Publicidade
Cotidiano
Notícias

Pacientes com atrofia muscular terão chance de se comunicar com mouse cerebral criado no AM

Sistema capta as ondas cerebrais como se fosse um eletroencefalograma e através de um programa de computador permite a pessoa escrever utilizando cada letra para formar as palavras 22/09/2015 às 20:30
Show 1
O professor Manuel Cardoso, criador do mouse ocular, conta que a nova invenção é útil porque o paciente com ELA perde toda a mobilidade, mas o cérebro continua funcionando normalmente
Augusto Costa Manaus (AM)

CONFIRA A REPORTAGEM DA TV A CRÍTICA SOBRE A INVENÇÃO

Desenvolvido com tecnologia 100% amazonense, um Mouse Mental  permite que pessoas escrevam num computador utilizando somente as ondas eletromagnéticas produzidas pelo cérebro.  O protótipo do aparelho  já é uma realidade e foi apresentado nesta terça-feira (22)  pelo seu inventor, o professor universitário de eletrônica e empresário fundador da MAP Thecnology, Manuel Cardoso, 54.

Ele  desenvolveu o aparelho para ajudar os portadores de  Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença  provocada pela degeneração progressiva no primeiro neurônio motor superior no cérebro e no segundo neurônio motor inferior na medula espinhal. Esses neurônios são células nervosas especializadas que, ao perderem a capacidade de transmitir os impulsos nervosos, dão origem à doença. De acordo com  Manuel Cardoso, mais de 15 mil pessoas sofrem  da doença no Brasil.  

“Foi um ano de trabalho. A origem disso nasceu há dez anos quando dei uma palestra Escola Paulista de Medicina que tem um Centro especializada no tratamento da ELA onde eles incluíram o mouse ocular para facilitar a comunicação com essas pessoas. Mas existem pacientes que perderam até o movimento dos olhos e não podem usar o mouse ocular. Elas permaneciam conscientes e a única atividade que possuem é a cerebral, por isso a única comunicação com essas pessoas seria através do nosso projeto do mouse cerebral que utiliza os sinais elétricos do cérebro”, explicou Manuel Cardoso.

Segundo o professor, o próximo passo para a utilização do mouse cerebral será o teste em pacientes que sofrem de ELA em Manaus com o acompanhamento de médicos neurologistas.

“Hoje existem sensores eletrônicos para meditação, concentração  games e exames de eletro-encefalograma onde capturamos as ondas Alfa e Beta entre outras. Tive a ideia de pegar esses sinais e dar um processamento digital  utilizando inteligência artificial. Por meio  de concentração, meditação e modificação dos sinais cerebral,  isso passa a ser um mecanismo de comunicação e controle e ajudar essas pessoas. Em Manaus temos quatro pessoas com essa doença”, revelou Cardoso.

Tecnologia totalmente amazonense

O funcionamento do mouse cerebral,  que foi desenvolvido pela empresa MAP Thecnology em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), foi explicado pelo professor Manuel Cardoso. Ele disse que o sistema capta as ondas cerebrais como se fosse um eletroencefalograma e através de um programa de computador permite a pessoa escrever utilizando cada letra para formar as palavras.

 “São várias técnicas que a gente procura otimizar no sistema. O sensor capta as atividades cerebrais e eles são transmitidos via bluetooth para o computador e esses dados são processados através de algarismos matemáticos que o interpertam e passam as informações com técnicas de inteligência artificial. Essas facilitam a comunicação. É uma tecnologia totalmente amazonense desenvolvida com incentivos da minha empresa com o apoio do laboratório de automação da UEA”, explicou Cardoso.

Para o reitor da UEA, Cleonaldo Costa, o mouse cerebral é um avanço para as pessoas que sofrem de ELA.

“Quero destacar o papel de vanguarda dessa tecnologia. Entramos agora na fase de testes com portadores de necessidades espaciais e agora vamos patentear esse produto com empresas que possam produzir em escala e levar ao mercado.  Esse aparelhou vai oferecer ao paciente de ELA comunicação e integrá-lo com a sua família. Isso é a essência que a ciência pode fazer que é melhorar a vida do ser humano”,disse  Costa.

Números 

Aproximadamente 15 mil pessoas sofrem de ELA no Brasil atualmente. Mas, apesar do número ser crescente, em Manaus apenas quatro tem o diagnóstico da doença. Com os testes do mouse mental, que podem ser produzidos em escala industrial dentro de um ano,  as portadoras da deficiência vão poder se comunicar usando as ondas cerebrais.

Publicidade
Publicidade