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Os medos de 'João Branco': prestes a ser transferido para presídio, traficante deve temer?

Considerado pela polícia um dos traficantes mais violentos e que executa seus desafetos com requinte de crueldade, João Branco enfrenta o medo de ser morto por seus rivais de outras facções e até mesmo da FDN 27/02/2016 às 12:08
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‘João Branco’ chega à sede da PF em Manaus
JOANA QUEIROZ Manaus (AM)

O homem que, segundo investigações da polícia, planeja, determina e executa com frieza e sadismo a morte de seus concorrentes do tráfico e desafetos, e considerado  um dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN) João Pinto Carioca, o “João Branco”, tem os seus medos: de ser mandado para o presídio federal de segurança máxima e de ficar preso em Manaus.
 
Na última sexta-feira, quando ele foi informado que estava sendo trazido para a capital, o traficante, que até então demonstrava tranquilidade, baixou a cabeça e ficou triste, conforme informaram os policiais federais que fizeram a sua prisão em Roraima, na manhã do dia anterior.

Durante o interrogatório, João Branco revelou que tinha medo de ficar preso em Manaus e ser morto por seus inimigos, e pelos seus concorrentes. Até mesmo pelos integrantes da FDN para ficarem com o comando do tráfico na área dominada por ele. Ele sabe que tem muitos inimigos.

Se depender do Ministério Público Estadual (MPE), o narcotraficante João Pinto Carioca vai ser obrigado a enfrentar seus medos. O MPE não abre mão da presença física do criminoso no julgamento dos réus do processo do crime do delegado Oscar Cardoso, ocorrido no dia 9 de março de 2014, no bairro São Francisco, Zona Sul, que deverá acontecer no segundo semestre desse ano.

João Branco revelou, ainda, que teme ser mandando para o presídio federal devido ao regime no qual será submetido, sem nenhuma regalia. No presídio federal ele ficará no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), onde estará isolado em uma cela e só terá o direito de receber visitas sem contato físico de advogados, mãe, esposa e filhos.

O traficante chegou a Manaus na sexta-feira e está preso no xadrez da Polícia Federal enquanto aguarda uma vaga no presídio federal. De acordo com o mandado de prisão expedido pela Justiça Federal na operação La Muralla, deflagrada em novembro de 2015, a determinação do juiz é que João Branco permaneça por mais de um ano nesse regime.

De acordo com o delegado de Polícia Federal que presidiu as investigações da operação La Muralla, Rafael Machado, nas conversas telefônicas interceptadas pela polícia com autorização da Justiça, João Branco aparece dando ordens para matar pessoas e até falava em um plano para sequestrar autoridades, mesmo estando fugitivo da Justiça.

Presença física é importante

O promotor de justiça da 2ª Vara Criminal, Ednaldo Medeiros  foi quem ofereceu a denúncia contra os réus e  disse que não haverá julgamento do processo do delegado Oscar Cardoso sem a presença de João Branco.  “O Ministério Público Estadual (MPE) não abre mão da presença física dele no julgamento da morte do delegado”, disse o promotor.  

Além de João Branco, são acusados da morte de Oscar Cardoso, Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes, Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga” e Marcos  Roberto  Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, todos presos. Para o promotor, a prisão de João Branco é uma resposta que o Estado está dando a bandidagem.

De acordo com Medeiros, o crime do delegado Oscar Cardoso foi a expressão da crueldade de João Branco. O delegado estava com um bebê no colo. Ele chegou a se ajoelhar e pedir para não ser morto, mas o seu clamor foi ignorado pelos algozes.

Frio e calculista

Para o secretário da SSP-AM, Sérgio Fontes, o narcotraficante João Branco é um dos mais perigosos da FDN, que planeja, ordena e executa crimes com muita frieza. Para  promotor de Justiça da 2ª Vara Criminal, Ednaldo Medeiros, João Branco  é a cara do crime e a figura emblemática da FDN.

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