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Operação Dízimo: presidente da Câmara de Iranduba está foragido

Na operação, deflagrada nesta segunda (16), foram cumpridos 29 mandados contra vereadores, secretários e servidores municipais. Três estão foragidos 16/11/2015 às 16:17
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Vereador Paulo Bandeira é acusado de participar do esquema
acritica.com* ---

O presidente da Câmara de Vereadores de Iranduba, Paulo Bandeira (PSD), está foragido. Na manhã desta segunda-feira (16), a Polícia Federal deflagrou a Operação Dízimo, para cumprir 11 mandados de prisão preventiva contra pessoas acusadas de participar de um esquema de desvios de verbas públicas federais no município de Iranduba, a 27 quilômetros de Manaus. Ao todo, sete pessoas foram presas.

A operação da PF, apesar de independente, tem relação indireta com a Operação Cauxi, do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), que prendeu cinco pessoas na semana passada, entre elas o prefeito Xinaik Medeiros. Os "dízimos" e "mensalinhos" foram citados na operação do MP-AM.

Cerca de 70 policiais federais participaram da ação, com o objetivo de cumprir 29 mandados judiciais nas cidades de Manaus e Iranduba, sendo os 11 de prisão preventiva, 16 de busca e apreensão e dois mandados de condução coercitiva.

Segundo a PF, a organização criminosa é composta por vereadores, secretários municipais, funcionários públicos municipais e empresários que atuam de forma estruturada, com clara divisão de tarefas e uma intensa movimentação financeira.

A atuação do grupo baseava-se em servidores públicos cobrando valores (dízimo) dos empresários para que fossem realizados contratos públicos com a Prefeitura de Iranduba baseados em licitações fraudadas. Os valores recebidos mensalmente eram distribuídos entre os servidores e outros integrantes do grupo, inclusive vereadores, em troca de apoio político.

A Justiça Federal autorizou o bloqueio dos bens e valores dos criminosos no montante aproximado de R$ 52 milhões visando o futuro ressarcimento do Estado. Os envolvidos responderão pelos crimes de corrupção, peculato, fraudes em licitações e organização criminosa.

Foram presos: Israel Araújo, ex-secretário de Meio Ambiente, o vereador Antônio Alves (PT); e Allan Kardec, ex-secretário de Educação. Já estavam presos em função da Operação Cauxi André Maciel Lima, ex-secretário de Infraestrutura, e David Queiroz, ex-secretário de Finanças.

Edu Corrêa Souza, ex- presidente da Comissão Permanente de Licitação da prefeitura, que havia sido preso e depois liberado, voltou a ser preso hoje.

Também foram expedidos mandados de prisão contra Ani Félix, sobrinha de David Queiroz, e o vereador Antônio Gerlande (PTN). Entretanto, a PF não confirmou se eles foram encontrados ou permanecem foragidos.

Operação Cauxi

Na semana passada, o Ministério Público Estadual, a Polícia Civil e a Corregedoria-Geral da União deflagraram a Operação Cauxi em Iranduba para combater um esquema de corrupção em licitações que teria gerado prejuízo de R$ 56 milhões ao município. Foram presos o prefeito da cidade, Xinaik Medeiros, e secretários.

Na ocasião, 20 mandados judiciais foram cumpridos. Os integrantes do esquema foram acusados crimes como peculato, corrupção passiva, concussão, falsidade ideológica, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e crime de responsabilidade fiscal. Os órgãos descobriram o uso de “laranjas” no esquema.

Parceria MP e PF

Durante coletiva de imprensa sobre a operação, o superintendente da PF, delegado Marcelo Rezende, falou se uma possível parceria entre o Ministério Público Estadual e a Polícia Federal traria melhores resultados ao combate à corrupção em Iranduba. “Nem sempre é possível trabalhar em conjunto”, disse.

“Em tese uma ação conjunta, mais coordenada, é mais eficiente, mas nem sempre é possível fazer assim. As instituições vão se comunicar agora, conversar e tentar analisar o que cada uma buscou para saber se existe uma informação que possa contribuir com a investigação que tramita na outra instituição”, disse Rezende.

*Com informações da repórter Joana Queiroz

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