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Operação Cauxi: 'laranja' do esquema mora em quitinete e obras em Iranduba estão paradas

José Santana é flanelinha, catador de latas e 'sócio' de duas empresas envolvidas nas licitações fraudulentas, segundo o Ministério Público do Estado. No papel, o patrimônio dele soma R$ 1,1 milhão 13/11/2015 às 22:32
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Neste quartinho de uma estância mora o catador usado como laranja por Xinaik
Joana Queiroz Manaus (AM)

José Odenilson Santana de Oliveira, o “Zé”, é o flanelinha, catador de latas e “sócio” das empresas Transcar Transportes Ltda. e Iranduba Comércio e Serviços de Construção Ltda. A parte dele no capital social das duas empresas é de R$ 550 mil.

Zé está sendo procurado pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate as Organizações Criminosas (Gaeco) que investigam a ação de uma organização criminosa suspeita de cometer crimes de corrupção no Município de Iranduba. No total, a organização  deu prejuízos de mais de R$ 56 milhões e  resultou no afastamento e prisão do prefeito Xinaik Medeiros e de quatro secretários dele.

De acordo com os promotores, Zé é um dos “laranjas” do esquema de corrupção. Ele teve o nome e os documentos usados para abertura de empresas que tem contratos milionários com a prefeitura.  Ele está sendo procurado  desde terça-feira quando foi deflagrada a operação Cauxi.

A reportagem do Portal A Crítica  foi  ontem (13) no endereço onde o catador  mora, um quarto em uma pequena estância na rua Rio Madeira, próximo a sede do Ministério Público Estadual (MP-AM), medindo 12 metros quadrados.

A porta do quarto estava fechada por uma corrente com um cadeado. Vizinhos disseram que Zé  está desaparecido desde que ficou sabendo que estava sendo procurado pela polícia.  De acordo com eles, o vizinho passa o dia na rua em uma bicicleta velha recolhendo latinhas e vigiando carros. Pelo aluguel do quarto onde mora ele paga R$ 200 reais. Zé mora só e não tem um bom relacionamento com os vizinhos. “Aqui a gente não gosta muito dele, porque ele é ruim”, disse uma vizinha.

As investigações feitas pelo Ministério Público descobriram que o flanelinha Zé e o caseiro do pai do prefeito Xinaik, Jomar Contreira de Andrade, são sócios da empresa Iranduba. Jomar confessou que foi chamado pela sobrinha do prefeito afastado Ângela Rayane do Amazonas. Ele disse que recebeu R$ 2 mil, que continua trabalhando como caseiro recebendo salário de R$ 2 mil sem ter carteira assinada.

No final da tarde de ontem, a desembargadora Carla Reis transformou a prisão temporária  da irmã do prefeito afastado Nádia Medeiros em prisão preventiva por conta da estreita ligação dela com os principais mentores intelectuais da organização criminosa:  o prefeito afastado Xinaik Medeiros e o secretário de Finanças David Queiroz. 

Obras paradas e descasos

As empresas dos laranjas e outras eram sempre contratadas para a realização de obras com contratos milionários ou para fornecer materiais e produtos para a prefeitura por meio de licitações fraudulentas.

Essas obras, a maioria foi iniciada e não concluída. A reforma e ampliação da feira do produtor, na principal avenida do município, foi iniciada e não foi concluída. Feirantes reclamam que quando chove alaga tudo e os coloca em risco de morte por uma descarga elétrica. O valor da obra é de R$ 719.928,47.

A quadra esportiva da escola Creuza Farah orçada em R$ 180.540,29 está parada. Foram colocadas apenas as estruturas de ferro para receber a cobertura. O local está sendo tomado pelo mato. A praça Três Poderes localizada no centro da cidade é um dos motivos de revolta da população que há mais de dois anos está impedida de freqüentar o local.

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