Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
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Operação Ágata 7: Plantio de ‘Coca’ é destruído ‘pela raiz’

Base Anzol visa impedir que insumos do Brasil sejam enviados a países vizinhos na época em que ocorre a colheita de folha entorpecente



1.gif Base foi instalada há três meses no rio Javari, na frente da comunidade Sacambu, no Peru, onde passa a maioria das embarcações
08/06/2013 às 10:00

A colheita da folha da coca, matéria prima para a produção da cocaína, é realizada de três a quatro vezes por ano. Nos próximos dias será encerrado o período da terceira colheita e a Polícia Federal brasileira está em alerta na Base Anzol, na tríplice fronteira, extremo Norte do Amazonas, para impedir que os insumos necessários para a produção da cocaína cheguem à Colômbia e ao Peru. Sem a gasolina, cimento, amônia, ácido súlfurico, acetona, entre outros itens, que saem do Brasil, produtores de cocaína na Colômbia e, principalmente no Peru, não terão como produzir a droga.

Segundo o delegado federal Gustavo Pivoto, dados da Organização das Nações Unidas (ONU) mostram com base em imagens de satélites que existem entre 11 mil e 30 mil hectares de plantação de coca na região onde a Base Anzol está instalada.



O delegado explicou que os narcotraficantes dependem dos materiais. Sem eles, as folhas da coca ficam envelhecidas, perdem em pouco tempo as substâncias entorpecentes (alcalóides) e não podem mais ser utilizadas. Os produtores precisam apenas de três dias para colher as folhas amadurecidas, secá-las, prensá-las e processá-las com os produtos químicos. O resultado é um suco que é filtrado, que é transformado em pasta, e, depois, novamente seco e filtrado, até obter o pó de cloridrato de cocaína.

A luta dos agentes federais para inutilizar a produção ocorre em ritmo intenso, sob sol e chuva, sem intervalo. Todas as embarcações que passam pelo rio Javari, na frente da comunidade Sacambu, no Peru, são fiscalizadas. Foi justamente nesse trecho que a Base Anzol foi instalada, há três meses. As embarcações passam por um verdadeiro pente fino. Nenhum material que possa ser usado na produção da coca passa pela fiscalização da PF.

A rigidez é necessária porque apenas 400m separam o Brasil do Peru. A localização é estratégica porque o trecho é usado por narcotraficantes para a coleta de material para a droga e distribuição do entorpecente para ser introduzido em solo brasileiro. Quando alguém desobedecer à ordem de parar na abordagem, os agentes utilizam duas embarcações de assalto rápido que podem inundar e afundar facilmente a embarcação suspeita. Eles também estão equipadas com metralhadoras alemãs calibre 556 e calibre 762 que disparam de 600 a 1 mil tiros por minuto.

O risco de confronto com narcotraficantes é alto. Conforme o delegado federal, o Brasil é uma das principais rotas do tráfico da cocaína vinda do Peru e Colômbia e serve de corredor para países da Europa. Contra guerrilheiros e narcotraficantes, drogas e contrabando, a Base Anzol, ou seja, o Brasil, tem cinco agentes da PF, dez militares do Exército brasileiro e dois agentes da Polícia Nacional do Peru. O rio Javari, afluente do rios Solimões e Amazonas, tem 1.180 quilômetros extensão. Para fiscalizar uma área tão grande existem, além da Base Anzol, o 4º Pelotão Especial de Fronteira (PEF) Estirão do Equador e o PEF Palmeira do Javari. A exemplo os agentes federais, os militares também são isolados e correm risco diário de confronto  com narcotraficantes.

Cães identificam resquícios

Cães farejadores são uma das “armas” mais eficientes que Marinha e o Exército brasileiro utilizam para combater o narcotráfico na tríplice fronteira. A cocaína produzida no Peru é transportada em embarcações devido à fronteira fluvial, ao contrário da droga feita na Colômbia, que entra no país via terrestre, na fronteira de Tabatinga com Letícia. Os peruanos usam desde barcos de recreio até canoas para esconder a droga. Usam fundos falsos, camuflam a cocaína em meio a peixe e outros alimentos, mas os cães conseguem identificar a presença da droga.

Durante a operação Ágata 7, todas as embarcações que passaram pelos rios Javari e Solimões foram abordadas e fiscalizadas. O que chamou atenção foi que em algumas canoas, os animais ficaram nervosos indicando a presença do entorpecente. Porém, o material bruto não estava mais na embarcação. 

De acordo com o comandante da Força Tarefa Ribeirinha, na operação Ágata, Nilson Nascimento de Carvalho, as canoas já tinham sido usadas para transportar a droga, mas os resquícios da cocaína ficaram o que alertou os cães. “Eles identificam a menor quantidade de droga”, disse.


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