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Pais à flor da pele - Eles assumem a paternidade em profundidade desde a gestação

A participação masculina durante a gestação aumentou tanto que muitos pais até desenvolvem sintomas psicológicos de gravidez e cuidam dos filhos como ‘cangurus’ 08/08/2015 às 10:58
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Rafael Felipe (23) e Amarildo Silva (31), pais que descrevem a emoção de ter seus filhos nos braços
Luana Carvalho ---

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Ao contrário do que se imagina, não se trata de patologia, mas sim de uma  forte e envolvente ligação com a mulher e com o tão esperado bebê.

Tanto as delícias da espera do primeiro filho do frentista Amarildo da Silva, 31, quanto as dificuldades enfrentadas pelo industriário Rafael Felipe, 23, durante o nascimento prematuro da filha, tornaram cada minuto especial para esses dois pais. 

A filha de Rafael nasceu no início do mês, com 32 semanas e pesando 1 quilo e 15 gramas. Maria Aparecida, como foi batizada, nem imagina, mas já era muito amada mesmo antes de vir ao mundo. Prova disto é que o pai dela passa praticamente o dia inteiro na maternidade transmitindo calor para a pequena, que completará um mês na próxima quinta-feira.

“Sinto o contato pele a pele, o coraçãozinho dela batendo, assim como ela sente o meu. Isso faz bem pra ela, para o seu crescimento. É inexplicável ver como ela evolui a cada dia”, comentou, enquanto carregava Maria como um verdadeiro pai canguru.

A técnica, que surgiu na Colômbia, consiste em provocar um contato bastante próximo entre o pai e seu filho. “A mãe ou o pai ficam nus no tórax,  colocam o bebê  também nu em seu peito  e vestem uma roupa que dá uma volta no corpo. O bebê fica como um filhote de canguru”, explica o  diretor da maternidade Balbina Mestrinho, Marco Lourenço.

O método dispensa o uso da incubadora depois que o recém- nascido sai da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e é levado para a Unidade de Cuidados Intermediários Neonatais Canguru (Ucinca). “É muito importante e traz resultados bastante positivos para a saúde do bebê”, completa o obstetra. 

Participação especial   

“Nossa dialética é pobre para descrever nossos sentimentos. Não tem palavras, e se tivesse, seria plenitude”, diz   Marco Lourenço,   que teve o privilégio de “colocar no mundo” as filhas e quatro  netas. 

“Eu costumo dizer que, como especialista, o obstetra tem uma dádiva de Deus em suas mãos:  ser o primeiro a tocar num ser humano novo. Como pai, posso dizer que não há felicidade maior para um homem do que ter um filho ou uma filha. É você poder dizer a você mesmo que você gerou um ser pra ser amado, para ser feliz, pra construir um mundo novo”, descreve. 

Pai 'grávido'

De tão envolvidos na gestação de seus filhos, os pais participam de treinamentos para cuidar dos bebês, das consultas pré-natais e até do momento do parto, como foi o caso do frentista Amarildo da Silva,  que conta, com maior orgulho, que “engravidou junto” com a esposa Nayara Mirelle, 31. Amarildo começou a sentir os sintomas normalmente atribuídos a mulheres grávidas.

“A gente estava planejando para o ano que vem, mas por um acaso, fomos tentando, e acabou dando certo. Estive presente, literalmente, desde quando ela descobriu. Sempre fizemos tudo juntos, quando a gente teve uma dúvida, eu a levei pra fazer o teste”, relembra o frentista, que também passou a sentir umas “coisas estranhas” enquanto sua esposa gerava o pequeno Arthur.  

“Eu sentia desejo de comer algumas coisas, engordamos bastante juntos e eu também tinha muita azia. Tenho certeza que era por causa da gravidez, pois eram sintomas que eu nunca senti antes”, conta. Esses sintomas, chamado de síndrome de Couvade, são cada vez mais comuns entre os pais. A mudança de comportamento e presença masculina é algo cada vez mais comum nas maternidades, principalmente depois que as gestantes passaram a ter, por lei, direito a acompanhantes.

“Desde o começo foi só nós dois e a Emanuelle, que também é minha filha, pois a criei desde os quatro anos”. 

Lágrimas

De tanto pesquisar, Amarildo conta que não ficou nervoso na hora do parto. Mas foi impossível segurar as lágrimas. “Meu coração foi a mil porque era o meu primeiro filho biológico” .

Ele também acompanhou a esposa em todas as consultas de pré-natal. “Pesquisei, participei de um treinamentos e tive uma palestra na maternidade Alzira Marreiro, onde o Arthur nasceu. Foi incrível porque há  algum tempo o pai não podia participar tão ativamente assim. Eu tenho certeza que vou continuar acompanhando os meus filhos durante toda a vida”. 

Amarildo é um pai tão presente e envolvido nos cuidados do filho, que foi a segunda pessoa a segurar Arthur no colo. “Não fui o primeiro, porque os médicos tocaram nele antes, mas fui o segundo e foi muito emocionante.”  Hoje ele é um dos pais mais atuantes no Grupo de Apoio de Amamentação da Maternidade Alzira Marreiro.  “Nós trocamos ideias e compartilhamos muitas informações. Ainda tem muitas mães que têm dúvidas”.

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