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Operação Cauxi: MP-AM 'caça' flanelinha e caseiro que ficaram milionários em Iranduba

Segundo o promotor, os laranjas do escândalo de corrupção na prefeitura do município são pessoas humildes, que levam uma vida simples e provavelmente não receberam nenhum benefício 11/11/2015 às 21:14
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Afastado do cargo de prefeito, Xinaik Medeiros está preso numa cela do Comando do Policiamento Especial
Joana Queiroz Manaus (AM)

O Ministério Público Estadual (MP-AM) está “caçando” o caseiro do pai do prefeito afastado de Iranduba, Xinaik Medeiros, e um conhecido flanelinha da cidade. Eles, cujos nomes não foi divulgado, são peças chaves para as investigações, pois aparecem como laranjas do esquema de corrupção implantado no município para fraudar licitações milionárias e que é alvo da Operação Cauxi.

Na operação foram presos Xinaik, o secretário de Finanças, David Queiroz; o presidente da Comissão Permanente de Licitação, Edu Correa, a tesoureira do Fundo Municipal de Saúde, Nádia Medeiros (irmã do prefeito), e o secretário de Infraestrutura André Lima.

De acordo com o coordenador do grupo de Atuação Especial de Combate as Organizações Criminosas (Gaeco) do MP-AM, Lauro Tavares, além do caseiro e do flanelinha o MP está procurando também um empresário que ficou de se apresentar acompanhado de  advogado. Os três aparecem no esquema de corrupção e precisam ser ouvidos em depoimento. “Nós não sabemos por que essas pessoas não foram encontradas em seus endereços”, disse o promotor.

No caso do caseiro e do flanelinha, Tavares informou que inicialmente os mentores da organização criminosa tentaram usar familiares e pessoas próximas que possuíam empresas em seus nomes para movimentar os valores conseguidos com a corrupção, mas os empresários perceberam isso, reclamaram e ameaçaram denunciar o esquema. Então começaram a usar pessoas que não tinham nenhuma movimentação financeira, semi-analfabetas e utilizando apenas nomes e documentações.

De acordo com o promotor, as empresas nos nomes dos dois laranjas movimentavam milhões de reais. Lauro Tavares não disse o valor exato dessa movimentação. As empresas nos nomes dos laranjas ganharam licitações para realizarem obras com valor superior a mais de R$ 1 milhão. O promotor disse que os laranjas são pessoas humildes, que levam uma vida simples e  provavelmente não receberam nenhum benefício.

Lauro Tavares disse que as investigações mostraram que o caseiro e o flanelinha possuem contas bancárias e o ministério público requereu a quebra dos sigilos bancários e fiscal dessas pessoas para verificar a movimentação financeira. Os documentos relacionados a essas contas foram encaminhado ao Banco Central (BC) para que este encaminhe ao laboratório de lavagem de dinheiro.

Corrupção

A operação Cauxi é resultado de investigação feita pelo MP-AM para desarticular organização criminosa suspeita de cometer crimes de corrupção que geraram prejuízos de mais de R$ 56 milhões e deixou o município com serviços essenciais funcionando de forma precária.

Delação premiada

O promotor Lauto Tavares disse que três suspeitos, por meio dos seus advogados, externaram o desejo de fazer acordos de delação  premiada. Uma foi presa temporariamente e duas que foram conduzidas coercitivamente. O MP-AM está analisando a proposta dos advogados e, dependendo do que os suspeitos puderam contribuir com as investigações, o MP oficializará até sexta-feira essas colaborações.

De acordo com Lauro Tavares, a colaboração premiada é para as pessoas que fazem parte da organização criminosa, que tem conhecimento como ela funcionava e que estejam dispostos a contribuir com a justiça indicando exatamente como se pode comprovar o funcionamento e a existência dessa organização. Elas terão suas penas reduzidas caso aceitem o acordo.

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