Sábado, 25 de Maio de 2019
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Oposição em Coari denuncia manobra para eleger filho de Adail

Segundo os vereadores, a eleição indireta na Câmara Municipal é articulada para beneficiar o filho do prefeito cassado



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Adail Filho chegou a ser cotado como candidato a deputado em 2014
09/04/2015 às 18:54

Vereadores da oposição em Coari (distante 370 quilômetros de Manaus) denunciam que o atual prefeito interino, Iranílson Medeiros (DEM), articula, com sua base no Parlamento e com o ex-prefeito Adail Pinheiro (PRP), a eleição indireta (pela Câmara Municipal) de Adail José Figueiredo (filho do prefeito cassado) como prefeito da cidade e de um dos filhos de Iranílson como vice.

A estratégia, segundo os parlamentares, é aproveitar uma liminar concedida pelo juiz Eleitoral Dídimo Santana, na quarta-feira (8), que ao dar posse ao vereador Márcio Almeida, no lugar de Márcio Oliveira, garantiu maioria dos votos da situação, que estaria se articulando para fazer a eleição indireta.

"Isso começou lá atrás, na eleição do Iran como presidente da Câmara. Os vereadores aliados ao Adail Pinheiro votaram no Iran com a condição de ser um mandato rápido para eles fazerem uma eleição indireta e colocar o Adail Filho prefeito eleito pela Câmara. Em troca de ceder a cadeira interina o Iran colocaria o filho dele como vice. Isso é algo que está em curso", disse o vereador Adinamar Guimarães (PMN), para A CRÍTICA, na tarde desta quinta-feira (9).

"Ontem (8), antes de sair a liminar, o Iran foi a rádio anunciar a decisão. Precisamos parar com isso", completou Adinamar Guimarães.

"Essas coisas são ouvidas nos bastidores. Acontece, que, agora, é possível. Ontem (8), o juiz Eleitoral do Dídimo Santana concedeu uma liminar empossando um vereador da base no lugar de um vereador da oposição, dando maioria de votos a eles (8 a 7)", afirmou o vereador Raimundo Branco (PTN).

"Essas decisões só causam revolta à população. Há informações que eles pretendem, talvez hoje mesmo (9), eleger pessoas alheias ao processo político, ligadas à eles", disse o vereador Mário Jorge (PTC).

Para o deputado estadual Luiz Castro (PPS), "o crime organizado, comandado pelo Adail, está manipulando, instrumentalizando o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) para beneficiar o seu grupo político". "Essas liminares , sempre à favor do grupo do Adail, são muito coincidência", acrescentou.

"Não estou acusando ninguém de má fé, mas os magistrados que concedem essas decisões no plantão devem pensar nas consequências delas. Agora, a nova maioria no Parlamento quer fazer uma nova eleição e passar por cima da decisão do TSE e só criar mais um imbróglio para impedir a posse do Magalhães", disse.

O outro lado

O secretário de Comunicação de Coari, Franklin Thompson, disse que não existe manobra. "Acho difícil a Justiça se prestar a esse papel. Não há manobra, mas é claro que estamos satisfeitos de ter maioria. Agora, eles (vereadores de oposição) têm alardeado que o Adail tem ingerência na prefeitura e isso não existe.

"Juridicamente, o TRE tem dois caminhos possíveis, uma vez que os votos do Magalhães estão em vias de serem anulados. O primeiro, e mais provável, é realizar uma eleição suplementar. O segundo é transformar o mandato do prefeito interino em mandato tampão, dessa forma a cidade estará em boas mãos", completou Thompson.

O advogado de Iranílson, Elton Rodrigues, disse que as denúncias de articulação entre Iranilson e Adail "são totalmente inverídicas". "Visto que o presidente da Câmara jamais se aliou em sua carreira política ao ex-prefeito Adail Pinheiro e o seu filho (de Inranílson) sequer pode ser candidato em razão do cargo que o pai ocupa. A lei proíbe", afirmou.

"Isso não passa de uma manobra política daqueles em que a própria população de Coari disse um basta no dia em ateou fogo e destruiu imóveis desses políticos, que querem retornar à chefia do Executivo, comandados pelo ex-presidente da Câmara Iliseu Monteiro", afirmou.

Iranílson rebate acusações

“É mentira!  Se tiver nova eleição, vamos indicar alguém do nosso grupo político, é claro, mas não o Adail Filho. Os vereadores que agora denunciam isso, dando uma de bons moços, estavam e sempre estiveram todos do lado do Adail. Eu é que nunca estive do lado dele. Inclusive, fui o único vereador com mandato a disputar numa coligação contra ele. A política é assim mesmo: quem tá fora quer entrar e quem tá dentro não quer sair. Eles estão com raiva porque a administração está indo bem. Estamos sendo transparentes Vamos pagar amanhã (10) o 13º atrasado dos professores, esse atraso que gerou aquela confusão enquanto eles estavam na administração”.

O processo

O juiz Eleitoral Dídimo Santana decidiu dar posse a Márcio Almeida ao acatar um mandado de segurança impetrado pelo político. Márcio Almeida recorreu da decisão de primeira instância no município que, ao cassar a vereadora eleita Cleiciane Cruz Silva, anulou os votos dela. Ao anular os votos de Cleiciane Cruz, o primeiro suplente da coligação, Márcio Oliveira, tomou posse.

Márcio Oliveira estava no grupo contrário a Iranilson Medeiros, o que garantia, até então, maioria de votos de oito a sete para oposição. Sem a maioria, a Câmara  Municipal, que tem 15 vereadores, não conseguiria realizar uma eleição indireta.

Representação contra juíza

O advogado Elton Rodrigues, que também advoga para Márcio Almeida, disse que em nome do seu cliente vai representar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra a juíza Dinah Câmara, que anulou os votos da vereadora cassada. "Ela não poderia fazer isso. A jurisprudência do TSE, em uma decisão do ministro Dias Tóffoli, é muito clara quando diz que 'os votos obtidos por candidato, cujo registro encontrava-se deferido na data do pleito eleitoral, não são anulados, mas contados a favor da legenda pela qual o parlamentar posteriormente cassado se candidatou'", disse.

Segundo Elton Rodrigues, a decisão da juíza favoreceu indiretamente o pai dela, Miquéias Fernandes, que advoga  para os vereadores oposicionistas em Coari. "Segunda-feira (9), vamos acionar o CNJ, denunciando o agir contraditório e arbitrário das normas eleitorais. A decisão foi um absurdo. Pela Corregedoria do TRE, ela já está tendo conduta apurada", afirmou.

A reportagem tentou falar com a juíza Dinah Câmara no telefone da Comarca de Coari (97 3561-3324), mas não conseguiu resposta até o fechamento desta matéria.


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