Publicidade
Cotidiano
ATENÇÃO

Os relatos de quem tenta se afastar a todo custo do perigoso mundo do cigarro

Fumantes estão aproveitando a Semana Mundial Sem Tabaco para se livrar definitivamente do tabagismo e das suas danosas consequências 30/05/2017 às 05:00
Show cigarro1
Aos 66 anos, Dinalva Silva buscou apoio para parar de fumar / Fotos: Márcio Silva
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Fumar distrai ou destrói? Antes de constatar na pele e nos pulmões os efeitos nocivos do uso de tabaco, pessoas estão aproveitando a Semana Mundial Sem Tabaco para se livrar definitivamente do tabagismo e das suas danosas consequências. O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo, e pode ser relacionado a doenças pulmonares crônicas (bronquite e enfisema), por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), doença coronariana (angina e infarto) e por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral).

Fumantes inveterados estão procurando as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) cadastradas em busca de tratamento para um hábito que nem eles próprios conseguem mais suportar, seja dentro ou fora de casa.

Nesta segunda, dia 29, em uma dessas UBSs, a Sálvio Belota, no Santa Etelvina, Zona Norte, a dona de casa Dinalva Corrêa da Silva, 66, e o comerciante Manoel Peres, 50, buscavam a orientação e a força necessárias para deixar de fumar definitivamente. No local, eles começaram a integrar o 5º grupo de participantes do Ambulatório de Tratamento ao Fumante que realiza ações de sensibilização sobre os prejuízos para a saúde causados pelo uso do tabaco.

“Eu já gostaria de ter entrado desde o ano passado, mas não conseguia. Agora, felizmente, vou fazer parte desse programa aqui na UBS. Fumo desde os 9 anos de idade. São 41 anos de risco e eu quero parar antes que isso afete a minha saúde”, declarou Manoel Peres, que aguardava para iniciar seu tratamento anti-tabagismo.

À sua frente, a dona de casa goiana Dinalva Silva esperava tranquilamente pela sua vez. “Vim procurar ajuda pois tenho 54 anos de cigarro e me sinto excluída e mal quando chego perto do meu marido, dos meus filhos e netos. Comecei aos 12 anos. Quando me dá aquela vontade, aquela ansiedade, eu quero fumar. Fumo uma carteira em dois dias, mas já fumei mais: três carteiras diariamente e tabacão também”, conta ela.

Ação no FCecon

Nesta quarta, Dia Mundial sem Tabaco, 31, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) realiza, a partir das 7h30, uma ação educativa com o objetivo de conscientizar a população acerca dos fatores de risco do câncer, em especial, o tabagismo. O local escolhido foi a Fundação Vila Olímpica (FVO), com diversas atividades físicas, como zumba e treinamento funcional.

EM NÚMEROS

4%

É a frequência de adultos que fumam na cidade de Manaus, sendo maior a frequência entre pessoas do sexo masculino (5,4%) e menor no sexo feminino (2,7%). O estudo também revela a frequência de fumantes passivos no domicílio, que chega ao percentual de 6,5%, segundo dados do Vigitel 2015.

Ele deu adeus definitivamente ao cigarro

O auxiliar de serviços gerais Aloísio dos Santos Braz, 64, já venceu a barreira do cigarro há quase 2 anos. Ele fumou durante 42 anos ininterruptos e disse que, por ter trabalhado à noite, tinha sempre o hábito de tomar café e acender um cigarro.

“Eu também passava o dia inteiro fumando, não vou negar, e quando era de noite eu fazia o mesmo trabalho. Eu sempre comprava uma carteira de cigarro para mim e pra minha mulher,até o dia em que ela esqueceu a carteira e comentou que, a partir daquele dia, não fumaria mais. Eu continuei, e ela passou a reclamar que eu estava ‘fedendo a cigarro’ demais no quarto e era preciso abrir a janela. Em 2015, o seu Anderson Menezes, diretor da UBS, me disse que haveria um programa contra o tabagismo e eu participei. A primeira semana foi muito difícil, e não parei de fumar. A partir da quarta semana de programa eu diminuí, deixei de lado a carteira de cigarro e passei a fumar uns 5. Aí em 5 de junho em coloquei o cigarro na boca e disse: ‘Ou é hoje ou nunca. E joguei o cigarro fora. Parei definitivamente”, disse ele.

Publicidade
Publicidade