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Cotidiano
EM FALTA

Pacientes reclamam da falta de remédios na Central de Medicamentos do Amazonas

Transtornados, usuários que necessitam dar continuidade ao tratamento de doenças e por não conseguirem adquirir de forma gratuita a medicação, denunciam o problema e pedem soluções 17/06/2016 às 12:01 - Atualizado em 17/06/2016 às 12:42
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Iraci Santos não consegue toxina botulínica para reduzir espasmos do filho (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Isabelle Valois Manaus (AM)

Quem depende da Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) tem se deparado com a falta de remédios. Transtornados, usuários que necessitam dar continuidade ao tratamento de doenças e por não conseguirem adquirir de forma gratuita a medicação, denunciam o problema e pedem soluções.

Este é o caso do aposentado Gilson Nascimento da Encarnação, 42, que nos últimos 30 dias, tem se deslocado todos os dias de casa, no Conjunto Habitacional Viver Melhor 4, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, para a central de medicamentos, localizado na Praça 14 de Janeiro, Zona Sul. Ele precisa diariamente tomar um total de cinco comprimidos de Clozapina, remédio controlado destinado ao tratamento de esquizofrenia. Desde 2010, Gilson consegue a medicação no Cema e nunca passou por essa situação. “Fiquei até surpreso no início, mas como estou perto de terminar a última caixa da medicação, agora estou preocupado, pois não terei condições de comprar a medicação que está em média de R$ 300”, comentou.

Toda vez que Gilson vai em busca da medicação, solicita uma posição de previsão, mas a resposta sempre é que até o momento não sabem informar quando deve chegar. “Na semana passada, um homem que também está na situação parecida que a minha, se revoltou e quebrou a porta de entrada. As pessoas estão se revoltando com isso”, disse o aposentado.

Gilson chegou até procurar Centro de Atendimento Psicológico (CAP) do Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul, para ver se havia a possibilidade de o médico que o acompanha mudar a medicação para outra que tenha na Cema. “Foi quando soube que outros pacientes do CAP também reclamaram da falta de demais medicamentos, como Risperidona, Fluxotina e Carbonato de Lítio”, informou.

O caso também se repetiu com a cuidadora Iraci Souza dos Santos, 55. Mãe de paraplégico, todos os meses precisar ir a central buscar Botox para o filho, que sofre de espasmos. “Nos últimos dois meses não tenho conseguido a medicação. Por causa disso, meu filho está sem tomar o remédio, percebi que ele até piorou com o problema da tremedeira”, contou Iraci.

Susam

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) informou que o problema está relacionado ao atraso por parte do fornecedor na entrega dos medicamentos Risperidona e Carbonato de Lítio. Conforme a secretaria a direção da Cema entrou em contato com a empresa e a previsão é que produto chegue a Manaus hoje para regularização do atendimento das demandas.

Problemas são pontuais

A Cema destacou que tanto o Carbonato de Lítio quanto a Fluoxetina são padrão da Atenção Básica, podendo ser obtidos nas Unidades Básicas de Saúde. Com relação à Clozapina, a direção disse que o medicamento integra a lista do Programa Estadual de Medicamentos Excepcionais, que é de produtos de alto custo e que ocorreu um atraso, por parte do Ministério da Saúde, responsável pelo envio do referido medicamento. Os lotes chegaram a Manaus na última sexta-feira, mas estão em processo de desembaraço de mercadoria, na Superintendência da Zona Franca de Manaus. Quanto à toxina botulínica (Botox), a Cema disse que o produto está com o estoque normal. A dispensação do produto para os usuários segue o protocolo.

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