de fazer parte de uma quadrilha que fraudava a previdência federal.

A PF batizou a operação de Matusalém, que foi resultado de três anos de investigações feitas a partir de denúncias do INSS de Brasília. Os policiais descobriram um rombo de mais de R$ 3 milhões em verbas referentes a restituições do Fundo de Participação do Município. Na operação, 13 servidores públicos foram presos, entre eles o novo diretor-presidente do Coariprev, por envolvimento e fraudes contra o cofre público no Estado.

Adail Pinheiro também nomeou para o secretariado dois vereadores que foram cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) no mesmo processo que Adail foi condenado à inelegibilidade. O primeiro é Adão Martins da Silva e é o responsável pela Secretaria Extraordinária de Gás e Petróleo. O segundo é José Henrique que ficou com a pasta de Agricultura e Infra-Estrutura Rural.

Adão e José Henrique se elegeram como vereadores em 2008, na mesma eleição que Rodrigo Alves se elegeu prefeito de Coari. Todos com o apoio de Adail Pinheiro.

Pouco mais de um ano da operação Vorax, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) cassou Rodrigo Alves, o vice dele Leondino Coelho, o então presidente da Câmara, José Henrique (PMDB), e o então primeiro vice-presidente Adão Silva. Todos, incluindo o atual prefeito, foram condenados à inelegibilidade.

O grupo foi condenado por cometer crimes abuso do poder político e econômico nas eleições de 2008 pela distribuição de R$ 4 milhões em prêmios no dia das mães no ano eleitoral.

Quatro anos depois da operação Vorax, o mesmo TRE-AM ignorou a inelegibilidade de Adail Pinheiro, não aplicou a Lei da Ficha Limpa e o liberou, no ano passado, para disputar o cargo de prefeito da cidade.

Outro secretário de Adail Pinheiro que se envolveu em escândalo é o responsável pela Companhia de Água do Município de Coari, Evandro Moraes. Ele foi secretário de Administração de Coari na gestão do ex-prefeito Arnaldo Mitoso, adversário político de Adail Pinheiro.

Adail faz defesa dos nomeados

O prefeito Adail Pinheiro defendeu, em entrevista a A CRÍTICA, por telefone, a nomeação do secretário Emídio Rodrigues, preso na operação Matusalém. Disse que não há contra o nomeado nenhuma condenação.

“Ele é inocente. Não existe uma condenação do seu Emídio por parte desse processo. No momento que tiver uma decisão, podemos rever”, declarou o prefeito.

Adail Pinheiro informou ainda que tem 18 secretários que recebem salários de R$ 13 mil. A exceção é o responsável pelo Coariprev que recebe salário mensal de R$ 10 mil. Segundo o prefeito Adail Pinheiro, os valores dos salários dos secretários foram definidos em decreto publicado na gestão do antecessor dele, Arnaldo Mitoso.

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