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Pacientes reclamam de cirurgias adiadas em cima da hora na FCecon por falta de material

Fundação afirma que adiamentos de cirurgias ocorreram por causa de atraso, por parte de um fornecedor, na entrega de compressas cirúrgicas, adquiridas há vários dias pela instituição 22/10/2015 às 10:43
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Sede da Fundação Centro de Controle de Oncologia (FCecon – AM)
Rafael Seixas Manaus (AM)

Na tarde da última terça-feira (20), os familiares de Fátima Amoud foram surpreendidos com a informação de que a senhora, de 76 anos, não faria mais suas cirurgias de linfadenectomia esquerda e quadrantectomia por falta de materiais no centro cirúrgico da Fundação Centro de Controle de Oncologia (FCecon–AM), localizada no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus. A fundação afirma que adiamentos de cirurgias foram em decorrência de atraso, por parte de um fornecedor, na entrega de compressas cirúrgicas, adquiridas há vários dias pela instituição.

Segundo o advogado José Amoud Eufrasio, 46, filho da paciente, a cirurgia estava marcada para o dia 13 deste mês, mas foi reagendada para o dia 20 de outubro. Chegando ao local, após sua mãe fazer o procedimento pré-operatório, foram informados que as cirurgias não poderiam ser realizadas por falta de compressas cirúrgicas.

Prontuário informando o cancelamento da cirurgia da senhora Fátima Amoud,
de 76 anos de idade, no dia 20 de outubro 

“No dia 19, fomos ao FCecon para fazer a internação. Após fazer o pré-operatório todo na terça-feira (20), nós fomos informados meia hora antes da cirurgia, que a minha mãe receberia alta porque estava faltando material no centro cirúrgico. Onze pessoas não tiveram suas cirurgias realizadas naquele dia por falta de compressas cirúrgicas”, contou Amud.

“Chamamos a imprensa, então o Edson (de Oliveira Andrade, diretor-presidente da FCecon) nos chamou para uma sala e disse que o governo não tinha culpa de nada, que tinham comprado muito material, mas que não haviam entregado. Falei que estávamos no Outubro Rosa (campanha de combate ao câncer de mama e de alerta para a prevenção ao câncer de colo uterino), e perguntei que administração era essa? Como mandam internar uma pessoa assim? A minha mãe é diabética e hipertensa, tem 76 anos de idade, e isso é maltratá-la”, acrescentou.

Após terem feito a reclamação, segundo o advogado, a sua mãe continuou internada na FCecon e a cirurgia foi reagendada para sexta-feira (23), mas na noite de ontem (20) foram informados pela equipe da fundação que a cirurgia da paciente seria realizada na manhã do dia seguinte (21), o que não aconteceu novamente por falta de material no centro cirúrgico.

Mais uma denúncia

O encarregado de obras Newton Cardoso Silva, 59, também teve problemas para realizar um procedimento cirúrgico na FCecon recentemente. Segundo ele, a cirurgia para a implantação de uma prótese foi adiada no dia 17 de outubro, algumas horas antes da internação.

“Me ligaram da FCecon e disseram que quatro procedimentos foram adiados por falta de materiais no centro cirúrgico e que não tinha previsão de reagendamento da minha cirurgia. Eu estava a caminho de lá e cancelaram”, relatou.

Por conta da cirurgia, Cardoso fez todo um planejamento com a sua família. Alguns familiares haviam pedido folgas de seus trabalhos para acompanhá-lo no período de internação. “Terei que fazer isso novamente”, lamentou.

Posicionamento

Sobre o caso envolvendo Fátima Amoud, a direção do FCecon informou que, na última terça-feira (20), houve um problema pontual no Centro Cirúrgico, que ocasionou o adiamento de duas de 20 cirurgias programadas no setor. "O fato ocorreu em função do atraso, por parte de um fornecedor, na entrega de compressas cirúrgicas, adquiridas há vários dias pela instituição".

"Um dos procedimentos adiados foi realizado na manhã desta quarta-feira (21) e, o outro, da senhora Fátima Amoud Ferreira, foi reagendado para a próxima sexta-feira (23), para o horário da manhã, evitando prejuízos a ambas. A paciente foi mantida internada na instituição, sem receber alta, por uma decisão da equipe médica, que a avaliou posteriormente ao adiamento do procedimento cirúrgico", afirma trecho da nota.

"A família da paciente foi informada no reagendamento, na tarde de terça-feira (20), mas solicitou a antecipação da cirurgia, hoje (21) de manhã, o que não foi possível em função da programação do Centro Cirúrgico da unidade hospitalar", completa.

Informação

Em relação ao caso envolvendo Newton Cardoso Silva, a assessoria de imprensa da instituição explicou que o paciente em questão terá a cirurgia reprogramada para os próximos dias, apesar de não ser uma obrigação legal da FCecon o implante de próteses, à exceção de pacientes que apresentam incontinência urinária em decorrência da cirurgia oncológica.

"Na próxima sexta-feira (23), ele passará por consulta médica com um especialista em Urologia, que fará o reagendamento para os próximos dias. A cirurgia é reparadora, sem qualquer urgência, pois, do ponto de vista oncológico, ele já recebeu o tratamento adequado à sua neoplasia", informa a nota.

"O problema atual é uma sequela do tratamento, que acomete cerca de 5% das pessoas que passam por esse tipo de tratamento. A possibilidade de sequela é, inclusive, informada ao paciente, antes da realização da cirurgia. A direção da FCecon se coloca à disposição para qualquer esclarecimento", finaliza.

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