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Cotidiano
ADMINISTRAÇÃO

'Os desafios são muitos, pois Maués hoje é terra arrasada', diz novo prefeito

Novo prefeito do município de Maués fala das medidas emergenciais para superar as dificuldades em que a cidade se encontra 05/02/2017 às 10:16 - Atualizado em 05/02/2017 às 11:00
Show maues prefeito
Foto: Antonio Lima/ACritica
Geraldo Farias Manaus (AM)

O novo prefeito de Maués, município localizado a 258 quilômetros de Manaus, Júnior Leite (Pros) afirmou que encontrou “terra arrasada” na cidade, com lixo entulhado por todos os bairros, hospital e postos de saúde sem energia e medicamentos, dívidas milionárias com a energia e com a Previdência.

Em entrevista Júnior Leite, fala da situação no município, da relação dele com o tio e deputado estadual, Sidney Leite (Pros), e dos investimentos a serem feitos para recuperar a área de saúde, melhorar a educação e promover o desenvolvimento do turismo na cidade que se destaca pelas belas praias e pela produção de guaraná.

Seu mandato iniciou a adesão a uma ata de R$ 17 milhões para locação de veículos e outros serviços. O que realmente aconteceu?

 Quando nós decretamos emergência financeira, nós tínhamos duas situações. Uma era o problema de limpeza. Maués tinha vários lixões a céu aberto. Você andava pelas ruas e tinham entulhos em uma grande altura. Os caras (gestão anterior) estavam recolhendo o lixo doméstico e depositando no pátio da Secretaria de Obras. A outra situação é a saúde. O que nos fizemos? Nós aderimos uma ata que está em vigor no governo do Estado gerada pela ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável). Essa ata tem um valor global de R$ 17 milhões, mas o serviço é dado numa prestação de contas. Na ata você usa uma parte daquele serviço. E essa ata não é pra limpeza pública, ela é pra locação de máquinas. A limpeza pública, a Prefeitura continua fazendo. Nós prevemos que o custo desse serviço de limpeza seja de R$ 200 mil por mês.

Então qual a razão da polêmica?

 Essa confusão surgiu por uma questão política aproveitada pela posição. Isso é uma ata. Vai ser a fatura do serviço que vai confirmar o valor (a ser pago pela Prefeitura). Aí é que vai entrar o TCE (Tribunal de Contas do Estado) pra dizer se está  certo ou não. Para evitar a confusão, fechamos em R$ 2 milhões a previsão anual desse serviço. Eu entrei em emergência e precisava dessa ata para resolver esses dois problemas de saúde e da limpeza. Eu estou muito tranquilo quanto a isso, pois os serviços estão lá. As pessoas se manifestam dizendo: “Há quatro anos eu não via um gari varrendo a rua da minha casa”. Para se ter uma ideia, nós já tiramos 12 mil toneladas de entulho do município e ainda faltam mais bairros para limpar.

Qual será a sua relação como prefeito com o deputado Sidney Leite?

Vai ser uma relação amistosa e de parceria. O Sidney respeita muito as minhas decisões. Temos essa proximidade graças a Deus, por causa do parentesco e da influência dele no processo de eleição, pela história (Sidney Leite foi prefeito de Maués por três vezes) , mas eu tenho tomado as minhas decisões na administração. Eu conto com a ajuda dele. Ele é um cara articulado, tem força política, tem experiência. Agora, é cada qual no seu quadrado. Ele vai desenvolver o papel dele de deputado e eu de prefeito. Sidney é Sidney e Júnior é Júnior.  Eu sou muito grato ao esforço do Sidney e de outros parceiros por mim. Teve outros deputados que me ajudaram (durante a campanha), sou presidente do partido do governador José Melo em Maués. Eleição ninguém ganha só. Certamente o arco de aliança montado em Maués foi o que me permitiu chegar aqui.

Como surgiu o interesse pela vida pública?

Eu sempre tive interesse por política. Convivi muito pouco com o Sidney político. Eu saí muito cedo do Amazonas. Morei no Mato Grosso, em São Paulo, morei em Rondônia e no Acre. No Acre, quando entrei na faculdade, tive a oportunidade de conhecer o movimento que nascia ali, político, que era a esquerda chegando. Onde surgiram Jorge Viana e Marina Silva. Aquilo me envolveu e eu comecei a fazer parte de movimento estudantil e aí fui para as lutas estudantis sem imaginar que teria um mandato. Aí trabalhei no governo do Acre e voltei para o Amazonas. Quando voltei para Maués, eu vi que havia muitos jovens com os ideais de mudança  e comecei a me envolver. Tive a oportunidade de concorrer para vereador ainda muito novo, em 2008, e tive êxito.

