Terça-feira, 30 de Novembro de 2021
Aniversário de Manaus

Pandemia antecipa tendências tecnológicas e gera novas formas de relações sociais

O presidente do Cetam, José Augusto de Melo Neto, relembrou os tempos de normalidade antes de ter a sua vida e da sua família mudada pela Covid-19



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23/10/2021 às 09:45

Durante o período de isolamento imposto pela pandemia de Covid-19, uma imagem vinha à mente do professor José Augusto de Melo Neto: as filhas correndo ao ar livre na praia da Ponta Negra, em Manaus. Aquele momento ficou marcado como um dos últimos - antes do início da pandemia- em que ele pôde estar com a família, fora de casa e em convívio social. Depois disso, meses de restrições para evitar o contágio pelo vírus.

Há 29 anos trabalhando com educação no Amazonas e há um ano de volta à presidência do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), José Augusto conta que sentiu os efeitos da pandemia na educação tanto à frente do centro de ensino como também dentro de casa. Ele destaca que o primeiro impacto na família foi a reorganização do ambiente para atender as aulas online das duas filhas. 



“Eu vivo muito em função das minhas filhas, eu tenho duas meninas de oito anos, elas são gêmeas. Então, o primeiro impacto tem a ver com elas, porque elas passaram a ter aulas remotas. Toda a reorganização da casa foi em função delas. A gente fez pequenas adaptações, transformando, por exemplo, a penteadeira delas numa mesa de estudos”, contou o professor.

Ele e a esposa também tiveram que adotar o trabalho remoto, e neste sentido, ele destaca que a pandemia trouxe também o chamado “congestionamento de conexão”. Porque embora as pessoas estivessem distantes fisicamente, de forma virtual passaram a ficar mais conectadas que antes. 

“A esposa no trabalho dela e eu no meu, as filhas na escola, todos remotamente”, exemplificou Melo Neto. “Isso gera até uma contradição, porque as pessoas usam a palavra ‘distanciamento social’, mas na prática, o que aconteceu foi um distanciamento físico, porque socialmente as pessoas continuaram se reunindo até mais”, complementou. 

 

Tecnologia x pandemia

 

A tecnologia firmou-se como grande aliada para que diversos setores da sociedade não parassem na pandemia. Os equipamentos eletrônicos mantiveram o ensino remoto, o home office e a interação social durante as restrições causadas pela Covid-19. Segundo Melo Neto, algumas tendências de organização do trabalho e de acesso à tecnologia foram antecipadas por conta da pandemia. 

“As pessoas aprenderam a cantar parabéns de forma virtual, essa foi uma novidade para a maioria das pessoas. Os softwares foram se adaptando, porque o que tinha antes era um formato muito de escritório, o ambiente, as soluções eram mais para negócios, mercado corporativo. Agora, elas estão pouco a pouco se tornando mais amigáveis para o ambiente familiar”, explicou.

Segundo o professor, o próprio Cetam precisou se reinventar para manter e retomar o atendimento ao público. Durante a pandemia, a equipe do centro de educação criou um guia de ensino remoto com recomendações metodológicas e alternativas tecnológicas para que as aulas não paralisassem. 

“A gente sabe que é difícil a questão da infraestrutura técnica, tem limitações mesmo em Manaus, isso se agrava nos municípios do interior, isso praticamente inexiste nas comunidades rurais, mas nós estamos criando alternativas em atender o aluno, inclusive, de forma off-line, sem internet”, contou. 

 

De volta à Ponta Negra

 

Assim como milhões de pessoas ao redor do mundo, José Augusto também perdeu familiares em decorrência da Covid-19, embora, ele e a família não tenham sido infectados, e com a chegada da vacina, eles tiveram a oportunidade que muitos não tiveram- da imunização. “Eu perdi num período muito curto dois tios, relacionados diretamente à questão de covid, de acesso a oxigênio, e isso aí foi um momento difícil que a gente teve que superar”, disse. 

“No início, eu pensava quando poderia novamente levar com segurança a minha família, as minhas filhas para um ambiente como a praia da Ponta Negra. E claro, a gente ainda não saiu totalmente da pandemia, mas eu penso que o pior já passou e eu já pude retornar ao local e levar as crianças”, contou.

“É uma sensação de alívio! A gente pensa que não mudou ou que voltou a normalidade, mas na verdade, é uma nova forma de relações sociais, aí tem as pessoas que respeitam as regras de segurança sanitária, outras não. Mas, a gente pelo menos tem a esperança de que as pessoas sejam mais solidárias, se preocupem com o outro nesse momento passado o pior da pandemia”, completou.

Para o professor, Manaus ainda está se recuperando e há diversas ações positivas, mas, segundo ele, o que ainda preocupa é a questão individual. “Tem pessoas que acham que tem o direito a não tomar todas as medidas de segurança, por ser uma escolha sua de liberdade individual, mas na verdade, há uma consciência coletiva. Também existe consciência, mas infelizmente, ainda há alguns atos de egoísmo”, opinou.


 


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