Publicidade
Cotidiano
EDUCAÇÃO

Pais de alunos PCDs ou com superdotação têm dificuldades de mantê-los nas escolas

Eles relatam desafios da educação inclusiva no Amazonas. Faltam professores, espaços adequados e o número de matriculados está abaixo da meta nacional 01/04/2018 às 18:43 - Atualizado em 02/04/2018 às 12:27
Show ok
Em Manaus, escola municipal André Vidal Araújo, no Parque Dez, possui atendimento inclusivo para alunos especiais. Foto: Cleomir Santos/Semed
Álik Menezes Manaus (AM)

O Amazonas ainda possui desempenho abaixo do esperado na educação especial e inclusiva, segundo os dados do Anuário Brasileiro de Educação 2017. Os números apontam que houve uma pequena melhora, mas, ainda assim, não atingiu a meta. Em 2014, 76,1% de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e superdotação haviam sido matriculados, enquanto que em 2015 a adesão aumentou para 78,7%. A média nacional foi de 80,7%. Apesar do pequeno avanço, pais e professores afirmam que ainda há um caminho longo a ser vencido e superado.

Com relação à educação inclusiva, o Plano Nacional de Educação (PNE) tem como meta universalizar, para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, de preferência na rede regular de ensino.

A analista de sistemas Ednir Souza Rocha contou que descobriu que o filho era superdotado há alguns anos e percorreu vários órgãos para procurar ajuda para que o filho, o adolescente Enzo Nathan  Rocha Nunes, que hoje cursa o 8º ano, pudesse desenvolver as suas habilidades artísticas em um ambiente adequado e com profissionais capacitados. Atualmente, o adolescente participa do (Núcleo de atividades de Altas Habilidades e Superdotação) NAA/S, mas o caminho foi longo até que as habilidades dele fossem reconhecidas e desenvolvidas.

“Quando descobri que ele tinha tendência pelas artes, houve muitas idas e vindas a psicopedagogas, psiquiatras e neuropediatras, porque todos diziam que ele tinha Tdah, ele não terminava as tarefas na escola, mas graças a Deus que conheci o NAAS e foi lá, com profissionais sérios e dedicados, que ele desenvolveu tudo e hoje ninguém mais diz que ele tem um defeito, mas um dom”, disse a mãe.

Prejuízo

Mas para a analista, os avanços na educação inclusiva ainda precisam “voar mais alto”. Ela afirmou que o filho está sem professor de artes, porque foi fazer doutorado e não há quem o substitua por seis meses. “O professor está de licença e não temos outro para ficar no lugar. Não há muitos profissionais especializados e, enquanto isso, os meninos ficam sem aula. Ele vai demorar seis meses para voltar. Com certeza esse déficit de profissionais prejudica alunos como meu filho”, explicou ela.


Enzo Nathan, aluno do 8º ano, ficou sem aula de artes por não ter professor. Foto: Antônio Lima

Mais escolas inclusivas

Para a professora Ana Carolina Serdeira, mais escolas especiais e inclusivas deveriam estar em fucionamento e na opinião dela, deveria ser uma em cada zona ou distrito escolar da capital, para atender a demanda que é grande.

“Estamos caminhando para a inclusão, mas a passos bem lentos. Deveriam investir muito mais em escolas para pessoas com algum tipo de necessidade ou atenção especial. Com espaços físicos adaptados e materiais didáticos voltados exclusivamente para eles, a formação continuada de professores também influencia. É preciso capacitar professores para isso“, comentou a educadora.

Semed com escola especializada

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou por meio de nota que atende, atualmente, 1.212 alunos, em 115 turmas de Educação Especial, distribuídas em 45 unidades de ensino da rede municipal. Dessas, 50 turmas são oferecidas na Escola Municipal de Educação Especial André Vidal de Araújo, localizada no bairro Parque Dez de Novembro, na Zona Centro-Sul de Manaus, atendendo 453 alunos nos três turnos. A Semed também informou que tem ainda 3.417 alunos especiais inclusos em turmas regulares, em escolas de todas as zonas de Manaus, inclusive na zona Rural.

Rede pública ou conveniados

Universalizar o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular, com garantia de ensino inclusivo, salas multifuncionais, escolas ou serviços especializados para a população de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais e altas habilidades ou superdotação é a meta do PNE.

Adaptação

Das escolas de educação básica urbanas no Brasil, apenas 51,3% possuem banheiro adaptado para alunos com deficiência ou mobilidade reduzida, enquanto que 20,9% das escolas rurais tem essa estrutura. Outros 14,3% de escolas rurais possuem salas multifuncionais para o atendimento especializado.

Publicidade
Publicidade