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Organizadores de manifestação monitoram grupos para tentar evitar atos violentos em Manaus

A possibilidade de que a manifestação acabe em violência – como o corrido em outras capitais do país –, levou os organizadores a monitorarem mensagens de ódio pelo Facebook e Twitter 19/06/2013 às 22:10
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Manifestantes preparam cartazes para serem usados durante o protesto
Bruno Strahm Manaus (AM)

A organização da passeata em protesto contra o preço da tarifa do transporte público marcada para acontecer na tarde de quinta-feira (20) em Manaus monitora pelas redes sociais grupos que, segundo ela, prometem realizar atos violentos. Há a preocupação de conflito entre manifestantes e representantes de partidos políticos que podem aderir ao protesto. A polícia descartou o uso de balas de borracha durante o ato em Manaus.  

A possibilidade de que a manifestação acabe em violência – como o corrido em outras capitais do país –, levou os organizadores a monitorarem mensagens de ódio pelo Facebook e Twitter. “Identificamos alguns grupos isolados que estavam falando em quebrar tudo. Nós levamos estas informações à Secretaria de Segurança Pública (SSP) onde há uma comissão para cuidar do assunto”, comentou Sandro Marandueira, ligado ao Movimento Passe Livre (MPL).


Sem balas de borracha e bandeiras

A ação da polícia também foi discutida entre os organizadores, que não querem repetir os acontecimentos do último dia 13, quando estudantes foram violentamente reprimidos pela Tropa de Choque, Força Tática e Rocam, da polícia militar no terminal de ônibus da Constantino Nery. “Nós realizamos encontros com representantes da polícia militar e eles se mostraram solícitos em nos ajudar durante o trajeto da manifestação. Eles também nos deram a palavra que não usarão armas de bala de borracha. Apenas em último caso usarão spray de pimenta.”, disse Marandueira.

A maior preocupação de Marandueira é um possível conflito entre os próprios manifestantes. De acordo com ele, o MPL é um movimento político apartidário, e que pessoas nos protestos em todo o país são desencorajadas a levarem bandeiras de suas afiliações partidárias.

No entanto, segundo ele, um grupo de manifestantes ligados à juventude do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido dos Trabalhadores, além da União Nacional dos Estudantes (UNE) prepara uma concentração paralela, o que pode causar atrito durante o percurso da passeata.

“Eles marcaram uma concentração às 15h na Praça da Polícia, duas horas antes da nossa e longe da Praça da Matriz, onde combinamos nas redes sociais. Temos informações que eles alugaram 15 ônibus para levar o pessoal deles. São pessoas que são acostumadas a causar confusão, que cooptam estudantes secundaristas para seus interesses, que representam partidos políticos, o que é rechaçado pela maioria que participa dos protestos. Não encorajamos ninguém a levar bandeiras para evitar conflitos físicos”, diz Marandueira.

Um só movimento

Yann Evanovick, ligado à União da Juventude Socialista (UJS) nega que haja uma passeata paralela, e que a concentração será em local diferente apenas por ‘falta de espaço’. Evanovick também diz que está representando o MPL.

“Vai haver concentração na praça do Congresso também, como na praça da Saudade e na praça da Matriz. O movimento é apenas um, iremos fazer o mesmo protesto e com a mesma indignação, levantando apenas a baneira do Brasil e do Amazonas. Não iremos compactuar com nenhuma organização que queira tomar posse do movimento, que é de todo povo brasileiro. Além tudo não apoiamos a violência e depredação do patrimônio público”, diz Evanovick.

Ele também nega que estejam representando partidos políticos mas diz que há pessoas ligadas à política infiltradas entre os manifestantes para desvirtuar o motivo do protesto.

“Eles querem que a passeata vá para a Arena da Amazônia, mas os operários que lá estão não tem nada a ver com o preço da tarifa de ônibus. Não faz sentido. Temos que ir para frente da prefeitura, pois está provado que quando há pressão nas prefeituras, eles recuam. Só assim nós teremos uma tarifa de ônibus mais baixa, ele (o prefeito) baixou R$ 0,10, mas pode muito bem colocar o preço da trarifa de volta em R$2,75”, argumenta Evanovick.

A reportagem tentou entrar em contato com o secretário de segurança pública, Coronel Vital, pelo número 84****10, para comentar sobre a segurança durante o protesto, mas não conseguiu até o fechamento desta edição.

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