Qual seu diferencial para administrar Maués?

Eu tento trazer o sentimento e a postura de servidor. Eu quero ser um político servidor. Eu não tenho a disposição de ser dono da verdade ou ser alguém superior atrás de um cargo. O maior diferencial que eu tento ter é essa postura de não perder a humildade.

Qual a situação encontrada na Prefeitura de Maués?

Ainda no processo de eleição, sabíamos que Maués não estava passando por uma boa situação, mas eu não imaginava que era tão grave. A Prefeitura de Maués deve R$ 5,5 milhões. Só na Previdência, são mais de R$ 23 milhões. A Prefeitura descontava dos servidores e não repassava ao fundo de Previdência. Uma secretaria de obras comprometida. Ônibus da educação deteriorados. O hospital não tinha iluminação. O SUS não tinha medicamentos. Não tinha um médico de urgênci a. Os postos de saúde todos precisam de manutenção. Os centros de atendimento odontológicos não têm mais nada. Mas a situação já está diferente e os desafios são muitos. Maués é o sétimo maior município do Estado, mas parece ser um dos menores. É a realidade, Maués hoje é uma terra arrasada com graves problemas, mas que a gente está tomando decisões duras para atravessar esse ano.

Como melhorar a situação financeira da população?

O que temos feito é buscar parcerias. Exemplo: um dos gargalos é a falta de formação de mão de obra no interior e Maués não é diferente. Precisamos focar na formação. Fizemos uma parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) que permitiu levar pra Maués 27 cursos técnicos. Tem cursos os mais diversos possíveis, como curso mecânico de moto a gasolina e diesel. Se você contar o número carros, motos, rabetas, motosserras que tem em Maués dá para entender que o camarada que domina aquilo ali tem o que fazer. Conseguimos um curso de ciências agrárias com a UEA (Universidade do Estado do Amazonas). Vamos lutar para que Maués também se torne um polo em produção de açaí, dá para fazer lá.

Existe um plano econômico para Maués tão forte quanto a movimentação gerada pelo guaraná?

Isso é fundamental. É o turismo. A gente precisa começar os alicerces para que Maués possa, em 20 anos, ser uma cidade que viva exclusivamente do turismo e que o turismo seja a atividade mais forte. Nós temos quilômetros de praia. Então, a ideia é criar um calendário que já permita que as pessoas conheçam Maués e não só na Festa do Guaraná ou no Festival de Verão. Vamos fazer uma temporada de verão com atividades esportivas, como futevôlei, pesca e programação cultural. Temos potenciais turísticos muito fortes.

Quais são os investimentos previstos para Maués?

 Eu tenho metas pessoais. Eu quero entregar pelo menos uma escola por ano, a partir do próximo ano na sede do município. Para se ter uma ideia, nós temos 90% das nossas escolas em Maués que funcionam em prédios alugados. Eu quero que Maués tenha uma biblioteca digital, com tablets e internet com acervo bom. Quero levar informática para o interior. Na zona rual a grande maioria nunca clicou num botão de computador.

Qual o papel de Maués na nova Matriz Econômica Ambiental do governo do Estado?

Nós vamos definir quais polos e quais as culturas nós vamos implantar. Vamos lutar pelo fortalecimento da cadeia produtiva do guaraná e vou lutar pela cadeia produtiva do açaí. Maués é muito grande e vamos ter polos de desenvolvimento cíclicos. Serão 12 polos, cada um com uma vocação.

Perfil

Júnior Leite

Idade: 35

Nome: Carlos Roberto de Oliveira Júnior

Estudos: Superior incompleto

Experiência: Secretário extraordinário do governo do Estado do Acre. Liderança de movimentos estudantis. Empresário. Ex-vereador de Maués entre 2008 a 2012. Derrotado, na eleição para prefeito de Maués em 2012, foi eleito em 2016.

Frase

 “Vamos lutar para que Maués também se torne um polo em produção de açaí”.

“Agora é cada qual no seu quadrado. Ele (Sidney Leite) vai desenvolver o papel dele de deputado e eu de prefeito. Sidney é Sidney e Júnior é Júnior”.

“Eu tento trazer o sentimento e a postura de servidor. Quero ser um político servidor”.

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