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Pai doa órgão e salva a vida do filho adolescente

Há dois anos, o adolescente sofreu com a paralisia repentina dos dois rins e se viu diante de uma emergência: precisava de um  transplante 08/08/2015 às 12:06
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Dois anos após o transplante, a dupla comemora o Dia dos Pais juntos e saudáveis
Kelly Melo Manaus (AM)

Em nove meses, o comerciante Helyton Dias, 46, viu o filho caçula, Wellisson Melo Dias, 14, renascer. Há dois anos, o adolescente sofreu com a paralisia repentina dos dois rins e se viu diante de uma emergência: precisava de um  transplante. 

A descoberta trouxe o desespero e mesmo diante de uma situação tão delicada, Wellisson não perdeu a alegria e a força de vontade de sobreviver motivaram os pais a buscar uma solução. Foram inúmeras sessões de hemodiálises e noites mal dormidas no hospital, numa longa fila de espera para conseguir um  doador.

Após conversas com a equipe médica, surgiu a possibilidade de a doação ser feita por um familiar e a partir daí, Helyton se submeteu a uma bateria de exames para “salvar o filho”. Passados os nove meses, desde a descoberta da doença, a boa notícia: o pai tinha 75%  de compatibilidade com o filho, o que não restou dúvidas sobre o que fazer.  

“Não tinha o que pensar. Só queria ver meu filho fora de risco e livre daquela situação. Hoje, se eu pudesse doaria de novo porque meu filho está aqui comigo e porque agora sei a importância de ser um doador de órgãos”, afirmou o comerciante. 

Filas

Assim como Wellisson, mais de 190 pessoas estão na fila de espera para realizar um transplante de rim, de acordo com a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam).   Só no ano passado, 22 pessoas conseguiram sair da fila após serem transplantadas, e outras 21 passaram pelo procedimento até o mês passado. Embora os números de transplantes sejam crescentes, ainda falta conscientização da população. “Eu acredito que falta conhecimento das pessoas. Quase não existem campanhas de incentivo a doação. O dia que isso acontecer, muitas vidas serão salvas”, acredita a mãe do garoto, Cláudia Melo Dias. 
Depois os momentos de desespero e dor, Helyton tem mais o que comemorar com o filho, nesse Dia dos Pais. Cada um com um rim, mas, absolutamente saudáveis, pai e filho levam um ritmo de vida normal. “Quando a gente para para pensar, um filme passa pela nossa mente. E o mais importante é saber que o meu filho continua aqui, nos dando alegria a cada dia”, disse Helyton, com a voz embargada.

Incentivo à doação exige preparo 

Leny Passos, coordenadora estadual de Transplantes  diz que doação  de órgãos ainda é um assunto para ser discutido, por ser muito delicado tratar isso com as famílias, principalmente de doadores mortos. É um momento traumático, então toda a equipe precisa estar bem treinada para conscientizar as famílias a permitirem a doação, que tem que ser feita de forma livre e voluntária, para não causar mais sofrimento ainda.

Por esse motivo, nós estamos preparando cada vez mais os profissionais que atuam na saúde, para ajudar nessa conscientização e eliminar alguns mitos que existem até hoje, o doador ficar deformado após o transplante. Este é um trabalho muito sério e que é feito com todos os rigores exigidos.  Doação é uma construção. Atualmente, os problemas renais são os que mais deixam pacientes esperando na fila porque muitos acabam desenvolvendo algum quadro de insuficiência renal devido a exposição em excesso e a má alimentação.

Para se ter uma ideia, 40% das pessoas que fazem hemodiálise têm indicação para o transplante, por isso a fila nunca diminui. A nossa indicação é que as pessoas cuidem mais de si próprios, procurem ter uma boa nutrição, evitando a gordura e o sal, e realizar atividades físicas. A prevenção é muito importante e nós precisamos cuidar do nosso corpo.

Saiba mais

A coordenadora estadual de Transplantes, Leny Passos, explicou que o transplante de rim é o que possui a maior  número de pessoas na fila do estado. Atualmente, 193 pacientes aguardam por um doador, que pode demorar até dois anos. A especialista elencou diversos fatores que podem causar a insuficiência renal entre elas, a má alimentação. Além de transplante de rins, segundo Leny Passos, o Amazonas  faz também transplantes de fígado e aguarda uma autorização do Ministério da Saúde para começar a fazer também transplantes de coração.

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