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Paixão pela gastronomia: Profissionais liberais se encontram na cozinha

 Elas trocaram carreiras como direito, administração e arquitetura pelas panelas e temperos. E sabem que fizeram a coisa certa 22/11/2015 às 17:07
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Grupo está concluindo o curso de gastronomia e faz planos para voos mais altos na área do empreendedorismo
acritica.com Manaus (AM)

Quem disse que lugar de mulher não é na cozinha? Que desculpem as feministas, mas para essas oito amigas, reunidas em uma brigada, a “Aconchego & Sabor”, mandá-las cozinhar não é nenhuma ofensa. Contam que o que de início era somente uma terapia, transformou-se na possibilidade real de uma guinada na vida! É essa virada que elas afirmam já estar acontecendo e que tem tudo para se consolidar em 2016. Em comum, além da paixão por cozinhar, está a coragem de se reinventar, mudar radicalmente sua área de atuação profissional, uma prova de que nunca é tarde para recomeçar.

Por ordem decrescente de idade são elas: Carla Yael, 46, jornalista; Izabel Chaves, 40, turismóloga; Artemiza Lira, a Tetê, 40, autônoma; Fabiane Bacury, 38, cabeleireira; Márcia Queiroz, 35, administradora; Silvana Alves, 33, arquiteta e urbanista; Paula Bergonci, 28, empresária; e Suzana Teles, 21, que abandonou o curso de Direito para embarcar no sonho de ser confeiteira. Idades diferentes, histórias de vida idem, mas o destino as reuniu no curso de Gastronomia do Centro de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa). E, a partir daí, deu-se início às trocas de experiências, aprendizados em sala de aula e no laboratório, erros e muitos acertos.

Hoje, às vésperas de concluir o curso superior, elas são só otimismo e fazem questão de contar um pouco sobre o que passaram até aqui. “Quem sabe lendo nossas histórias outras pessoas, talvez desanimadas e sem perspectivas, tirem algum proveito e vejam que, independente da crise financeira que atinge o país e o mundo, é possível dar a volta por cima”, conta Silvana, proprietária da Marie Confeitaria Artesanal.

 A futura chef patissier (especialista em doces) diz que mesmo tendo a certeza, ainda criança, que faria Arquitetura, não conseguiu deixar o amor pelos doces em segundo plano. “Desde pequena via a minha mãe fazendo bolos e tortas. Teve uma hora que após ter me formado e já com pós graduação em ‘Design de interiores’, vi que estava mais envolvida com o mundo da confeitaria do que com projetos arquitetônicos. Então investi em cursos fora de Manaus até chegar à faculdade de Gastronomia”, conta, frisando ter certeza de que é isso o quer para sua vida.

Crítica gastronômica

A jornalista Carla Yael é outro bom exemplo de que não se pode ter medo de mudanças. Se bem que ela se diz uma eterna apaixonada por sua primeira profissão e que acha que nunca deixará de escrever ou palpitar sobre assuntos diversos. “Posso conciliar o mundo da cozinha quente com críticas gastronômicas, unindo minhas duas áreas de interesse”, ressalta ela, que já foi repórter, subeditora e editora, principalmente nas editorias de Cidades e Polícia, em três jornais de Manaus, e hoje se vê envolvida na preparação de almoços e jantares.

Paula Bergonci, atualmente empresária no ramo de comida saudável, decidiu apostar na dupla “Nutrição e Gastronomia”. Faz ao mesmo tempo as duas faculdades e se divide com as encomendas da empresa “Tutti Sapore”, que abriu em parceria com o marido. “Buscamos agregar sabor e praticidade ao dia a dia de nossos clientes. Quando o produto é bom, o retorno vem. Tanto é que pretendíamos expandir os negócios somente em 2016, mas o mercado pediu e já em dezembro vamos inaugurar um ponto comercial”, conta.

Do salão para a cozinha

Fabiane Bacury sempre foi vaidosa e, pensando nisso, foi em busca de se profissionalizar para embelezar os outros. Tornou-se cabeleireira, mas sempre recebia elogios pelos quitutes que fazia e servia aos clientes. “Fui para a sala de aula aprender mais sobre técnicas culinárias e harmonizações de pratos. Estou abrindo um bistrô”, conta.

Habilidades que se complementam

Tetê e Márcia têm histórias parecidas. Desempenharam diversas atividades até se encontrar na gastronomia. A primeira foi vendedora em lojas de carros e confecções, recepcionista em clínica médica e chegou a fazer dois períodos da faculdade de Administração. Já a segunda, atuou como técnica em enfermagem, graduou em Administração e hoje comanda um lanche em sua casa, conciliando estudo, família  e encomendas de bolos e doces. Tetê também é uma boleira de mão cheia e conquista cada vez mais clientes com o uso de ingredientes regionais. “Tem espaço para todo mundo. Basta fazer bem feito e cumprir os prazos para não se queimar no mercado”, frisam as duas.

Onde tem comida não pode faltar bebida. E é aí que entra a experiência da turismóloga Izabel. O ingresso na segunda faculdade despertou nela um grande interesse por vinhos. E hoje, ela se vê dando dicas de que exemplar combina mais com determinados pratos, mas sem deixar de lado a cozinha. Tem preferência por tortas salgadas e doces e costuma trocar experiências com Suzana, que vê no curso de Gastronomia apenas o começo para o que pretende fazer em sua vida.

Em 2016, logo após a formatura, Suzana Teles  embarcará para Curitiba em busca de aprimoramento. Há um ano e meio passou pela Faculdade de Gastronomia de Flores da Cunha (RS), onde teve contato com chefs renomados  e confirmou o que já sabia: estava no caminho certo.

Brigada: organização na cozinha

Brigada, na faculdade de Gastronomia, é como são denominados os grupos de alunos que se juntarão para trabalhar tanto em sala de aula, quanto na preparação de pratos no laboratório. O termo foi criado pelo chef francês Georges Auguste Escoffier, que popularizou e renovou os métodos tradicionais da culinária francesa. Ele sempre lutou pela simplificação e modernização do preparo em uma cozinha.

Também introduziu nesse ambiente a disciplina e organização por meio da criação do sistema de brigada, que vem a ser a hierarquia na cozinha. Dessa forma, os funcionários responsáveis pela preparação dos alimentos são separados por setores: chef de cozinha, sub-chef de cozinha, saucier, garde-manger, rôtisseur, aboyeur, patissier, tournant, poissonnier, boulanger, auxiliar de cozinha, plongeur, boucher, entremétier, légumier, potagier, friturier, guillardin, trancheur e comins.


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