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Oposição questiona reforma de José Melo que extingue a Secti

Nesta segunda (2), a titular e o secretário-executivo da pasta, pediram exoneração, algo visto como demonstração de não compactuarem com o ato de Melo 02/03/2015 às 22:15
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A proposta tornar a Secti um mero departamento, atrelado a outra pasta, causou grande comoção na comunidade acadêmica e científica do Estado
Natália Caplan Manaus (AM)

A extinção da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) será uma das pautas discutidas nesta terça-feira (3), em audiência pública, às 10h30, na Assembleia Legislativa (ALE-AM) sobre a Reforma Administrativa do Governo do Estado.  

Nesta segunda-feira (2), a titular da Secti, Ana Alcídia de Araújo Moraes, e o secretário-executivo da pasta, Edilson de Souza Soares, pediram exoneração, um ato visto como demonstração de não compactuarem com a decisão do governo de extinguir a secretaria. 

“Deixei o cargo por entender que a redução da Secti a um departamento resultará em muitas perdas para o desenvolvimento local”, disse Ana Alcídia. Também entregaram os postos a chefe de gabinete Ivana Botelho e o diretor do Departamento de Apoio à Popularização da Ciência, Edemilson Bibiane. 

Os parlamentares de oposição decidiram ampliar a discussão após reunião com servidores da Secti e do Movimento Ficha Verde. Para José Ricardo, que é membro da Comissão de Ciência e Tecnologia da ALE, o fim da pasta é um “grande retrocesso”.

Já Luiz Castro, que é presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Casa (Caama), afirma que “o fim da Secti é extremamente prejudicial ao desenvolvimento sustentável do Amazonas”.

O ex-titular da secretaria Odenildo Sena é um dos principais defensores da permanência da pasta e estará presente na audiência pública. Segundo ele, que também foi presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), a mudança irá dificultar o fechamento de convênios e repasse de recursos do Governo Federal.

“O que vai acontecer se ela for transformada em um mero departamento da Seplan? Perderá a autonomia”, declarou. “Um ministro vai receber um diretor de departamento para negociar recursos fora do Estado? Não”, disse.

Questionado sobre a cobrança de resultados imposta pela sociedade, Odenildo Sena foi enfático. “São Paulo detém o maior número de doutores, mestres e avanços em pesquisa. Eles têm estrutura de mais de 50 anos. A nossa acabou de completar 11 anos. É preciso trabalho em longo prazo. Em 2002, tínhamos 593 alunos de mestrado e doutorado. Em 2013, passou para 2.159. Isso não acontece por acaso. É um processo lento”, ressaltou.

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